Seu plano (fácil) de saúde


Malu Echeverria
por: Malu Echeverria

Anos atrás, li uma entrevista com uma famosa que havia se tornado mãe há pouco tempo na qual ela dizia “agora não posso mais morrer”. Ao longo do bate-papo, a entrevistada ainda brincava: “pular de pára-quedas está fora de cogitação!”. Não me lembro mais quem era a celebridade, mas as palavras dela ficaram guardadas lá no fundo da minha memória e resolveram aparecer justo no dia em que voei de avião sem o meu filho pela primeira vez. Confesso que me deu um certo pânico e rezei durante todos os 40 minutos que duraram o voo. Acho que me dei conta de que era mesmo verdade – eu não tinha mais esse “direito”.

Acho que toda mãe percebe isso, cedo ou tarde. Nos primeiros anos, temos de gestar, parir, amamentar, criar, educar… ou seja, somos praticamente insubstituíveis, vamos combinar! Depois, já que boa mãe é aquela que se torna dispensável com o tempo, vai chegar a hora de colher os frutos. E aí, quem sabe, seremos úteis para outras coisas, como dar uns conselhos amorosos, cozinhar o prato preferido, ajudar a cuidar dos netos… Temos tudo para chegar lá. Segundo Rachel Dilguerian de Oliveira Conceição, que é gerente médica de uma das unidades do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e coordenou o programa de check-up feminino oferecido pela instituição por dez anos, os índices de obesidade e colesterol alto, por exemplo, são piores na população masculina.

Sem falar que, em geral, temos um ginecologista que nos acompanha desde a adolescência, o que facilita qualquer diagnóstico. E, como somos responsáveis, na maioria das famílias, por levar o filho ao médico, fazer exames e tomar vacinas, entendemos mais do assunto, digamos assim. Outra vantagem é o fato de o tópico fazer parte de todos os meios de comunicação voltados ao público feminino. Em resumo, nós sabemos, sim, como nos cuidar.

O grande problema é que, mesmo com tudo tão na mão, a gente tem de se dividir em mil para conciliar maternidade, carreira, relacionamentos…e acaba deixando  a consulta ao gineco para o mês seguinte, descarrega o stress no chocolate e por aí vai.

“E tem saída?” Foi o que eu perguntei para a dra. Raquel. Ela garantiu que sim, listando algumas maneiras de viver de um jeito saudável sem atrapalhar tanto o seu dia a dia:

  • Colocar no prato a mesma refeição saudável do seu filho Sempre que comer em casa, faça questão de legumes, carnes magras, enfim, de tudo aquilo que você inssiste tanto que seu pequeno coma.
  • Incluir uma atividade física na rotina Sim, esta é a mais difícil. Mas vale a pena investir nela mesmo que signifique menos 2 ou 3 horas por semana a menos com seu filho. Toda vez que bater a culpa ou a preguiça na hora de ir para a academia, a aula de dança (ou qualquer que seja a atividade escolhida) pense que cuidar da saúde hoje é como fazer um plano de previdência. Com a vantagem de que os benefícios começam desde já – na saúde e no espelho
  • Agendar (só) 3 consultas ao ano “Além de fazer um sacrifício (qual mãe nunca fez?) para incorporar bons hábitos no dia a dia, é importante realizar alguns exames de rotina a título de prevenção”, sugere Rachel. Além da consulta anual ao ginecologista, vale incluir uma visita a dois outros especialistas: o nutricionista (comer os alimentos certos previne contra doenças, dá energia para o pique do dia a dia…) e o dentista (imprescindível manter a saúde bucal). Faça as contas: são apenas algumas horas que você vai gastar ao longo dos 365 dias do ano.

Eu acho que dá pra tentar. E você?

Um beijo, Malu.

PS. Agora dá licença que vou ali agendar o meu papanicolau, que já venceu há meses.

  • Malu Echeverria

    Jornalista, mãe do Gael e redatora-chefe do It Mãe. Para ela, é essencial colocar a máscara de oxigênio primeiro na gente, depois na criança

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