Por que o seu filho tem de aprender a mastigar direito


Patrícia Junqueira
por: Patrícia Junqueira

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A mastigação é essencial para o desenvolvimento dos músculos faciais, que serão usados na fala (Foto: CrayonStock)

Assim como o bebê necessita sugar para desenvolver suas estruturas orais (ou seja, lábios, língua, bochechas, mandíbula, etc.) no início da vida, mais adiante, ele vai aprender a mastigar para continuar esse processo de desenvolvimento e amadurecimento oral. A mastigação é uma função aprendida (isso mesmo!) e, consequentemente, necessita de treino. E tal estímulo deve ser iniciado precocemente, a partir dos 3, 4 meses de idade. Como, se ele ainda não se alimenta com comidas sólidas? Com a oferta de mordedores e brinquedos de diferentes formatos e texturas para o bebê levar à boca. Toda essa vivência irá preparar a criança para aceitação dos alimentos.

E quando chegar a hora da introdução de alimentos na dieta do bebê, por volta do sexto mês, a maneira de prepará-los e oferecê-los à criança faz toda a diferença. Engana-se quem acha que quanto mais fácil de engolir, melhor. Nas primeiras papas, legumes e frutas devem ser amassados com garfo e oferecidos na colher. Vale salientar que é necessário variar a cor e a textura dos alimentos gradativamente, para que ela vá treinando o modo de mastigar comidas distintas. Funciona assim: quem determina o aprendizado da mastigação é o tipo de alimento colocado na boca. Estruturas que ficam na língua, boca e gengivas (chamadas de proprioceptores orais) identificam a comida e enviam um sinal para o cérebro, que por sua vez vai determinar qual movimento e o tamanho da força que será necessário para mastigá-la. Então, se o seu filho só comer purê, não vai desenvolver as “ferramentas” que precisa para mastigar um pedaço de carne.

A partir dos 8 meses, com o surgimento dos primeiros dentes, a criança vai se tornando apta a mastigar mais e melhor. Claro que, para evitar engasgos, ela deve ser supervisionada 100% do tempo em que estiver comendo. Cortar legumes e frutas em filetes, a fim de que a criança os segure com as próprias mãos e tire pequenos pedaços aos poucos, também diminui os riscos. Com um ano de idade, espera-se que a criança já possa comer o cardápio da família com algumas adaptações (desfiando-se o frango, etc.).

Os pais devem ficar atentos quando percebem que o bebê não está evoluindo no processo da mastigação. Isso pode acontecer quando ele rejeita alimentos em grãos ou pedaços. Alguns bebês cospem os mais fibrosos como carne, por exemplo. Outros preferem lamber os alimentos, sem introduzi-los na boca para mastigar. Talvez seu filho tenha algum tipo de sensibilidade oral – que precisa ser investigada – ou a língua presa (frênulo de língua curto), o que dificulta o ato. O que não dá é, na tentativa de fazer com que ele os aceite, usar de distrações (TV, tablet, aviãozinho etc.). Pois assim, pode engolir a comida sem mastigá-la, dificultando ainda mais esse aprendizado.

Aos 2 anos, a maioria das crianças já consegue mastigar os mais variados alimentos, com conforto e habilidade. Caso tenha dúvidas sobre a mastigação do seu filho, busque um fonoaudiólogo especialista em motricidade orofacial com experiência em alimentação infantil. Além de ser peça-chave na maneira como ele vai se alimentar desde cedo, aprender a mastigar corretamente é como se fosse um tipo de “musculação” para fortalecer língua, lábios e bochechas, que posteriormente serão utilizados para falar!

  • Patrícia Junqueira

    Fonoaudióloga há 25 anos e Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp. Mãe do Felipe e do Tiago, ela idealizou e criou o Instituto de Desenvolvimento Infantil para atuar e divulgar seu olhar integrado para o desenvolvimento e necessidades fonoaudiológicas de bebês e crianças

Data da postagem: 7 de março de 2016

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