Introdução alimentar: o que você precisa saber antes das primeiras colheradas


Camila e Gabriela Kirmayr
por: Camila e Gabriela Kirmayr
Gabi é nutricionista infantil e Cami é comunicóloga. Elas são sócias da consultoria de nutrição infantil Coisa de Nutri

Da época das nossas mães para cá, muitas mudanças significativas aconteceram na introdução alimentar. Essas mudanças são evoluções, pois vieram para melhorar todo o processo. Uma delas é a eliminação do famoso suquinho de laranja lima. E de outros sucos.

Os sucos possuem alto índice glicêmico, que é uma sobrecarga de açúcar no organismo. Bem desnecessária principalmente para os bebês. Nesse caso, dar a frutinha é uma opção muito melhor comparada o suco pois apresenta fibras, preserva os nutrientes, além de não elevar o índice glicêmico.

Outra mudança significativa foi a evolução das consistências das papinhas. Antes, a recomendação era que, até completar um ano de idade, o bebê deveria ingerir papinha batida no liquidificador. Hoje a recomendação é que os alimentos sejam trituradinhos e/ou amassados no garfo e que haja uma evolução da consistência gradativamente, até que o bebê complete um ano e comece a se alimentar com a refeição da família. Isso favorece o desenvolvimento do sistema buco maxilo, contribuindo na mastigação, na evolução da fala entre outros.

Existem três tipos básicos de introdução alimentar para os pequenos: Introdução Alimentar Tradicional, BLW (Baby Led Weaning) e a Participativa.

Vamos falar um pouco de cada uma.

  • Introdução Alimentar Tradicional Inicia-se a partir dos 6 meses, com evolução gradual das papinhas. O adulto é o controlador e regulador, ou seja, o bebê não tem autonomia. São os pais que vão colocar os alimentos na boca dele, incentivando-o a comer. 
  • BLW (Baby Led Weaning = introdução alimentar guiada pelo bebê) O bebê tem autonomia para decidir quando começa e quando termina todo esse processo, e a alimentação é baseada nos seus instintos inatos e na sua capacidade de auto-regulação. Sugere-se que os alimentos sejam oferecidos para os bebês maiores de 6 meses, em forma de pedaços maiores e cozidos, possibilitando que eles exercitem as suas escolhas e comam sozinhos com as mãos. O adulto tem apenas o papel de ser o responsável por disponibilizar os alimentos saudáveis nos tamanhos e consistências adequadas e supervisionar a refeição. Esse método é bem inovador e bastante utilizado na Europa e Estados Unidos.
  • Introdução Participativa O bebê é agente ativo do processo de introdução da alimentação, ainda que recebendo alimento de um intermediador. Dessa forma, a alimentação passa a ser assistida e não passiva. Assistida pelos adultos, que intermediam as preferências do bebê e o auxiliam motoramente, enquanto ele não adquire habilidade e eficiência na ingestão adequada de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. Os alimentos são oferecidos tanto em forma de papinha dada com a colher, como em pedaços maiores para serem segurados pelo bebê.

Qual deles escolher? Nós enquanto nutricionistas (e mães) acreditamos que podemos mesclar alguns pontos da Introdução Participativa com outros pontos da Introdução BLW e assim chegamos a uma introdução super bacana, moderna e nutritiva. É o famoso samba-lêle. Risos.

Na nossa opinião, o que gostamos no BLW:

– O incentivo à mastigação – importante no desenvolvimento motor;

– A possibilidade do bebê descobrir cada sabor e consistência separadamente, aumentando as chances de experimentar uma maior variedade de alimentos;

– Aproximação do bebê com os alimentos.

O que não curtimos tanto, apenas na nossa opinião, tá?

– A possibilidade do bebê não se alimentar com todos os grupos de alimentos adequados e faltar nutrientes necessários;

– A chance dos engasgos serem mais recorrentes. Sim, somos um pouco receosas 😊.

– A falta de uma referência dando suporte físico no momento totalmente novo. Sim, somos meio tradicionais 😊.

Vale contar! Temos uma paciente mãe que optou pela introdução participativa e a bebê não aceitou de jeito nenhum. Entrou ela partiu para BLW e deu certo. Nesse caso, orientamos a mãe que tivesse uma dose extra de atenção em oferecer todos os grupos alimentares necessários e ficasse esperta com as consistências para reduzir as chances de engasgo.

Sendo assim, a nossa recomendação como um mundo ideal está nos pontos abaixo:

1 – Encare como um momento novo. A introdução alimentar, como o próprio nome já diz, é apenas o começo de tudo. É muito novo para amos (pais e bebê) e cada um tem seu ritmo, seu tempo. Deve haver muita paciência, respeito e abertura para aprendizado e evolução.

2 – Opte pela introdução que combina com seu estilo. Nós gostamos da Introdução Participativa como base e alguns pontos bacanas do BLW na rotina.

3 – Ensine seu bebê “a se alimentar bem”, não apenas “o alimente”. Esse é nosso lema. Você está iniciando a formação de um novo paladar! Para isso, capriche nas variedades, cores, sabores, texturas e aromas.

4 – Faça um ciclo de evolução até um ano. Faça uma evolução das consistências para que ele desenvolva o sistema buco maxilo e vá criando a aptidão da mastigação.

5 – Incentive o paladar. A partir do oitavo mês, ofereça os alimentos separadamente. No mesmo pratinho, porém em mini porções. Justamente para que haja esse conhecimento separado de cores, texturas, sabores e consistências.

6 – Faça variações de sabores. Não tema em oferecer alimentos mais amarguinhos, mais azedos!  Apresente todas as possibilidades para que o paladar se abra, e não fique apenas no básico.

7 – Dê também autonomia para seu bebê. Enquanto você o alimenta, coloque nas mãos dele os palitinhos de legumes macios. Na hora da frutinha, dê os pedaços da fruta na mãozinha dele ou mesmo meia laranja sem caroços. Essa autonomia é muito bacana, aproxima os bebês dos alimentos e eles amam!

8 – Os bons hábitos a mesa … pode ficar para mais tarde. Não se estresse (tanto … rs) com a sujeira e bagunça. Faz parte e “se sujar faz bem”, além de promover e estimular os primeiros contatos do bebê com o alimento. Aos poucos e com o tempo você vai ensiná-lo os bons hábitos a mesa.

9 – Lembre-se: não é a sua alimentação. Açúcar, sal e industrializados (entre outros) são proibidos, além de desnecessários! O paladar do bebê não é o nosso, eles não vão sofrer sem sal ou açúcar, mesmo porque, não conhecem estes sabores.

10 – Atenção. Supervisão em tempo INTEGRAL no momento de qualquer alimentação é fundamental. Não apenas pelos engasgos, mas por observar possíveis alergias com determinados alimentos.

Boa sorte e aproveite esse momento tão cheio de descobertas e conquistas!

Beijos

Cami e Gabi

 

 

  • Camila e Gabriela Kirmayr

    Camila é publicitária, certificada em disciplina positiva e mãe do Frederico, de 3 anos. Gabriela é nutricionista infantil e mãe da Júlia, 12 anos, e da Lara 14. As duas são sócias da consultoria de nutrição infantil Coisa de Nutri

Data da postagem: 30 de janeiro de 2019

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