Como variar a alimentação do seu filho


Débora Lublinski
por: Débora Lublinski

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34% das crianças rejeitam novos sabores, diz pesquisa (Foto: 123RF)

Quem nunca ouviu alguma mãe contar que o seu filho comia tão bem quando era bebê e agora, maiorzinho, torce o nariz antes mesmo de o ver o prato? Pois é fato: entre 2 e 6 anos, há uma desaceleração natural no ritmo de crescimento e, consequentemente, a diminuição de necessidades energéticas e de apetite. “É nesta fase também que a criança começa a ser mais seletiva e deseja ter maior autonomia e controle na escolha do irá comer”, explica Tâmara Tambellini, nutricionista materno-infantil de Campinas (SP). Um estudo da Mead Johnson Nutrition, de 2012, prova o que estamos falando. De acordo com a pesquisa de 2012, 34% das crianças rejeitam novos sabores e 22% delas só comem o que gostam — geralmente massa, o alimento preferido de 96% dos entrevistados! O problema é que a restrição na variedade de alimentos implica num hábito alimentar muito pobre lá na frente, quando reaprender a comer direito (e combater a obesidade e as doenças que acompanham esse quadro) torna-se bem mais difícil.

Outros dados da mesma pesquisa mostram a dificuldade que nós pais ainda temos quando o assunto é a educação alimentar saudável: lidar com a distração dos pequenos à mesa, permitir o uso de gadgets eletrônicos na hora das refeições, condicionar o “comer bem” a um prêmio (seja a sobremesa ou outro presente) e por aí vai — sim, definitivamente, você não está sozinha. Mas, calma! Para cada dado dessa pesquisa, a nutricionista Tâmara Tambellini sugere um contra-ataque certeiro, que pode deixar as refeições mais tranquilas por aí na sua casa. A profissional também avisa: “Apesar de muitas vezes ser frustrante ver o filho não se alimentar direito, é papel dos pais persistirem. Conte até 100 e coloque em prática mais uma vez todos os truques na próxima refeição”, fala. Vamos a eles? 

22% das crianças só comem o que gostam

O primeiro passo aqui é dar o exemplo. Não adianta querer que o seu filho coma vegetais se você mesma não tem uma dieta variada em legumes e verduras. Procure envolvê-lo em todo o processo da alimentação saudável — da compra no supermercado e na feira, da escolha das receitas ao preparo dos alimentos. Dê opções para ele escolher, incentivando também a autonomia do pequeno: cenoura ou brócolis? Couve refogada ou suflê de couve-flor? Feijão ou ervilha?

34% das crianças rejeitam experimentar novos sabores

Nesse caso, tire proveito do alimento eleito e vá acrescentando outros jogadores nesse mesmo time. Macarrão é a comida preferida? Adicione à receita brócolis, milho, tomate, queijo, rúcula… aos poucos, é claro. Apresentar o alimento novo de uma forma lúdica também ajuda. Ninguém tem tempo (ou habilidade) para montar pratos todos os dias com desenhos incríveis como vemos no Instagram. Mas caprichar no visual quando um novo alimento é oferecido facilita o trabalho.

57% se distraem muito facilmente à mesa

É comum achar que filme, desenho ou joguinho distraem a criança — ela vai se alimentando sem perceber. Pronto: missão cumprida? Que nada! Apesar de prático, esse tipo de recurso impede a formação de um hábito alimentar saudável (o que pode resultar numa compulsão na fase adulta, por exemplo). Ainda assim, é natural que a criança brinque durante a refeição. “Tudo bem ela levantar, dar uma volta e trazer bonecos à mesa. A refeição deve ser um momento lúdico. O importante é ter paciência para respeitar o intervalo de tempo que cada criança precisa para se alimentar e também a quantidade de comida ideal para ela”, diz Tâmara.

19% costumam pular alguma das três refeições principais

Que mãe aguenta ver o seu filho não comer bem no almoço e não oferecer nadinha até a hora do lanche? Mal a gente tirou o prato da mesa e já estamos dando mamadeira, iogurte, leite com achocolatado, suco… Está aí o erro: as crianças precisam aprender também a comer na hora certa. O ideal é não beliscar lanchinhos (geralmente pouco saudáveis) até a próxima refeição quando o seu filho estará com melhor apetite — ótimo momento para apresentar novos sabores. Coragem, o seu pequeno não vai morrer de fome!

  • Débora Lublinski

    Jornalista e mãe da Marina, Débora Lublinski trabalhou por 15 anos em revista feminina cobrindo beleza, saúde e bem-estar. Mas não vive apenas de glamour e sabe bem o malabarismo que é se cuidar sem descuidar dos filhos, da casa, do casamento e da carreira

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