Seu filho testa seus limites? Este post é para você


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

Agradeço imensamente todos os emails que venho recebendo. Até os pais tem participado e me enviado suas dúvidas!  Obrigada pelo carinho!

Neste post, reuni algumas dúvidas sobre os insistentes ataques de birra e manifestações de agressividade das crianças.

 

Dúvidas como a do Emerson, cujo filho de 1 ano e 5 meses tem reagido de maneira agressiva quando contrariado, batendo em si mesmo e nos outros.

A Edinalma está muito preocupada com o sobrinho de 3 anos, pois ele tem batido nos colegas da escola e tem dúvidas se devemos incentivar as crianças a revidar ou não uma agressão do amiguinho.

Já a Katia, se diz “desesperada” com as atitudes agressivas do filho de 4 anos e tem se perguntado:  “Onde foi que eu errei?”

A Estela contou que sua filha de 2 anos bate, grita, se joga no chão e esperneia. Disse ainda que como mãe, sente-se frustrada, pois acha que não está sabendo educar a filha.

Vou pegar carona nas dúvidas e questionamentos destes pais, para pensar sobre alguns aspectos importantes.

 

No dia-a-dia do consultório, observo com frequência, pais tendo muita dificuldade de colocar limites para os filhos. Talvez por insegurança, ou por medo de serem duros demais, ou frustrá-los em demasia. Mas venho constatado que cada vez mais, os pais vem perdendo espaço na hierarquia familiar e acabam se tornando reféns da própria dificuldade de se colocarem no lugar de adulto.

 

A consequência disso? Os famosos “tiraninhos” com os quais esbarramos diariamente no supermercado e no shopping, dando chiliques e fazendo exigências. Outro dia, presenciei uma cena em um café, onde a mãe estava ficando quase maluca, tentando atender aos insaciáveis desejos de sua filha de aproximadamente 3 anos. Foram várias idas e vindas do garçom, que estava visivelmente “tonto” com tantas reivindicações da menina. Ela dizia que queria bolo, mas quando o bolo chegava, desistia do bolo e pedia pão-de-queijo, e assim a coisa foi se estendendo, até que a mãe, meio sem jeito, olhou para o garçom e disse: “Quando é comida, a gente não pode negar, né?”. Fiquei ali, observando a mãe, identificando quanto ela estava se sentindo insegura e receosa em dar um basta na situação. Parecia que ela precisava da comprovação do garçom de que realmente estava fazendo o certo.

 

Filho precisa que o adulto dê a referência do que ele pode ou não fazer. São os pais que estabelecem as regras! E, às vezes, preocupados em não tolher os movimentos de autonomia dos nossos filhos os pais se escravizam nesta relação e focam tentando aos incessantes quereres! Não há crescimento se não há frustração. Não dá para querer poupar o filho de lidar com os limites impostos pela vida. É desde pequeno que ele aprende a lidar com a falta. Faz parte escolher entre o bolo e o pão de queijo. E essa é apenas uma das muitas escolhas com as quais nossos filhos vão se deparar durante a vida. Há situações nas quais vamos ter que escolher por eles. Nem que seja para dizer: “Bolo é o que temos para hoje”. O pai e a mãe precisam dar contorno aos desejos dos filhos. Estabelecer o que é ou não possível naquele momento.

 

Mas, então você pode me questionar: “Ah, mas se eu não faço o que ele quer, ele dá chilique!”. Pois é, eu vejo os pais cada vez mais fazendo o que os filhos querem para não terem que lidar com a cara feia. Aguentar o chilique do filho requer tolerância! Lá em casa, eu tenho o “canto do calminho”. E diariamente, no consultório, oriento os pais a proporcionarem este espaço de contenção para os filhos. O “calminho” não é um “cantinho da disciplina” e nem um “lugar para pensar”. Sabe aquele momento em que você precisa contar até 10? Ou até 20, até a vontade de explodir passar? O “calminho” serve para isso. É um lugar para se acalmar, se organizar, autocentrar-se! Vale dizer pro filho: “você não está conseguindo ouvir a mamãe”, ou: “eu não consigo entender quando você grita”, “bater não resolve ou não me ajuda a te entender”, etc.

 

Muitas vezes, a criança precisa que o adulto a ajude a traduzir o que ela está sentindo. Dá certo, por exemplo, legitimar para a criança o sentimento dela diante da frustração. Eu diria para a mãe do café: “Não tema frustar sua filha! Ela não vai deixar de te amar por causa disso. E, se ela quiser te bater, você não vai deixar”. A paciência, o espaço para o diálogo, a conversa olho no olho, ainda são as ferramentas mais eficazes na difícil tarefa de educar! Outro dia, uma mãe me disse: “Eu cheguei em casa super estressada por causa do trabalho e meu filho me disse: mãe, senta um pouquinho lá no calminho!”

 

No próximo post, vamos continuar discutindo a questão, desta vez falando sobre o castigo!

 

Um beijo,

 

Carol

 

PS: Venho recebendo muitas perguntas com dúvidas! Na medida do possível, tenho respondido-as por e-mail. Mas como há questões e ansiedades que são semelhantes e se repetem em boa parte delas, vou selecionar algumas para serem respondidas mensalmente aqui, na minha coluna. Fico muito feliz com este retorno! É um prazer e um orgulho participar do It Mãe! Para entrar em contato comigo, mande um e-mail para carol.signorelli@uol.com.br

 

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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