“Papai Noel existe?” Como responder sem perder a magia do Natal


Aline Cestaroli
por: Aline Cestaroli
Psicóloga Infantil, Coach de Pais e Educadora Parental em Disciplina Positiva

Se seu filho  perguntar se Papai Noel existe, uma maneira gentil e respeitosa de falar é devolvendo a pergunta a ele “O que você acha, filho?”. Use perguntas curiosas para sondar o que ele acredita e sabe sobre o assunto (foto: 123 TRF)

Não sei você, mas eu adoro essa época do ano! Casas, praças, ruas e shoppings decorados… o Espírito Natalino traz consigo um clima especial, de bondade, esperança, solidariedade e renascimento. É uma época de olhar para o que se passou, extrair os aprendizados e traçar planos e metas para o Novo Ano que se aproxima.

Montamos árvores, as crianças escrevem cartinhas e, em meio a todo esse clima de Natal, alguns pais ficam sem saber como lidar com o questionamento dos filhos sobre a existência ou não do bom velhinho! Percebo que conforme as crianças crescem, existe uma preocupação em lhes “contar logo a verdade” e algumas famílias ficam em dúvida sobre até quando é saudável cultivar essa fantasia. Talvez por receio de errar e “infantilizar” muito a criança, por medo do filho fazer papel de bobo na frente dos outros ou até mesmo pelo trabalho que dá em preparar todo o ambiente, querem logo pôr as cartas na mesa. Há também quem prefira não incentivar essa história, por achar que estará mentindo para a criança.

Independentemente da tradição de cada família, é preciso nos atentarmos para o papel da fantasia num processo de desenvolvimento saudável, pois o lúdico incentiva a criatividade e ajuda na elaboração daquelas experiências que a criança ainda não tem recursos para expressar de outra forma. Com o crescimento tecnológico e o acesso à internet cada vez mais cedo, algumas crianças estão perdendo essa capacidade imaginativa e não cultivam a fantasia.

No consultório atendo crianças de diversas idades e conforme elas crescem e desenvolvem o raciocínio lógico, já começam a desconfiar se é mesmo o Papai Noel quem compra os presentes. Começam a perguntar como é que ele consegue entregar presentes para todas as crianças, percebem que existem vários espalhados por aí… Recentemente uma criança me contou que o Papai Noel que fica tirando foto no shopping não era de verdade, pois o verdadeiro estava muito ocupado fazendo os presentes. Outra me disse que não são todos os presentes que o Papai Noel faz, por isso ela colocou algumas opções na cartinha.

Cada família tem a sua forma de cultivar (ou não) essas crenças e o mais importante é estar atento ao desenvolvimento da criança, pois ela dará sinais sobre o quanto está madura para entender. Se seu filho  perguntar se Papai Noel existe, uma maneira gentil e respeitosa de falar é devolvendo a pergunta a ele “O que você acha, filho?”. Use perguntas curiosas para sondar o que ele acredita e sabe sobre o assunto. O que eu costumo dizer para as crianças é que o Papai Noel existe para quem acredita nele e assim vamos explorando o sentido dessa fantasia na vida delas.

Se você percebe que seu filho já está desconfiado e que é uma questão bem resolvida, após fazer essa sondagem para se certificar, você pode dizer que realmente quem compra o presente é você e, então, explicar melhor sobre o significado do Natal e no que vocês acreditam. Você pode até “promover” seu filho ao papel de Papai Noel e incentivá-lo a passar adiante a gentileza e a generosidade que permeiam o Espírito Natalino. Essa é uma excelente oportunidade para transmitir os valores familiares.

Uma prática muito frequente que vejo os pais fazerem é atrelarem o presente de Natal ao comportamento da criança, por exemplo: “O Papai Noel só dá presente para quem come tudo, obedece ou vai bem na escola, senão ganha uma pedra de carvão” e, particularmente, não acho isso positivo pois, além de vincular o valor da criança a um objeto material, faz com que ela adote um lócus de controle externo, ou seja, a criança faz o que precisa ser feito visando uma recompensa e não porque aprendeu que aquilo é importante para sua vida.

O Natal não precisa (nem deve) ser uma data relacionada ao consumismo. Você pode aproveitar para semear em seu filho algumas habilidades que são importantes para a construção de uma vida feliz, tais como: empatia, resiliência, tolerância à frustração e responsabilidade. Afinal, não é sobre Natal ou Papai Noel, mas sim sobre criar memórias afetivas ao lado das pessoas que amamos. É uma época para celebrar a vida, resgatar lembranças felizes da nossa infância e compartilhar momentos especiais em família. Essa é a grande magia!

Que seu Natal seja de muita luz, paz e amor!

Com carinho, Aline.

 

 

 

 

 

  • Aline Cestaroli

    Psicóloga Infantil, Coach de Pais e Educadora Parental em Disciplina Positiva. Tem como missão ajudar os pais a desenvolverem suas habilidades parentais, para que possam semear nos filhos competências necessárias para a construção de uma vida feliz.

Data da postagem: 13 de dezembro de 2018

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