Hipotireoidismo e gravidez: os cuidados a tomar


Fernanda Coimbra Miysato
por: Fernanda Coimbra Miysato
Ginecologista, especialista em fertilidade na clínica Fertilizavitta, em São Paulo.

Mulheres que estão tentando engravidar ou que já estão grávidas devem ter um controle rigoroso dos hormônios tireoidianos para evitar riscos (foto: arquivo)

 

tireóide é uma glândula localizada na parte anterior pescoço que age na função de vários órgãos como o coração, cérebro, fígado e rins. Quando ela tem algum distúrbio, pode causar alterações dos ciclos menstruais, e consequentemente na fertilidade. Isso porque os hormônios da tireóide afetam diretamente a ovulação e outros processos importantes da fecundação. Quando desregulados, podem resultar em menores taxas de concepção, aumento nas taxas de aborto, risco aumentado de hemorragias e problemas durante a gravidez e parto, aumento da incidência de retardo no desenvolvimento mental e baixo Q.I. para o bebê.

O distúrbio mais comum da tireóide é o hipotireoidismo, que se caracteriza pela queda na produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina) e aumento do hormônio TSH. É mais comum em mulheres, atingindo cerca de 2% a 4% das mulheres em idade reprodutiva. Alguns dos principais sintomas são depressão, queda dos batimentos cardíacos, intestino preso, menstruação irregular ou ausente, cansaço excessivo, dores musculares, queda de cabelo, ganho de peso e aumento de colesterol no sangue.

Em adultos, na maioria das vezes, o hipotireoidismo é causado por uma inflamação denominada Tireoidite de Hashimoto, em que ocorre a presença de anticorpos antiperoxidase e antitireoglobulina da tireóide. Nesses casos autoimunes, há um aumento da infertilidade e abortos espontâneos, e da incidência de anticorpos antifosfolípides e endometriose nessas mulheres, que devem ser investigados.

Nas pacientes grávidas, o hipotireoidismo não tratado, tem risco aumentado para complicações durante a gravidez, especialmente pré-eclâmpsia (aumento da pressão), parto prematuro e aumento mortalidade perinatal. Ele também pode agravar a síndrome dos ovários policísticos e diminuir os resultados nos tratamentos de Reprodução Assistida, como a Fertilização in vitro. Pacientes não tratadas têm menor taxa de implantação de embriões e risco aumentado de aborto. Na Fertilização in vitro, durante o processo de estimulação hormonal ovariana, pode ocorrer uma piora do quadro de hipotireoidismo, já que o aumento dos níveis de estradiol produzidos pelos folículos estimulados provoca um aumento da globulina ligadora dos hormônios tireoidianos, reduzindo a quantidade de hormônio tireoidiano.

Portanto, se você está esperando ou planejando um bebê, é muito importante fazer exames da tireóide e, caso, tenha alguma alteração tratá-la.

 

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  • Fernanda Coimbra Miysato

    Ginecologista, especialista em fertilidade na clínica Fertilizavitta, em São Paulo. Ela responde suas dúvidas sobre esse assunto no canal Saúde de Mãe

Data da postagem: 22 de março de 2019

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