10 cuidados importantíssimos nas visitas ao recém-nascido

O nascimento do bebê é um momento mágico, mas esse comecinho pode ser muito complicado. Em sua estreia como colunista, o Dr. Thiago Caldi diz o que pode e o que evitar nas visitas ao recém-nascido


Dr. Thiago Caldi
por: Dr. Thiago Caldi
Pediatra e Pneumopediatra pela USP. Pós-graduado em Pediatric Nutrition pela Boston University School of Medicine. Pai da Ana e da Júlia. Instagram: @papai_pediatra

(foto: 123TRF)

Sabemos da grande expectativa dos parentes e amigos próximos em conhecer o bebê e parabenizar os pais. Devemos nos ater que, mesmo que o nascimento de um bebê seja um momento mágico, esse comecinho pode ser também muito complicado. Então, fiz aqui uma lista de perguntas comuns e minhas recomendações do que pode e do que evitar nas visitas ao recém-nascido:

1- Hospital ou casa? Liguem sempre antes de visitar!

Aparecer de surpresa pode não ser apropriado.

Lembre-se de que o processo que se iniciou com o parto e depois ainda teve o pós parto. Esse momento pode estar sendo difícil: tempo prolongado de parto, tipo de parto, privação de sono, presença de dor, dificuldades na amamentação, choro/irritabilidade do bebê, condições do bebê (se está com os pais ou foi encaminhado para berçário ou até Unidade Terapia Intensiva – UTI ) são alguns pontos a levar em consideração.

Por isso, recomendo ligar antes de visitar a mãe e o bebê e perguntar se não os incomoda. Pergunte também e qual é o melhor horário. Evite visitas nos horários de refeições, pois os pais podem ficar incomodados e com dificuldade para dar atenção.

Não fiquem chateada ou tão pouco leve para o lado pessoal se o casal optar por não receber! É interessante também aos casais que já sabem que não vão querer receber visitas no dia do parto, explanarem previamente, sem receio, sobre esse desejo aos amigos e familiares.

Reforço que terão todo tempo do mundo para curtir este bebê tão almejado que acabou de chegar.

2- Estou doente, posso visitá-los?

Família autorizou, expectativas altas, contagem regressiva, presente comprado e… você se dá conta de que está com tosse. Seria alérgica? Resfriado? Tempo seco? Caso tenha qualquer dúvida do que apresenta ou não esteja 100% saudável, não vá!

Lembre-se de que o bebê apresenta risco grande de contrair doenças devido à imaturidade do sistema imunológico. Um exemplo de doença temida que pode ser transmitida aos bebês chama-se bronquiolite, uma infecção respiratória aguda que compromete as vias aéreas de pequeno calibre (bronquíolos) levando a um quadro respiratório obstrutivo com os sintomas: tosse, coriza, febre, chiado no peito, cansaço… Essa doença apresenta grande chance de hospitalização do bebê se contraí-la tão precocemente.

3- Precisa mesmo lavar as mãos?

Sim! Antes mesmo de adentrar ao local (maternidade ou residência), lave bem as mãos com água e sabonete ou use gel antisséptico. E antes que você afirme: “Mas eu não vou pegar no bebê!” Sabemos que podemos levar em nossas mãos múltiplos microrganismos e que ao tocarmos nos objetos do recinto, muitos deles podem ficar vivos por um bom tempo e, com isso, aumentar risco de o bebê contrair alguma doença.

4- Posso passar perfume?

Imagino que queira se arrumar para visitar a família, mas evite cheiros fortes. O olfato do bebê ainda é sensível e isso pode irritá-lo. Outro ponto a destacar é não fumar antes da visita, pois as substâncias do cigarro impregnam nas mãos, cabelo e roupas e podem ser prejudiciais ao bebê.

5- Qual é o tempo ideal de duração da visita?

Visitas devem ser curtas, pois as novas rotinas apresentadas aos pais demandam tempo. Outro ponto é que, muitas vezes, os pais estão cansados e focados em cuidar do bebê. Portanto, deixe para depois aquele bate-papo prolongado.

Como eu brinco sempre: faça uma visita como se fosse ir à casa da sogra! Bem rápida! Brincadeirinha!

6-Posso pegar o bebê?

Contenha o ímpeto de pegar o bebê no colo ou mexer no berço enquanto ele dorme. Pergunte sempre aos pais se pode, lave novamente as mãos e nunca interrompa o sono do bebê para segurá-lo. Outro detalhe: não monopolize o bebê!

7- Posso beijar o bebê?

Evite beijar o bebê principalmente no rosto e nas mãos. Sabemos que esse ato pode transmitir doenças. Substitua por carinho e um toque suave na cabeça, nas costas, barriga ou até nos pés.

8- Posso tirar fotos?

Sacar o celular e logo tirar fotos não é recomendado. Primeiro, pergunte aos pais se não há problema com isso. Segundo é que muitos não desejam que coloquem fotos do filho na internet ou que faça divulgação do momento. Outro ponto importante ao fotografar, quando é consentido, é desabilitar o flash!

Acrescento que se deve também desligar o celular, ao fazer a visita, para não incomodar o bebê.

 

9- Pega mal dar dicas ou conselhos do que funcionou comigo?

Sabemos que todo mundo – principalmente quem já é mãe – tem uma opinião de como dar o banho, fazer a limpeza coto umbilical, conduzir o sono do bebê, troca de fraldas… Amamentação também é um tema que rende: a pega certa, técnicas para aumentar produção do leite, alimentos que a mãe não deveria consumir com a finalidade de evitar cólicas no bebê etc. Todos esses temas e como conduzi-las são opções individuais e devem ser respeitadas. Um conselho? Contenha-se!!! Logicamente se perguntarem, emita sua opinião ou conselho.

Mas evite ao máximo frases do tipo:

“Seu leite está fraco, veja como ele chora e não dorme!”

“Melhor dar mamadeira para ele engordar, pois desta forma ficará magrinho e logo adoecerá!”

“Colo vicia e o deixará mimado!”

“Deixe ele chorando no berço, assim aprende a se acalmar sozinho e fortalece pulmões!”

“Vamos dar chá para ele, ajudará nas cólicas e vai dormir super bem!”

“Na minha época tudo era diferente! Veja como vocês estão bem e vingaram!!Bom é o bebê dormir com a barriga para baixo!”

Além de nada acrescentarem, algumas destas frases podem colocar o bebê em risco!

10- Existe alguma forma de ser solícita sem ser invasiva?

Ao ligar para saber se pode fazer visita à casa ou maternidade, aproveite e pergunte se os pais estão precisando de algo para comprar (produtos de mercearia, fraldas, produtos de farmácia, por exemplo) pois sabemos que não é fácil gerir tudo ao mesmo tempo. Essa atitude pode fazer a diferença neste momento inicial!

Outra recomendação: quando o bebê estiver amamentando, dê espaço para a mãe ficar à vontade. Muitas vezes, ela deseja ter mais privacidade nesse momento.

 

 

 

  • Dr. Thiago Caldi

    Como pai da Ana e da Júlia, pediatra e formado Especialista em Pneumologia Pediátrica, procura sempre compreender a realidade das famílias visando o bem estar integral da criança e segurança de seus pais. É pediatra e pneumopediatra pela USP e tem pós-graduação em Pediatric Nutrition na Boston University School of Medicine. Instagram: @papai_pediatra

Data da postagem: 7 de agosto de 2019

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