Estou tentando engravidar há mais de um ano e não consigo. O que devo fazer?


Fernanda Coimbra Miysato
por: Fernanda Coimbra Miysato
Ginecologista, especialista em fertilidade na clínica Fertilizavitta, em São Paulo.

Geralmente 30% das causas de infertilidade são femininas, 30% masculinas e 30 % do casal. Portanto, é importante que o casal investigue junto para decidir junto o que fazer (foto: 123TRF)

Aproximadamente dois em cada dez casais têm dificuldade de engravidar. Ou seja, 20% dos casais apresentam algum tipo de dificuldade para gerar filhos por meios naturais e pelo menos metade deles precisará de tratamentos especializados. Apesar do aumento da divulgação dos tratamentos disponíveis, apenas 43% dos casais inférteis buscam tratamento e apenas 24% buscam tratamento especializado.

A infertilidade é definida como dificuldade de engravidar após um ano de tentativa no período fértil. Após esse período é indicado a procura do médico. Porém, como a idade é um fator importante de infertilidade, a Sociedade de Medicina Reprodutiva recomenda que as mulheres acima de 35 anos esperem apenas seis meses para fazer uma consulta médica.

O casal precisa procurar o médico e ambos, homem e mulher, precisam fazer exames. Tal fato se justifica por dois motivos: para poderem decidir em parceria o que irão fazer e também para saberem qual é o problema de fertilidade – pode acontecer de os dois terem algum impedimento.

Geralmente 30% das causas são femininas, 30% masculinas, 30 % do casal e 10% não se chega a uma causa definida. Na mulher é necessário realizar avaliação da ovulação, das trompas e do útero e verificar outras doenças que estão correlacionadas com infertilidade.

Uma das principais causas é a anovulação (falta de ovulação), muito comum nas pacientes com a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

O fator tubário (trompas) também é muito comum. Quando ocorre o comprometimento das trompas (local onde ocorre o encontro do óvulo com o espermatozoide) por inflamações adquiridas por doenças sexualmente transmissíveis, aderências pós-cirurgias ou endometriose (presença do endométrio fora da cavidade uterina) fica impossibilitada a gravidez.

Há também o fator uterino, como presença de miomas ou pólipos dentro do endométrio dificultam a gestação. Além disso, existem fatores hormonais, como excesso de prolactina, hormônio que interfere na ovulação.

No homem, a principal causa é a varicocele (varizes da bolsa escrotal), depois são as infecções nos testículos, epidídimo e próstata.

Após chegar a um diagnóstico, existem basicamente quatro tipos de tratamentos de reprodução assistida.

– Coito programado: induz-se a ovulação com medicação, acompanha-se com ultrassonografia seriada e orienta-se o casal a ter relação sexual no período correto;

– Inseminação intrauterina: quando os espermatozoides (após um preparo em laboratório) são inseridos na cavidade uterina através de um cateter para facilitar o encontro com o óvulo, no período da ovulação;

– Fertilização in vitro e ICSI (injeção intra-citoplasmática de espermatozoides): técnica que consiste em induzir a ovulação e retirar óvulos e espermatozoides do casal para se fazer a fertilização no laboratório. Depois que ocorre a fecundação, o embrião é introduzido no útero entre 2 e 5 dias;

– Ovodoação: indicado para as mulheres que entraram em falência ovariana precoce, retiraram os ovários, tenham mais do que 45 anos ou que já estejam na menopausa. Nesse caso, óvulos de mulheres mais jovens são doados para a fertilização (em laboratório) com o espermatozoide do parceiro.

Há relatos que o sucesso dos tratamentos são maiores nos casais que têm uma boa relação médico-paciente, assim como naqueles que realizam um acompanhamento psicológico durante o tratamento. 

 

 

  • Fernanda Coimbra Miysato

    Ginecologista, especialista em fertilidade na clínica Fertilizavitta, em São Paulo. Ela responde suas dúvidas sobre esse assunto no canal Saúde de Mãe

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