Gente, surtei!


Malu Echeverria
por: Malu Echeverria

Todo mundo tem seu dia de fúria – principalmente as mães com suas agendas lotadas. Talvez não tão violento quanto o do filme homônimo que foi sucesso nos anos 1990, mas vamos combinar, de vez em quando dá mesmo vontade de sair quebrando tudo por aí. “Todos temos fraquezas e potencial para perder as estribeiras vez ou outra, o que não significa que sejamos pessoas más ou que não amemos nossos filhos”, explica a psicóloga Rita Callegari, do Hospital São Camilo, de São Paulo. Por isso, em vez de se culpar, ela acredita que é melhor nos perdoarmos, afinal, faz parte da nossa natureza. Mas até que ponto é normal dar um piti?

Em "Não Sei Como Ela Consegue", Sarah Jessica Parker vive uma mãe que quase surta para conciliar seus múltiplos papéis (Foto: Divulgação) Em “Não Sei Como Ela Consegue”, Sarah Jessica Parker vive uma mãe que quase surta para conciliar seus múltiplos papéis (Foto: Divulgação)

 

De acordo com a especialista, o jeito é quantificar. Você fica mais irritada durante a TPM ou o mês inteiro? Grita com o seu filho por qualquer coisa? Vira uma fera toda vez que é fechada no trânsito? “Uma coisa é ter um dia ruim. Outra é uma semana, seguida de um mês e assim por diante, até que se torne rotina”, alerta. As causas podem ser externas – desafios novos no trabalho, a babá que falta frequentemente ou um divórcio, por exemplo – ou mesmo internas. Doenças subdiagnosticadas, como depressão e transtorno bipolar, obviamente, afetam o humor da gente e nem sempre são levadas à sério. Especialmente porque, segundo a psicóloga, a sociedade nos faz acreditar em uma onipotência materna, que não nos dá o direito de errar.

Muitas vezes, temos dificuldade em perceber que algo não vai bem ou saiu fora do controle. Nesse caso, vale a pena escutar as reclamações da mãe ou das amigas – talvez elas tenham razão, já que a conhecem bem. E também conversar com um médico, que pode ser o próprio ginecolologista.

Algumas medidas – bem praticáveis – podem ajudá-la a levar a maternidade de um jeito mais leve. A primeira é criar uma rede de apoio. Como diz o provérbio africano, é preciso toda uma aldeia para educar uma criança. Outra dica simples é lembrar que o dia tem 24 horas. “Temos de organizar a agenda em tarefas prioritárias, necessárias e desejáveis, lembrando que tem dias que não damos conta de tudo mesmo”, sugere Rita. Ser uma mãe nota 8 já está de bom tamanho, acredite. E você já deve ter ouvido falar por aqui também das chamadas tarefas invisíveis, que são aquelas que não contabilizamos na agenda, mas tomam bastante tempo, seja arrumar a lancheira das crianças ou estender a roupa no varal. Então, elas também têm de entrar na lista. Senão, você fica com a sensação de que não fez quase nada o dia inteiro, quando sequer pode almoçar direito.

Além disso, tente tirar uns minutos do dia para você, nem que seja para ver novela depois que as crianças estiverem dormindo. Por último, Rita destaca um ponto importante: ninguém é feliz o tempo inteiro. Mesmo aquela sua amiga que só posta fotos maravilhosas no Facebook. “A vida é como um gráfico de batimentos cardíacos, têm altos e baixos. Se está em linha reta, é porque parou de bater”, afirma.

  • Malu Echeverria

    Jornalista, mãe do Gael e redatora-chefe do It Mãe. Para ela, é essencial colocar a máscara de oxigênio primeiro na gente, depois na criança

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