A licença-maternidade está chegando ao fim. O que fazer?


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

Recentemente, recebi um e-mail de uma mãe, com a seguinte questão:

P. Estou com o coração apertado! Meu primeiro filho vai completar 4 meses e a data de retorno da minha licença maternidade está se aproximando. Vou escolher um berçário para deixá-lo e gostaria de uma orientação sobre este momento. Não consigo para de pensar que vou ter que me separar dele. Como fazer para isto se tornar mais fácil? (Priscila – Natal, RN)

R. Querida Priscila,
Compreendo a ansiedade que você está sentindo. Este é um momento delicado para muitas mulheres que se encontram em situações semelhantes à sua. À esta altura da sua experiência como mãe, com certeza você já se deu conta de quanto sua vida se transformou. Entendo que é natural a mulher se sentir confusa e com muitas dúvidas quando chega o momento de encarar a realidade externa. Mas o vínculo simbiótico mãe-bebê não tem que durar para sempre! Donald Winnicott, psicanalista inglês que foi um dos pioneiros no estudo da relação mãe-bebê, tem um conceito muito interessante, que nos ajuda a desmistificar a idéia idealizada de que a mãe tem que ser super presente. Para ele, uma mãe deve ser  suficientemente boa. Veja só que alento! Precisamos ser suficientes e não excelentes! Somos suficientes quando ajudamos nossos bebês a compreender que existe um mundo lá fora! Sim, é tarefa da mãe inserir seu bebê neste mundo, que não se restringe à relação dual do bebê com ela. Entendo que o papel de mãe é muito importante para você.  Talvez você precise retornar ao trabalho para ajudar no orçamento familiar. Talvez você queira continuar desempenhando outros papéis em sua vida, como por exemplo o da profissional, que quer continuar trilhando sua carreira. Mas independentemente da “necessidade” ou não de voltar ao trabalho, há algo da ordem do desejo individual que nunca deve ser ignorado. Acho muito importante que você se pergunte: O que desejo para mim? Que decisões e providências quero e/ou necessito tomar agora? Como me sinto mais confortável?
O mais importante é você se autorizar a fazer as escolhas que são possíveis neste momento. Assim, as angústias vão sendo pensadas e, como consequência, as decisões vão sendo tomadas com mais tranquilidade. Vejo que você está no caminho. Intuiu que o berçário é uma boa solução para o seu momento. Você só vai saber se esta é a melhor saída para você, se seguir adiante! Minha dica: visite os berçários, esclareça suas dúvidas com os profissionais que lá trabalham. Divida com as pessoas à sua volta, especialmente com o pai do seu filho, a responsabilidade pela decisão da sua escolha. Aguce seu feeling e, uma vez que a escolha do berçário seja feita, confie nos educadores daquela instituição. Não vou entrar aqui, nas particularidades do processo da adaptação. Mas aconselho você a pedir aos profissionais do berçário o acolhimento e as orientações necessárias para lidar com este momento.  Fica mais fácil quando a mulher que existe para além da mãe, é capaz de fazer as próprias escolhas. Assim, ela não só fica em paz consigo mesma, como também ajuda a preparar um  terreno fértil, onde crianças emocionalmente saudáveis poderão florescer. 

Boa sorte!

Carol

Tem alguma questão sobre a sua vida de mãe? Mande um e-mail para mim: carol.signorelli@uol.com.br

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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