“Crianças, vamos mudar de país!” Como preparamos os filhos para a vida nova


Daniela Folloni
por: Daniela Folloni
Jornalista fundadora e diretora de conteúdo do Portal It Mãe

Levar as kids para conhecer Miami antes da ida definitiva foi um bom investimento para amenizar a insegurança deles. Aproveitamos e fizemos turismo também! A foto é no mais que instagramável Wynwood Walls. A cara da Miami cool (foto: arquivos pessoal)

 

Mudar com a família toda de São Paulo, capital, Brasil, para Miami, Florida, Estados Unidos. Desde que essa possibilidade surgiu em nossa vida, um dos nossos focos principais foi preparar as crianças para a mudança.  Sempre digo que quando a gente está bem, os filhos ficam bem. Mas meu pensamento nesse caso foi: “Se eles estiverem bem, eu estarei bem!” Essa fase de preparação – que incluiu pensar na ideia, se acostumar com a ideia, embarcar de fato na ideia e tomar tooodas as providências para fazer a ideia acontecer foi mega importante para dar os primeiros na vida nova! Fazendo um balanço, consigo ver agora o que fez toda a diferença para o início da adaptação da Bela, 10, e do Fe, 8, à nova vida:

Brincar de fazer um balanço das perdas e ganhos Um jeito de conversar sobre o assunto e fazer com que as crianças fossem se imaginando na nova realidade e gerenciando as expectativas! Em qualquer conversa, num jantar ou no carro, primeiro, eu fazia a minha lista do que achava que ia ser bom (achei que foi mega importante eu mostrar que estava feliz com a ideia – e o pai também). Fazia também a lista daquilo que não seria tão legal, que a gente teria que administrar. Exemplo? Ponto positivo: vamos viver num país com mais segurança. Ponto negativo: vamos ficar longe dos avós. Para o ponto negativo, sempre dava uma solução, como a possibilidade de video calls para matar as saudades. Na minha lista também colocava pontos de interesse deles, como: “Vamos morar perto Disney!” Depois disso, pedia que a Bela e o Fe fizessem as listas deles. Assim eu podia entender o que estava “pegando” e o que estava tranquilo, para ir trabalhando e ajudando cada um com suas inseguranças, dúvidas, curiosidades.

Melhorar o inglês deles, especialmente o listening Essa foi uma preocupação master! Especialmente para que a adaptação na escola fosse o mais suave possível. Confesso que eu não estava esperando nada de facilidade. Tenho várias amigas que moram fora e todas tiveram dificuldade com um dos filhos pelo menos. Então, o que eu pudesse fazer para amenizar o impacto, faria. Minha primeira ideia foi dobrar a carga horária de aulas de inglês. Mas, para minha surpresa, nem a coordenadora da escola de inglês onde eles estavam matriculados, nem a dona da escola de aula particular que eu contratei depois (e aí eles saíram a escola de inglês), a Fun House, me recomendou isso. O que todos disseram: coloque filmes em inglês para eles assistirem, dê livros em inglês para lerem. Acha que fizemos isso? Não, confesso. Rsrsrs. As crianças resistiram à ideia Mas o importante é que nas aulas particulares – 1 hora por semana para cada um – o foco foi no listening. Ou seja, treinar o ouvido para o inglês. Ajudou bem logo no começo da escola! E depois de 6 meses, o inglês entrou na cabeça deles. Parece mágica, mas aconteceu mesmo (e foi agorinha há pouco!).

Não dizer que vai ser fácil ou perfeito Sou do tipo de mãe que não mente pra poupar os filhos do sofrimento. Simplesmente porque acho que mentir não poupa nada e acaba dando motivos para não confiarem na gente e se sentirem inseguros. Um exemplo: Se vai tomar vacina, digo: “Sim, vai doer, mas é rápido. E passa.” Para a mudança, apesar de mostrar todo o cenário de coisas positivas, procurei não inventar. E dizer que, sim, o começo seria difícil, especialmente por causa da língua, da escola mais puxada com mais lição que Brasil… Enfim, preparei a dupla para um ambiente adverso! Mas ao mesmo tempo reforcei: “Eu e seu pai estaremos com vocês para tudo”. E cumprimos. Da hora de estudar até altas horas da noite, dando atenção para qualquer dúvida, a qualquer vontade desabafar. Conselho: vai mudar com filhos? Coloque atenção a eles como prioridade até que todo mundo esteja adaptado.

Levá-los para ter uma “degustação” da nova vida Em uma das vezes que fomos a Miami para ver casas, os dois foram junto. Isso foi muito bom, porque eles puderam ver com os próprios olhos, sentir, ter uma degustação do que seria a nova vida na nova cidade. Visitamos várias casas e até uma das prováveis escolas – fizemos um tour com direito a entrar nas salas de aula – agendei tudo antes por e-mail. Também fizemos turismo, claro! Isso fez com que saíssem do mundo da imaginação (fosse ele de expectativas positivas ou negativas) e fossem para o mundo real, para o que os esperava de fato. Ficaram mais seguros. E na hora de irmos embora de verdade, não foram com a sensação de dar um passo no escuro.

Então… chegou o dia da mudança! Imagine aquele momento em que te travam na cadeirinha da montanha russa: daquele segundo em diante sua escolha está feita. Você vai viver a experiência, não tem mais chance de ficar no “Será???”. Muda cidade, país, casa, escola… Muda a cama, muda o quarto, muda a paisagem da janela. Muda a língua, o supermercado, a viagem de férias, o restaurante favorito, o programa do fim de semana, as companhias do fim de semana, os melhores amigos do Brasil ficam longe e outros novos amigos aparecem… A preparação valeu e ajudou bastante. E esse foi só o comecinho das experiências que a gente está tendo nos EUA e que vou compartilhar por aqui no Notícias de Miami. E se quiser tirar alguma dúvida ou precisar de alguma dica, manda um e-mail pra mim no contato@itmae.com.br que ela pode virar um post aqui neste novo canal 😉

Um beijo,

Dani 

  • Daniela Folloni

    Jornalista, mãe de Isabela e Felipe, trabalhou nas revistas Vogue, Cosmopolitan e Claudia. Acredita que toda mãe merece sucesso, diversão, romance e oito horas de sono

Data da postagem: 22 de janeiro de 2019

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