Como sobreviver à adaptação escolar do seu filho


Luciana Romano e Raquel Benazzi
por: Luciana Romano e Raquel Benazzi

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A escola é o lugar onde a criança irá vivenciar novas regras e atividades, longe da família (Foto: Freeimages)

Fala-se tanto da importância de um processo de adaptação da criança à escola, mas, por vezes, acabamos esquecendo do processo de adaptação dos pais neste momento de separação com os filhos. Qualquer mudança que ocorre dentro do núcleo familiar ressoa em todos em membros da família, em maior ou menor grau, por isso, para algumas mães a ida do filho à escola é vivenciada de maneira sofrida, com medos, angústias, dúvidas, preocupações e muita ansiedade.

É cada vez mais comum a entrada das crianças em escolas antes dos 2 anos de idade, período este em que a dupla mãe-bebê naturalmente ainda está muito ligada. Claro que a maneira como cada família vai viver esse processo é único e particular. Mas, de modo geral, a ida do bebê à escola implica psicologicamente no nascimento de uma mãe enquanto indivíduo independente de seu bebê, e vice-versa. Quando a mãe tem uma compreensão da importância dessa separação, o processo tende a correr de forma mais tranquila.

Se você está passando por isso agora, tente pensar pelo lado positivo! A escola é o lugar em que a criança irá vivenciar a socialização, frustrações, autonomia, empatia, independência! Isso sem falar que aprenderá a se relacionar, a desenvolver suas habilidades e potenciais e encontrará um lugar com regras e atividades diferentes das de sua casa e família. Para a mãe, é o momento de resgatar outras funções e papéis, tão necessários quanto o materno, além de trabalhar questões emocionais relacionadas ao controle e à independência. Sendo assim, o desenvolvimento do bebê também levará ao crescimento pessoal da mãe.

As crianças são muito sensíveis às emoções dos pais, eles são capazes de captar tais medos e preocupações, mas não de forma clara e acabam por deflagar tais sentimentos através dos próprios comportamentos, sem terem consciência disso. Eles são espelhos dos pais, não adianta querer enganar os pequenos, por isso não basta preocupar-se em não demonstrar tais angústias à criança… Em vez disso, melhor aceitar que estas angústias existem, tomar consciência e responsabilizar-se por elas, buscando o que está por trás delas. Muitas das preocupações dizem respeito ao temor da criança não ser bem cuidada, não se adaptar, sofrer e sentir que os pais a abandonaram. É normal! Tais sentimentos são comuns, sentir-se culpada por eles só piora a situação: lembre-se que somos todos humanos.

É claro que toda mudança traz ansiedade por nos remeter ao novo e ao desconhecido, por isso, é fundamental que a mãe tenha confiança na escola que escolheu, conhecendo o ambiente físico, os professores, atividades, a coordenação pedagógica e a proposta pedagógica. Na medida em que vamos conhecendo o lugar, as pessoas e o funcionamento, tudo deixa de ser desconhecido e passa a transmitir maior segurança e conforto. Essa é a melhor forma se tranquilizar e, por consequência, transmitir tranquilidade à criança. A seguir, veja algumas dicas que vão facilitar esse processo:

– É importante que exista uma parceria entre a escola e a família. O processo de adaptação é da família!

– Tenha paciência, não compare seu comportamento ao de outras mães. Ainda assim, vale a pena conversar com mães que enfrentaram situações semelhantes para descobrir quais “estratégias” usaram;

– Resgate funções ou papéis que, por ventura, possam ter sido deixados de lado com a chegada do bebê, como a função de filha, amiga, esposa, esportista, trabalhadora, etc. Isso empodera a mãe e traz à consciência a importância de todos terem seus desejos e necessidades próprias;

– Deixe a criança (os maiores) participar e estar presente na escolha da escola;

– Antes de iniciar as aulas, faça pequenos momentos de separação mãe-bebê: você pode ir à padaria, cabeleireiro, academia, etc. sem a criança para começar;

– No início da adaptação escolar, esteja disponível para ficar lá um tempo, se necessário. De início, dependendo da criança, ela pode ficar apenas algumas horas e aumentar o período progressivamente;

– Converse com seu filho de forma afetuosa e clara. Diga como é a escola e conte sobre suas memórias de quando você começou;

– Lembre-se que de início, seu filho pode chorar e estranhar a situação, assim como você. Faz parte!

– Quando buscar a criança procure não se atrasar e, se houver imprevistos, peça para avisá-la. Caso ela fique muito angustiada, peça para a colocarem ela ao telefone e explique a situação (no caso dos maiores);

– Se a situação está trazendo muito sofrimento para vocês, não hesite em buscar ajuda profissional, ok?

  • Luciana Romano e Raquel Benazzi

    Psicólogas com formação em Psicologia Clínica e Hospitalar, são idealizadoras e sócias do Núcleo Corujas, espaço especializado em Gestantes e Mães

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