Saúde íntima: 7 cuidados no dia a dia para evitar doenças

Fique atenta a essas orientações simples que evitam probleminhas ou problemões lá embaixo. E mantenha sua saúde em dia!


Dra. Patrícia Gonçalves
por: Dra. Patrícia Gonçalves
Médica obstetra e ginecologista, professora assistente em Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e do Centro Universitário São Camilo

Durante o banho, exagerar na higiene íntima – tanto quanto sua falta – pode causar danos à saúde vaginal, pois ao “lavar” os fungos e bactérias, acaba por remover até a flora boa (foto: 123TRF)

Quem nunca perguntou para uma amiga o nome daquela pomada para candidíase para facilitar a vida corrida (em vez de procurar o ginecologista) ou deu uma seguradinha no xixi só pra terminar mais um email? À primeira vista, essas situações podem parecem inofensivas, mas, na verdade elas comprometem, e muito, a saúde íntima.

A seguir falo sobre algumas situações comuns:

E lá? Lavo ou não lavo?

Exagerar na higiene íntima – tanto quanto sua falta – pode causar danos à saúde vaginal, pois ao “lavar” os fungos e bactérias, acaba por remover até a flora boa, como os Bacilos de Doderlein (lactobacilos de proteção da vagina), deixando a região vulnerável. Para higienizar a região íntima, opte por um sabonete glicerinado de pH neutro (como o que você usa no bebê). Lave delicadamente a vulva, principalmente entre os lábios; mas nunca dentro do canal vaginal! A correta higienização evita que resíduos de secreção se acumulem (e se tornem um meio de cultura para bactérias), dando chance para o surgimento de infecções, como a candidíase.

 

Sequinha e protegida?

Acreditar que o uso de protetor diário durante a academia irá manter a região intima protegida e sequinha é outro erro comum. Na verdade, o uso deste tipo de absorvente durante a prática de atividades físicas acaba produzindo o efeito contrário, tornando a região mais quente, abafada e, consequentemente, úmida!  Isso pode favorecer a proliferação de fungos e bactérias oportunistas.

Agora, se você não abre mão desta “proteção extra” durante a malhação, uma opção é utilizar uma gaze (de curativo). Por ser de algodão e apresentar uma trama mais aberta, ela conseguirá manter a área íntima livre do abafamento e sequinha.

 

Era para ser quente… mas não tanto!

Não é hoje que os produtos de sex shop têm feito parte da rotina dos casais. Entretanto, alguns desses “aditivos” podem trazer mais problemas que prazer durante a relação. Eles podem irritar a mucosa vaginal, fazendo com que seu pH se altere. Resultado: um quadro irritativo, com ardência, prurido (coceira) e corrimento. Nesses casos, o ginecologista deve ser procurado imediatamente.

 

Nada romântico!

Muitos casais também têm a fantasia de manter relações sexuais na piscina ou no mar. Entretanto, essa é uma opção nada romântica quando o assunto é cuidar da saúde íntima. Tanto o pH da água da piscina (devido ao cloro) quanto do mar (com alto teor de sal e sais minerais) levam a uma alteração também no pH íntimo e na flora vaginal, o que pode favorecer a proliferação de fungos e bactérias e o surgimento doenças.

 

Pelos na medida

A depilação é outro fator que pode comprometer a saúde íntima. Quando feita em excesso, isto é, com a remoção total dos pelos, a depilação acaba tornado a região íntima desprotegida e sujeita às infecções. Além disso, o próprio atrito entre a genitália e o tecido – seja da calcinha ou de uma roupa mais grossa, através da lingerie – causa uma irritabilidade ainda maior. Por outro lado, a falta de depilação também é prejudicial, uma vez que os pelos (longos) podem facilitar a contaminação da região. O ideal é aparar os pelos, e não tirar tudo! Isso evita inflamações na vulva e também alterações no pH vaginal.

 

Aguenta só mais um pouquinho…

Que atire o primeiro rolo de papel quem nunca deu aquela seguradinha no xixi só para terminar algo que estava fazendo. Muitas vezes impensada, essa ação pode prejudicar, e muito, sua saúde íntima. Segurar o xixi constantemente e por longos períodos pode desencadear infecções do trato urinário, uma vez que a urina atua como um “limpador” da uretra, ajudando a eliminar bactérias que ali acumulam. Para evitar problemas futuros, dê um tempo e faça seu xixi…

 

Ah, é só usar aquela pomadinha que passa…

Fez um tratamento para candidíase e sobrou um restinho de pomada? Jogue fora! Isso irá evitar a automedicação caso surja um novo episódio de ardência ou coceira. Sintomas parecidos não são sinônimo de mesma doença e, muito menos, do mesmo medicamento. Além de não surtir efeito, a automedicação pode piorar o quadro, levando até mesmo à inflamação da mucosa vaginal.  Então, caso perceba alguma alteração, consulte o ginecologista imediatamente.

 

  • Dra. Patrícia Gonçalves

    Médica obstetra e ginecologista, mestre em Obstetrícia e Ginecologia pela USP e professora assistente em Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e do Centro Universitário São Camilo. Realizou seu maior sonho ao se tornar mãe da Rafaella, que agora também segue seu dom para medicina, preparando-se para se tornar pediatra.

Data da postagem: 22 de julho de 2019

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