Por que a primeira gravidez pode precisar de tratamento e a segunda não (e vice-versa)


Fernanda Coimbra Miysato
por: Fernanda Coimbra Miysato
Ginecologista, especialista em fertilidade na clínica Fertilizavitta, em São Paulo.

Já ouvi casos assim? Para engravidar do primeiro filho, foi preciso tratamento. Já o segundo veio naturalmente. O contrário também acontece. E existem explicações para essas situações (foto: 123TRF)

Alguns casais podem apresentar uma surpresa agradável após vários tratamentos para engravidar do primeiro filho e terem uma gravidez espontânea do segundo. Na maioria das vezes, isso acontece nos casos em que o diagnóstico da infertilidade do casal foi esterilidade sem causa aparente. Ou seja, após toda a investigação do casal, não se chegou a um diagnóstico e ainda assim o casal não engravidava.

Muitos casais que têm esse diagnóstico, passam por tratamentos de infertilidade que resultam no nascimento de uma criança. E isso parece tornar alguns casais férteis. Estudos publicados na Fertility and Esterility mostram que, em média, 21% dos casais com sucesso após Fertilização in vitro (FIV), mais tarde ficam grávidos espontaneamente. Existem algumas especulações também que a segunda gravidez venha por alívio do stress, correção de problemas ovulatórios, como a síndrome do ovário policístico após a ocorrência da gravidez e melhora do quadro de endometriose devido a suspensão dos ciclos menstruais durante a gravidez e amamentação.

Agora, pode acontecer também o oposto! Quando a gravidez do primeiro filho acontece de forma espontânea e há dificuldade para engravidar do segundo filho após um ano de tentativa com relações sexuais frequentes. Isso se chama infertilidade secundária. Até 60% dos casais enfrentam esse problema para conseguir engravidar do segundo filho. As causas podem ser femininas ou masculinas ou de ambos.

Os fatores que influenciam a fertilidade primária e secundária são praticamente iguais. O fator idade é o principal, já que a partir de 35 anos as chances de uma mulher engravidar vão diminuindo. Além disso, podem ter ocorrido complicações no parto, desenvolvimento de doenças sexualmente transmissíveis que podem causar inflamação nas trompas, alteração dos ciclos menstruais com dificuldade na ovulação, ou até mesmo menopausa precoce.Nos homens, pode ocorrer uma diminuição na qualidade e quantidade do sêmen, devido a stress, fatores hormonais, aparecimento de varicocele (varizes nos testículos) e problemas de ejaculação.

Além disso, o estilo de vida do casal também pode interferir na hora de tentar o segundo filho, como excesso de peso e má alimentação, consumo álcool ou drogas, a presença de doenças sexualmente transmissíveis… Todos esses fatores podem alterar a ovulação e qualidade do sêmen.

A boa notícia, é que para os casais que já têm um filho as chances de uma segunda gestação com o tratamento adequado são maiores.

Recomendo que as mulheres acima de 35 anos, aguardem apenas 6 meses de tentativa para procurar um especialista. Após chegar a um diagnóstico, existem basicamente quatro tipos de tratamentos de reprodução assistida:

Coito programado Induz-se a ovulação com medicação, acompanha-se com ultrassonografia seriada e orienta-se o casal a ter relação sexual no período correto;

Inseminação intrauterina Quando os espermatozoides (após um preparo em laboratório) são inseridos na cavidade uterina através de um cateter para facilitar o encontro com o óvulo, no período da ovulação;

– Fertilização in vitro e ICSI (injeção intra-citoplasmática de espermatozoides) Técnica que consiste em induzir a ovulação e retirar óvulos e espermatozoides do casal para se fazer a fertilização no laboratório. Depois que ocorre a fecundação, o embrião é introduzido no útero entre 2 e 5 dias;

– Ovodoação Indicado para as mulheres que entraram em falência ovariana precoce, retiraram os ovários, tenham mais do que 45 anos ou que já estejam na menopausa. Nesse caso, óvulos de mulheres mais jovens são doados para a fertilização (em laboratório) com o espermatozoide do parceiro.

Há relatos que o sucesso dos tratamentos são maiores nos casais que têm uma boa relação médico-paciente, assim como naqueles que realizam um acompanhamento psicológico durante o tratamento.

 

Dra Fernanda

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  • Fernanda Coimbra Miysato

    Ginecologista, especialista em fertilidade na clínica Fertilizavitta, em São Paulo. Ela responde suas dúvidas sobre esse assunto no canal Saúde de Mãe

Data da postagem: 21 de janeiro de 2019

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