Quero engravidar e surgiu uma oportunidade de negócio

É possível sim ter um filho e abrir um negócio, como também somos capazes de empreender e depois nos dedicarmos à maternidade


Carol Sandler - Finanças Femininas
por: Carol Sandler - Finanças Femininas
Criadora do www.financasfemininas.com.br, o maior site do Brasil para falar de dinheiro só com mulheres

(foto: Fotolia)

Não é difícil encontrar mulheres que passam por esse dilema: querer engravidar, mas surgir uma oportunidade de negócio. Recentemente recebemos o relato da Helena*, uma leitora que se viu nessa situação e não sabia muito bem o que fazer. Há três anos, ela se mudou com o marido para os Estados Unidos. Trabalhando no Brasil como nutricionista, acreditou que teria mais facilidade de conseguir emprego no novo endereço.

“Pedi demissão para que pudéssemos viver juntos essa experiência aqui. Não foi uma decisão tão difícil, pois a vontade de morar fora do País, aprender uma nova língua e viver outra realidade era enorme e de muitos anos. Difícil foi sair do meu trabalho que eu amava e viver longe da família e amigos”, conta.

Porém, para exercer a nutrição nos EUA, é necessário fazer uma validação de diploma, certificação e provas, o que custa muito caro. Ela, que não falava inglês, aprendeu a língua na prática e teve a oportunidade de trabalhar com educação de crianças. “Me realizei com elas. Nunca havia imaginado o quanto isso me traria felicidade e aprendizados. Foi interessante, pois eu tinha minha influência em relação a alimentação no dia a dia delas. E olha que é um desafio enorme influenciar positivamente a alimentação de crianças nos EUA”, relembra.

 

Ela viu na prática a dificuldade do mercado de trabalho

 

Segundo Helena, o mercado de trabalho nos Estados Unidos não está tão diferente do brasileiro. As mães também encontram dificuldade em voltar a trabalhar, o que prejudica, e muito, o orçamento familiar.

Antes disso as famílias precisam colocar as crianças em creches ou escolas particulares – o que custa muito caro, dependendo da região. Por conta disso, a maioria das mulheres fica em casa com os filhos, não aprendem inglês de maneira eficiente para conseguir um bom trabalho e, depois de alguns anos, sentem que estão desatualizadas.

“Acontece algo parecido com as americanas. Economicamente é preferível sair do emprego, ficar em casa com os filhos e depois tentar se recolocar no mercado. Mas encontrar um bom emprego dois ou três anos mais tarde também se torna tarefa difícil. Aqui, na região em que moro, não vemos o hábito de deixar os filhos na casa da avó até que eles estejam um pouco mais crescidos, algo tão comum no Brasil”, ressalta.

 

Se preparar para ter filhos: o que fazer?

 

A vontade de ser mãe chegou para Helena há pouco tempo. Agora, ela e o marido querem que os filhos os tenham como referencial de hábitos, cultura e idioma. “Considerando que estou longe da família e principais amigos, acredito ser importante eles terem o pai ou a mãe com eles, pelo menos 70% do tempo”, diz. Para conseguir isso, ela parou de trabalhar e pretende investir em uma nova ideia.

Lembra quando ela contou que conseguia influenciar na alimentação das crianças? Sua vontade agora é ajudar as pessoas a comerem melhor e oferecer soluções em alimentos saudáveis. Isso a possibilitaria trabalhar dentro de casa e com horários mais flexíveis.

“No momento, não tenho uma empresa aberta, apenas a ideia e a oportunidade, pois a demanda por melhores alimentos e produtos é grande. Ainda não estou nem engatinhando, apenas aprendendo a sentar. Inicialmente, quem fará tudo desde o desenvolvimento e produção serei somente eu. Por enquanto, estou em fase de testes”, comenta Helena.

 

Vou dar conta do meu filho e da empresa?

 Esse é o maior medo da Helena e de tantas outras mulheres: não dar conta dos dois. E está tudo bem em se sentir assim. Sabemos o quanto uma empresa demanda de tempo e energia. E isso dobra com um bebê. “Por ter trabalhado com crianças, sei como ser mãe e profissional pode ser algo complicado. Por mais que os pais dividam todas as tarefas, a maior necessidade de um filho é a presença da mãe”, salienta.

Para conseguir fazer tudo isso, é fundamental se planejar e saber que ninguém é capaz de abraçar tudo ao mesmo tempo.

