Cuidar dos filhos deixa você exausta?


Aline Cestaroli
por: Aline Cestaroli
Psicóloga Infantil, Coach de Pais e Educadora Parental em Disciplina Positiva

Cuidar dos filhos realmente é muito trabalhoso e estudos já mostram que é mais estressante do que trabalhar fora. E isso pode causar a síndrome de burnout parental (foto: 123 TRF)

 

Recentemente uma mãe me procurou para que eu atendesse sua filhinha de 3 anos que estava apresentando comportamentos inadequados em casa e na escola – não obedecia, batia e mordia os coleguinhas e a irmã de 1 ano e meio. Nos atendimentos a mãe contava o quanto sentia-se esgotada com a rotina familiar e isso fazia com que ela só quisesse trabalhar “Estar no trabalho é um alívio para mim”. Seu marido quase não ajudava com a casa. As duas filhas ficavam período integral na escola e quando ela chegavam em casa, já no final do dia, não via a hora de colocá-las para dormir. O final de semana era um martírio. Realmente, cuidar de duas crianças pequenas não é nada fácil! Essa mãe estava realmente muito exausta. Precisava de acolhimento e ajuda.

À medida que fomos explorando alguns aspectos de sua história, ela passou a tomar consciência e se fortaleceu para mudar o que era preciso. Descobriu o que a incomodava e percebeu que tinha todos os recursos necessários para melhorar a dinâmica familiar. Resultado: mudou sua atitude com a filha, a criança não teve mais queixas na escola, ficou mais colaborativa e aos poucos esta mãe ficou mais à vontade, voltou a sentir prazer em estar com as crianças e a sair com elas. Diminuiu o seu ritmo de trabalho, pois já não precisava usá-lo como esquiva e alcançou a paz e tranquilidade que havia perdido depois da chegada das filhas.

Essa mãe estava sofrendo a síndrome de burnout parental, que é cada vez mais comum nas famílias. Burnout é um termo que foi atribuído na década de 1970, para se referir a um estado de esgotamento profissional, envolvendo três componentes: exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal. Trazendo este conceito para a parentalidade, desde a década de 2000, pesquisas estão sendo desenvolvidas e têm comprovado que os pais podem sofrer de estresse excessivo em virtude da função de pais. E diversos fatores podem favorecer isso: história de vida; idealização da função enquanto mãe ou pai; falta de uma rede de apoio; quantidade de filhos a serem atendidos; ter crianças pequena, deficiente física ou especial; baixa renda familiar ou práticas inadequadas de parentalidade.

Algumas perguntas podem ajuda você a avaliar se também está sofrendo a síndrome de burnout parental

  • Estar com os filhos te deixa tensa?
  • É difícil para você entender o que seus filhos sentem?
  • Sente que fica esgotada depois de passar o dia todo com eles?
  • Não consegue mais demonstrar o quanto os ama?
  • Sente-se como se estivesse cuidando deles no piloto automático?
  • Não consegue mais sentir prazer em estar eles?
  • Não vê a hora de colocá-los na cama para dormir?
  • Sente-se emocionalmente esgotada ou frustrada em seu papel de mãe?

Pode ser que você se sinta culpada ao responder SIM a alguma dessas perguntas, mas quero te dizer que  assumir que está difícil é o primeiro passo para resolver a situação. Cuidar dos filhos realmente é muito trabalhoso e estudos já mostram que é mais estressante do que trabalhar fora. Aliás, esse cansaço extremo não é exclusivo das mães (embora elas sejam a grande maioria). Estudos mostram que os homens, por estarem cada vez mais envolvidos na vida dos filhos, têm a mesma probabilidade de desenvolverem a síndrome. Quando uma pessoa está sofrendo a síndrome de burnout parental ela tem essas sensações:

A exaustão emocional é caracterizada por um sentimento muito forte de tensão emocional que produz uma sensação de esgotamento, de falta de energia e de recursos emocionais próprios para lidar com as rotinas e representa a dimensão individual da síndrome.

A despersonalização é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes indiferentes e cínicas em torno daquelas pessoas que entram em contato direto (cônjuge, filhos). Num primeiro momento, é um fator de proteção, mas pode representar um risco de desumanização, constituindo a dimensão interpessoal de burnout.

A falta de realização pessoal caracteriza-se como uma tendência que afeta as habilidades interpessoais. É como se perdesse o sentido de cuidar da família ou estar todos reunidos. Um sentimento muito comum das mães que estão sofrendo da síndrome de burnout é a sensação de impotência perante os desafios da criação dos filhos.

Estar atenta a essas questões é fundamental, pois além do impacto no desenvolvimento das criança, o desgaste afeta a vida familiar como um todo, trazendo muitos conflitos conjugais e aumentando o índice de divórcio.

Caso você perceba que tem alguns dos sintomas mencionados, procure ajuda profissional. Além disso, priorizar o seu autocuidado é fundamental! Cuidar dos filhos, da casa, da família… conciliar todos os papéis, vida pessoal e profissional, não é nada fácil! Com a correria do dia a dia, é normal se deixar de lado, não conseguir se priorizar e cuidar de si. Toda essa demanda acaba sendo exaustiva e, se não for cuidada, pode levar ao esgotamento físico e emocional.

Faça uma lista das coisas que gostaria de fazer por si, que te renovam a energia e geram bem-estar. Transforme esses itens em metas e se comprometa consigo mesma. Para dar o seu melhor aos filhos, você precisa dar o melhor a si mesma!

Com carinho, Aline

 

 

  • Aline Cestaroli

    Psicóloga Infantil, Coach de Pais e Educadora Parental em Disciplina Positiva. Tem como missão ajudar os pais a desenvolverem suas habilidades parentais, para que possam semear nos filhos competências necessárias para a construção de uma vida feliz.

Data da postagem: 8 de março de 2019

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