Assimetria craniana: capacete é usado para tratar achatamento da cabeça do bebê


Natália Folloni
por: Natália Folloni

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O tratamento dos casos mais graves é feito com capacetes sob medida (foto: divulgação)

Com o crescimento dos casos de microcefalia no Brasil, possivelmente graças ao surto de zika vírus, o assunto ganhou as manchetes em todo o país. Mas existe ainda outra anomalia craniana, bastante comum, mas pouco comentada, a plagiocefalia (ou assimetria craniana). Para entender melhor do que se trata, o It Mãe conversou com o médico Gerd Schreen, da Clínica Heads, que trouxe o tratamento desse tipo de anomalia por aqui após viajar para os EUA para tratar a filha caçula.

Enquanto a microcefalia é uma condição neurológica, cujo sintoma é o crescimento e o desenvolvimento insuficiente do cérebro na gestação e após o nascimento, a plagiocefalia consiste no “achatamento” de parte da cabeça da criança que acontece graças ao apoio constante da mesma em uma só lado nos primeiros meses de vida. Cerca de 12% dos bebês saudáveis nascidos vivos no Brasil tem algum grau de assimetria, de acordo com Gerd, e 20% deles precisarão de um tratamento mais sério. O problema tende a surgir como consequência da recomendação de colocar o bebê para dormir de barriga para cima (para prevenir a Síndrome de Morte Súbita), assim como de deixá-lo muitas horas deitado na mesma posição – já que o recém-nascido costuma dormir a maior parte do dia. Mas também pode acontecer ainda no final do período gestacional, quando há pouco líquido amniótico ou o bebê se encaixa precocemente na pelve e, por último, em gestações gemelares (uma vez que os bebês ficam”apertados” ali).

Como tratar da plagiocefalia? Nos primeiros meses de vida, o bebê não tem forças para sustentar o peso do corpo sozinho, então, é natural que penda a cabeça apenas para um lado. No início, basta prestar atenção e reposicionar a cabecinha criança pelo máximo possível de tempo de modo a apoiá-la do lado que está proeminente e evitar o apoio do lado achatado. O que vale para quando ele está dormindo, no colo, no bebê-conforto etc. O objetivo dessas manobras é de inverter o mecanismo que levou à assimetria, promovendo uma lenta melhora.

Quando começa a crescer e a ficar mais “durinho”, no entanto, o bebê se torna também habilidoso, e o reposicionamento fica difícil. A partir daí, o tratamento é realizado com a ajuda do capacete ortótico. É um acessório feito sob medida que funciona como um molde para direcionar o crescimento de volta ao normal. A parte proeminente fica constantemente apoiada no capacete, enquanto a parte achatada fica livre para crescer, mesmo quando ele insiste em apoiar a cabeça nessa região. Só é possível fazer esse tratamento até os 18 meses de vida, e ele dura cerca de três a quatro meses.

Como evitar as assimetrias cranianas

Como os bebês passam a maior parte do dia deitados, a maioria está sujeito a ficar com algum lado da cabeça achatado. Vale lembrar que todos temos algum grau de assimetria, mas é fácil de enxergar aquelas condições que fogem da curva. Para evitar o problema, portanto, é preciso:

1) posicionar a cabeça do bebê de um lado para o outro, algumas vezes, enquanto ele está de barriga para cima;
2) colocar o bebê de barriga para baixo por alguns períodos enquanto estiver acordado e sob supervisão;
3) examinar sua cabeça, olhando-a de cima para baixo, com o cabelinho molhado, para garantir que não há nenhuma má formação craniana;
4) verificar se o bebê não tem alguma limitação para virar o pescoço, o chamado torcicolo congênito, caso ele tenha preferência por virar a cabeça sempre para o mesmo lado. Nessa situação, um especialista deve avaliar se não é o caso de corrigi-lo com fisioterapia.

  • Natália Folloni

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