Os cuidados para brincar com slime


Dra. Carla Bortoloto
por: Dra. Carla Bortoloto
Médica especializada em dermatologia clínica e cirúrgica

O que vai determinar a segurança dessa “massinha elástica” são os ingredientes de sua receita  (foto: ThinkStockPhoto)
 

As férias chegaram e tudo o que a criançada quer é se divertir. E uma das brincadeiras que mais têm atraído a atenção dos pequenos é fazer slime. Mas será que entre tantas esticadas, bubble pops, clicks e flips, o brinquedo é realmente seguro?

O que vai determinar a segurança dessa “massinha elástica” são os ingredientes de sua receita. Em uma pesquisa na internet sobre “como fazer slime” obtemos mais de seis milhões de resultados. As receitas são variadas, algumas utilizando apenas alimentícios, como farinha, tapioca e mel (que considero as versões mais seguras), mas a grande maioria  mistura produtos, como cola, corante, glitter, itens de higiene pessoal (talco para os pés, creme de barbear, sabonete líquido, xampu e condicionar), água boricada, bicarbonato de sódio, bórax (borato de sódio)… E alguns deles podem oferecer riscos à saúde.

Vale lembrar que a pele dos pequenos é mais fina e delicada, por isso mais suscetível às alergias, lesões e inflamações.  Além disso, crianças que já apresentaram algum episódio de dermatite de contato, ou possuem dermatite atópica, precisam de cuidado redobrado.

Um dos produtos que merece atenção (e deve ser evitado!) é o bórax, utilizado para “ativar” a slime. A substância é matéria-prima de alguns produtos de limpeza e pode causar irritações na pele, nas mucosas e nos olhos, além de náuseas, vômitos e diarreia, quando absorvida pelo organismo. Longos períodos de brincadeira ao sol, com a slime feita com esse componente, também pode levar às queimaduras.

Outra opção de ativador é a água boricada. Ela oferece menos riscos porque é um composto diluído e já utilizado no contato com a pele para, por exemplo, higienizar ferimentos. Agora, para fazer a chamada “misturinha mágica”, que combina a substância com bicarbonato de sódio, é preciso atenção. O bicarbonato de sódio deve ser utilizado em quantidade muito pequena para não provocar irritações cutâneas.

Também é fundamental observar se os ingredientes utilizados na slime são atóxicos, hipoalérgicos e se apresentam pH neutro, bem como a quantidade utilizada de cada um. Isso porque mesmo produtos como creme de barbear, hidratante corporal, xampu, podem causar irritações na pele.

Deve-se, ainda, ficar atenta ao surgimento de fungos nas slimes. Ocorre que o brinquedo é úmido, ambiente perfeito para a proliferação de culturas. Por isso, ao notar mudança na cor ou pequenos pontos de coloração diferenciada na slime, ela deve ser descartada.

E se durante – ou após a brincadeira – surgirem sinais na pele, como vermelhidão, coceira, ardor, inchaço e descamação, ou episódios de náuseas, vômitos e diarreia, interrompa imediatamente o contato da criança com o slime, e higienize bem suas mãos (e outras regiões do corpo que tiveram contato com a massinha) com sabonete de pH neutro e água. Se os sintomas não melhorarem em até 24 horas, o especialista deve ser procurado, pois pode haver necessidade de tratamento medicamentoso.

Mas é importante destacar que, tomando-se todos os cuidados, a brincadeira é saudável e uma ótima oportunidade de interagir com os pequenos e ensinar noções de higiene, organização, cooperação, português (ler a receita) e matemática (divisão da massinha para fazer versões multicoloridas), entre outras.

 
 
  • Dra. Carla Bortoloto

    Médica especializada em Dermatologia clínica e cirúrgica, tricologista, professora da Pós-Graduação em Dermatologia das Faculdades BWS, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica (SBDCC) e da American Academy of Dermatology (AAD)

Data da postagem: 13 de dezembro de 2018

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