“Dá para aderir ao slow parenting nessa correria?”


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

“Olá, Dra. Maria Carolina. Sou mãe de 2 meninas, uma de 3 e outra de 5 anos. Andei lendo algo a respeito do slow parentig, movimento que defende a desaceleração na rotina das crianças e confesso que fique confusa! Como desacelerar, se hoje em dia a nossa vida só acelera?”  (Maria Angélica, Campinas – SP).

Querida Maria Angélica,

Você trouxe um questionamento muito interessante! Vou iniciar explicando de maneira breve e simplificada o termo slow parenting, apenas para situar as mães que ainda não ouviram falar nele. O slow parenting, também conhecido como free range parenting ou simplicity parenting, é um movimento que surgiu há alguns anos na Europa, ganhou adeptos nos Estados Unidos e, mais recentemente, na América Latina.

Ele defende a ideia de que dizer não ao excesso de estímulos e desacelerar a rotina das crianças é mais saudável do preenchê-las de atividades. O movimento se apóia em pesquisas neurocientíficas, que vem concluindo que o estímulo em demasia pode fazer o efeito oposto ao desejado, ou seja, transformar nossas crianças em adultos menos criativos e menos interessados. Imagino que a maioria de nós, mães, fique muito espantada diante desta constatação e se pergunte, confusa: “Mas afinal, que contradição é essa?”.

Lembro-me que quando minha primeira filha estava com aproximadamente 2 meses, eu me encantei com o fato dela estar começando a descobrir o mundo à sua volta e saí em busca de algum móbile super estimulante! Sabe aqueles bem coloridos, que acendem luzes e tocam música? Mas algo neles me incomodava e eu acabava não comprando nenhum. Um dia, eu me aproximei para pegá-la no berço e notei que ela estava acordada, brincando com as próprias mãozinhas, muito entusiasmada com os movimentos que era capaz de produzir. E naquele momento, fiquei satisfeita com o fato de não ter comprado o móbile. Compreendi que ele não era tão “necessário” quanto eu imaginava… Talvez este seja um exemplo de slow parenting, embora eu não me considere uma adepta dele! Quero, a partir desta situação que relatei, transmitir a você algumas reflexões que considero importantes.

É natural que busquemos referências nos sites, livros e revistas. Mas tudo isto será em vão se não formos capazes de dar sentido a estas informações. Gosto da ideia de confia na própria intuição e cada mãe descobrir seu estilo individual de maternidade. E aqui, entram seus valores, suas crenças, seu jeito…

Filho deve ser ouvido, observado e precisa encontrar espaço para ser quem ele é. Toda criança tem que aprender a ser protagonista e autor da própria história. E certamente será difícil encontrar espaço para aprender sobre si mesma, se ela tiver uma rotina de “mini-adulto”. O brincar permite que a criança desenvolva sua criatividade, compreenda seus limites e alcance a autonomia.

Afinal, como garantir um desenvolvimento emocional sadio para nossos filhos? Isso está cada vez mais complicado, num mundo em que a demanda é a busca pelo sucesso. Idealizamos a perfeição e muitas vezes ficamos inseguros, achando que nossos filhos estão em desvantagem, por ainda não freqüentarem aulas extras de inglês aos 3 anos de idade, por exemplo.  Talvez isto faça sentido para algumas famílias, mas para outras, não. E tudo bem! Não é uma questão de certo ou errado!

Se estamos acordados, estamos acelerados e conectados! Fica difícil colocar o pé no freio, desacelerar. Mas precisamos, sim, ao menos procurar equilibrar melhor os momentos de hiperconectividade e de ócio criativo! Você não precisa radicalizar e deixar seu filho longe do iPad. Existem aplicativos muito bacanas e educativos. Quando lançamos um olhar sensível aos nossos filhos, notamos que eles se deliciam com uma “simples massinha” ou uma boa “meleca de tinta”, não é mesmo?!

Até a próxima!

Carol

PS: Queridos pais e mães, venho recebendo muitas perguntas com dúvidas de vocês! Na medida do possível, tenho respondido-as por email. Mas como há questões e ansiedades que são semelhantes e se repetem em boa parte delas, vou selecionar algumas para serem respondidas mensalmente aqui, na minha coluna. Fico muito feliz com este retorno! É um prazer e um orgulho participar do It Mãe! Para entrar em contato comigo, mande um e-mail para carol.signorelli@uol.com.br

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

Data da postagem: 30 de abril de 2014

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