Posso entrar na menopausa precoce?

Para cerca de 10% das mulheres o fim da menstruação pode acontecer antes dos 40 anos. Conheça os sinais e o que fazer se ela chegar


Dra. Patrícia Gonçalves
por: Dra. Patrícia Gonçalves
Médica obstetra e ginecologista, professora assistente em Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e do Centro Universitário São Camilo

(foto: 123TRF)

Estima-se que durante sua vida reprodutiva, a mulher menstrue de 400 a 500 vezes, chegando à menopausa, isto é, sua última menstruação, entre os 48 e os 51 anos de idade. Porém, para cerca de 10% das mulheres essa “data” pode acontecer antes dos 40 anos. É a chamada menopausa precoce.

É importante destacar que a menopausa precoce não é uma doença ou oscilações hormonais, mas sim a falência ovariana em uma mulher jovem.  E isso pode levar a mulher a sofrer com o envelhecimento precoce do organismo como um todo, o que poderá trazer como consequência algumas patologias. Mais: como, infelizmente, a menopausa precoce chega em um momento em que muitas mulheres ainda sonham com a maternidade, pode haver um grande impacto emocional.  

 

Será que estou entrando na menopausa? 

Precoce ou não, a menopausa dá sinais de que está se aproximando. É o climatério – período que compreende desde os 40 anos até após menopausa – que pode causar incômodos, como ondas de calor, insônia, fadiga, alterações de humor, diminuição da cognição, dores de cabeça, ganho de peso, ressecamento vaginal, irregularidade menstrual (alguns meses sem menstruar ou com mais de um sangramento em menos de 30 dias), redução ou aumento do fluxo sanguíneo. E, após 12 meses consecutivos sem sangramentos, a menopausa se confirma.

Mas, afinal, o que causa a menopausa precoce? É verdade que a partir dos 30 anos, em média, o organismo feminino começa a sofrer oscilações hormonais, levando ao declínio das taxas de fertilidade. Entretanto, não existe uma causa específica que determine que a mulher vai entrar, ou não, precocemente na menopausa. Alguns estudos, no entanto, indicam que alguns fatores genéticos podem interferir neste processo, como o histórico familiar, isto é, a idade em que avó, mãe e irmãs entraram na menopausa e a idade em que ocorreu a menarca (a primeira menstruação), pois quanto mais cedo a mulher começou a menstruar, menor a tendência à menopausa precoce.  

Mulheres com um índice de massa corporal (IMC) baixo, assim como aquelas que apresentam doenças autoimunes, como lúpus, tireoide de Hashimoto e diabetes, também podem entrar na menopausa mais cedo. Tabagismo, laqueadura tubária, Ooforectomia bilateral (remoção de ambos os ovários), ou a realização de tratamentos, como radioterapia e quimioterapia, são outros fatores que podem acelerar a chegada da menopausa.

Além disso, anticoncepcionais combinados (com estrogênio e progesterona), que devem ter pausa e são tomados continuamente, ou são usados muitos anos, ou a utilização de pílula do dia seguinte rotineiramente, podem levar à falência ou atrofia ovariana, desencadeando a menopausa precoce.

 

E se ela chegar?

Caso a menopausa precoce aconteça, o ginecologista poderá lançar mão da tentativa de estimular hormonalmente os ovários para que voltem a produzir hormônios e, assim, revertê-la. O tratamento também ajuda a amenizar incômodos como, fogachos, ganho de peso e alterações de humor, além de auxiliar na prevenção da osteoporose e de complicações cardiovasculares, e na melhora da libido.

Já para o ressecamento vaginal, o rejuvenescimento íntimo com laser é uma opção. O tratamento estimula a produção de colágeno na mucosa vaginal, restabelecendo a estrutura, o tônus e a elasticidade locais.

E para evitar o ganho de peso e manter o bem-estar, também é fundamental investir em uma alimentação equilibrada, rica em alimentos integrais, legumes, frutas, verduras, proteínas magras e oleaginosas; e pobre em açúcar, sódio e produtos processados. A prática regular de atividades físicas também não deve ser deixada de lado, uma vez que ajuda a combater as oscilações de humor, a fortalecer a musculatura e combater a osteoporose.

 

  • Dra. Patrícia Gonçalves

    Médica obstetra e ginecologista, mestre em Obstetrícia e Ginecologia pela USP e professora assistente em Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP e do Centro Universitário São Camilo. Realizou seu maior sonho ao se tornar mãe da Rafaella, que agora também segue seu dom para medicina, preparando-se para se tornar pediatra.

Data da postagem: 28 de agosto de 2019

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