Como evitar que o celular atrapalhe o dia a dia com seus filhos


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

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É melhor evitar, dentro do possível, celulares e demais telas à mesa (Foto: 123RF)

Um estudo realizado com 55 pais e mães pelo Boston Medical Center (EUA) em 2014 conclui algo que, intuitivamente, adultos mais sensíveis já vem percebendo: a interação entre pais e filhos está sofrendo prejuízos com o uso exacerbado da tecnologia. Para chegar a essa conclusão, os cientistas filmaram pais e filhos à mesa durante as refeições, em casa e em restaurantes. Houve até quem chutou a criança por baixo da mesa porque ela tentava competir a atenção da família com o celular…

No meu dia-a-dia, dentro e fora do consultório, são inúmeras as vezes em que me deparo com pais estabelecendo “limites” que não são pautados no bom senso. O pai que fica impaciente com o “vício” do filho de 3 anos no joguinho do celular é a mesma pessoa que deixa o celular sobre a mesa do restaurante em pleno almoço de domingo, pois precisa checar as “mensagens urgentes”. Eu observo, ainda, muita gente condenando pais que têm atitudes deste tipo. Mas, confesse, a grande verdade é que todo mundo, vez ou outra, comete algum deslize deste tipo.

Desde que os smatphones invadiram as nossas vidas, estabelecer fronteiras entre a vida profissional e a vida privada se tornou um grande desafio! E para mim, é esta a grande questão que precisa ser colocada em evidência. Concordo, por experiência própria, que a tecnologia facilita muito a minha vida no trabalho, claro. A possibilidade de checar os e-mails a qualquer hora e lugar, marcar uma reunião rapidamente por Whatsapp, nos dá a sensação de que estamos 100% no comando, resolvendo prontamente tudo o que é importante, certo? Não, errado! Pois assim nos deixamos atravessar o tempo todo por tantas demandas e perdemos a capacidade de discernir o que é urgente e o que pode esperar.

O problema não está na tecnologia em si, mas sim no modo como ela vem sendo utilizada. Não faz sentido criticar uma mãe que dá o celular para o filho jogar, enquanto ela conversa com o dentista para compreender os próximos passos do tratamento ortodôntico da criança. Mas se ela faz a mesma coisa sistematicamente, para garantir alguns minutos de sossego em toda e qualquer situação, aí a história é outra! Dá para perceber a diferença? Pois é este o “danado” do bom senso que vejo que anda escasso!

Como resolver tal impasse? A seguir, escrevo algumas dicas para ajudar a administrar o uso dos tablets, smartphones e outros gadgets pelas crianças (e por você!) no cotidiano.

1) Não leve o celular para a mesa de jantar

Esta regra deve valer para as refeições que são feitas em casa e também no restaurante. Lembre-se que família se reúne à mesa para alimentar o corpo e os vínculos afetivos!

2) Permita-se “desconectar”

Se você se planejou para acompanhar seu filho na natação, deixe o celular dentro da bolsa e experimente se entregar à experiência de somente observá-lo nos minutos que irão se seguir. É claro que você não precisa fazer isto toda vez que for assisti-lo, especialmente se você faz isto com frequência. Mas não deixe que o celular “roube” do seu filho a importância da sua presença.

3) Construa momentos de interação por meio do uso do celular

Ensine seu filho a usar a tecnologia a seu favor. Aqui, vale caminhar de encontro com os interesses dele. Vou dar um depoimento pessoal: minha filha é muito habilidosa com os aplicativos de imagem. De vez em quando, na correria do dia a dia, reservo alguns minutos para sentarmos juntas. Ela adora me mostrar as fotos que tira e edita e, vira e mexe, nos aventuramos a pesquisar juntas novos aplicativos deste tipo.

4) Não dê um celular ao seu filho se ele ainda não tem idade para usá-lo

Ok, eu sei que este assunto é polêmico, mas use a necessidade como termômetro. Não ceda aos caprichos do seu filho, se ele insiste em ganhar um celular sob a justificativa de que “todo mundo tem”.

5) Estabeleça limites de uso

Nunca se esqueça da sua responsabilidade como pai e mãe. Filho de 5 anos não sabe jogar com moderação: é você quem vai ter que dar a referência e o limite. Não é razoável que as crianças permaneçam mais de uma hora por dia com o rosto vidrado no tablet. Eu, particularmente, acho que os joguinhos e vídeos não precisam fazer parte do cotidiano da criança. Eles devem ser deixados para o fim de semana e, mesmo assim, liberados de maneira assistida e com limite de tempo.

Espero que estas dicas te ajudem a refletir sobre esta questão tão delicada e que precisa ser administrada com todo zelo! Nunca se esqueça que nenhum aplicativo substitui o abraço, a conversa olho-no-olho e os minutos que você dedica à leitura do livro preferido do seu filho antes de dormir!

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

Data da postagem: 6 de junho de 2016

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