“Geralmente, tendemos inconscientemente a querer dar conta de tudo, a não pedir ajuda e não expor nossa vulnerabilidade. Com um filho pequeno, é preciso que essa mãe entenda que, enquanto ela fica na linha de frente do negócio, ou seja, no operacional, não tem quem pense estrategicamente no crescimento da empresa. Para que isso não aconteça, ela vai precisar aprender como delegar para crescer”, aponta Barbara Hannelore.

 

Sim, você vai dar conta!

 “Estou em um momento que fico completamente dividida entre a maternidade e o negócio. Agora, a vontade real é tocar os dois juntos e acreditar que darei conta”, diz Helena.

É exatamente esse o conselho de Barbara para nossa leitora. É possível sim ter um filho e abrir um negócio, como também somos capazes de empreender e depois nos dedicarmos à maternidade ou cuidar do planejamento do negócio e abrir ele depois. Tudo vai depender das prioridades no momento.

“Pense no que você precisa fazer para viabilizar a maternidade e a abertura do negócio e se ambos os projetos estão no seu horizonte de realização. Muitas vezes tomamos uma decisão e ficamos pensando, ‘mas e se eu tivesse feito de outro jeito?’ E sofremos com isso. Quando, na verdade, a única coisa que poderia ter acontecido já aconteceu. Então, é preciso acolher a decisão como a melhor para o seu momento de vida”, aconselha Barbara.

 

Pronta para encarar a carreira e a maternidade?

Empreender pode ser maravilhoso para sua carreira. Mas como tudo na vida, isso exige muito empenho e dedicação na fase de implementação do negócio. Assim como o início da vida de um filho, que demanda muita energia. Mas com suporte, energia e organização, é possível conciliar os dois de uma maneira saudável.

“Um filho exigirá responsabilidades da mãe que não poderão ser delegadas a terceiros. Já um negócio até pode ser administrado intelectualmente pela empreendedora e ter um apoio para executar as demais tarefas de produção e partes administrativas”, pondera Sonia Garcia, especialista em RH e CEO do UniverSG.

Vale lembrar que, no início de qualquer negócio, a supervisão direta da empreendedora e o envolvimento em todas as negociações e decisões implicam quase 100% de ações presenciais, para minimizar os custos. Tudo depende muito de qual será o ramo deste negócio.

“Por isso é tão importante pesquisar e saber escolher. Quanto mais esta escolha estiver compatível com o domínio de conhecimento e capacidade desta mãe empreendedora, mais fácil será a sua administração”, responde Sonia.

Para tirar de vez o seu medo de empreender e ser mãe, Sonia separou algumas dicas. Basta agora colocar a mão na massa e acreditar nos seus sonhos!

– Se você não está vinculada a uma empresa, vai ser mãe e deseja empreender para ter mais tempo, poderá usar este período de gestação para iniciar este novo empreendimento em sua vida. Quando o bebê nascer, já terá algumas etapas implementadas.

– Caso você tenha um trabalho formal, mas deseja se desligar após o nascimento do bebê para ter mais tempo de dedicação à maternidade, deverá contar com o máximo de apoio familiar e de pessoas próximas para que, após a sua licença maternidade, você possa atuar como mãe e empreendedora.

“Em ambos os casos, existem ideias muito interessantes de novos negócios que podem trazer boas recompensas para estas mães. Manter o equilíbrio e uma perfeita condição de administração do tempo é fundamental. Ter um filho e iniciar um empreendimento exige muita dedicação”, conclui Sonia.

 

*Nome fictício a pedido da leitora.

 

 

  • Carol Sandler - Finanças Femininas

    Carol Sandler, criadora do www.financasfemininas.com.br, o primeiro site do Brasil para falar de dinheiro só com mulheres, dando as ferramentas que as mulheres precisam para conduzir melhor o seu dia a dia e bancar as suas escolhas. Carol é autora do livro “Detox das Compras (Saraiva, 2017) e coautora do livro “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015), junto com o economista Samy Dana. Estudou Jornalismo na PUC-SP e Economia e Relações Internacionais no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris. É também palestrante sobre finanças para mulheres e empreendedorismo feminino e palestrou no TEDxSP de 2016. Vencedora do prêmio Destaques do Ano de 2015 na categoria “Personalidades em Finanças Pessoais” do site Dinheirama. Vencedora do Prêmio Micro Influenciadores Digitais na categoria Finanças, em 2018. Nosso trabalho é o empoderamento feminino através da educação financeira.

Data da postagem: 12 de setembro de 2019

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