De repente, mãe de pré-adolescente


Daniela Folloni
por: Daniela Folloni
Jornalista fundadora e diretora de conteúdo do Portal It Mãe

A pré-adolescência, fase dos 8 aos 12 anos, é o momento que o cérebro está mais acelerado. Entender e acompanhar de perto o que acontece com seu filho agora vai fazer toda a diferença no futuro (foto: 123TRF)

O “trabalho braçal” ficou pra trás. Você não precisa mais dar banho, escolher a roupa, dar comida na boca. O jeito de criancinha também ficou para trás, mas ainda não apareceu nenhum mocinho em casa. Seu filho mudou, isso é fato. Se ele tem de 8 aos 12 anos, entrou na pré-adolescência. Já!!! Sim! Não consigo fugir do clichê de que passa rápido mesmo.

O que a gente sabe sobre a pré-adolescência? Que é uma fase entre a infância e a adolescência, um momento de transição. O que muitas mães e pais não sabem (e que antes de fazer este post eu também não sabia!)? Essa é a fase em que acontece o maior desenvolvimento do cérebro de um ser humano. Mais do que nos três primeiros anos de vida, que é o que se acreditava até pouco tempo atrás.

Quem me contou isso – e muito mais – foi Daniela Tófoli, jornalista especializada em família, autora do livro Pré-Adolescente: um guia para entender seu filho (Principium). O livro é resultado de  entrevistas com médicos, psicólogos, educadores e cientistas e inclui estudos e descobertas recentes. Batemos um longo papo sobre essa fase em que a criança mais constrói sinapses na vida inteira. Aqui está um resumo de como aproveitar as oportunidades de educar e plantar as sementinhas que você quer que seu filho leve para a adolescência e a vida adulta (porque, olha que maravilha: essa é uma fase que, mesmo que não pareça, eles consideram muito e guardam tudo o que a gente fala).

 

Estimule o brincar “A pré-adolescência é a fase em que você tem que mais estimular seu filho, mas não estimular matriculando no inglês, francês, violão tudo ao mesmo tempo. O melhor estímulo é deixar brincar. Muitos pais acham que, porque o filho é pré-adolescente, ele não precisa mais desse tempo. Superlota a agenda dele e perde essa oportunidade“, avisa Daniela. Segundo ela, o brincar – seja com jogos de tabuleiro, o futebol com os amigos, as brincadeiras de faz-de-conta – estimula o desenvolvimento emocional e social, a criatividade… Tudo aquilo que a gente acha que é muito importante na primeira infância, também se torna ainda mais importante na pré-adolescência por causa das novas e muitas sinapses que estão sendo feitas nesse momento.

 

Se não quiser “falar mil vezes”, deixe bilhetes! Quem aqui tem um filho que parece que vive com a cabeça no mundo da lua? Que não presta atenção no que você diz? E faz você perder a paciência? Calma, isso tem explicação. E não se trata de preguiça, não. “Como o cérebro do pré-adolescente está a mil, ele às vezes é desatento, sem foco. Isso acontece porque o cérebro está tentando dar conta de tudo, está trabalhando muito”, explica Daniela Tófoli. É importante que você entenda isso para que, em vez de reagir dando bronca, pense em maneiras em ajudá-lo a se lembrar do que tem que fazer, seja a lição, seja arrumar o quarto… Se ele não faz porque esquece toda hora, adote alternativas como deixar bilhetes, ligar o despertador no smartphone.

Conte até 20 (ou 30!) Sabe quando você se depara com seu filho fazendo cenas, como ir para o quarto e bater a porta? É inevitável pensar: “Poxa, nem é adolescente e já me deixou falando sozinha!” Isso é comum acontecer na pré-adolescência, mas não com aquela consciência toda que o adolescente já tem. “Essa reação mais explosiva não é proposital. Por isso, não encare como uma afronta pessoal. Isso acontece pelo fato de o cérebro estar em alta atividade e também porque o córtex pré-frontal, que regula as emoções e as reações, ainda não está maduro. É como se o acelerador no cérebro já estivesse funcionando, mas o freio ainda não. O pré-adolescente erra muito na hora de frear. Ele até tenta, mas erra. Ele não é como o adolescente que tem atitudes mais conscientes”, explica Daniela. O pré-adolescente, muitas vezes, nem entende por que fez aquilo. Então, seu jeito de repreender ou explicar também tem que ser diferente, levando em conta isso: não foi proposital. Se o pai e a mãe tiverem essa consciência vão conseguir ajudar o filho a calibrar melhor as próprias atitudes. Então, a recomendação dos especialistas é: em vez de contar até dez, contar até vinte e orientar.

 

Seja coach do seu filho Essa é a fase em que começam os primeiros sinais de independência. Seu filho quer ir à padaria sozinho, porque acha que é grande. Quer ter conta nas redes sociais. “Mas tanto na vida real quanto no meio virtual, ele ainda não consegue prever todos tipos de acidentes e incidentes que podem acontecer no meio do caminho e não sabe como reagir”, lembra Daniela. Portanto, é essencial que os pais acompanhem de perto. “No começo você tem que fazer junto, porque ele não tem maturidade para fazer sozinho. Tem que treinar. E isso não é invadir a privacidade do filho – dos 8 aos 12 ainda não é essa questão. Claro que seu filho já começa a querer guardar umas coisas pra ele, mas você precisa estar por perto, acompanhando”, diz a autora. A pré-adolescência é o treino para a adolescência. Então, o que você conseguir ensinar agora vai ser a base para as atitudes do seu filho adolescente. Em outras palavras, se você estiver perto agora, terá mais chances de manter um canal de diálogo aberto na adolescência, fase em que os amigos estarão no topo das prioridades.

Aposte no “Tamo junto” Dos 8 os 12 muita coisa muda. Já parou para pensar? Na escola, eles passam do fundamental 1 para o fundamental 2 (o que significa ter, de uma hora pra outra ter um monte de professores!), pêlos começam a crescer, espinhas aparecem, tem o estirão do crescimento, uma parte as meninas têm a primeira menstruação, o primeiro sutiã. “O pré-adolescente está com um corpo do qual ele não se deu conta ainda. Tem todas as mudanças físicas, o cérebro a mil, os amigos ganham mais importância…”, enumera Daniela. A melhor atitude diante de tudo isso é mostrar que está junto, que se importa, que está ali para apoiar.

 

Comece a falar de sexualidade Se até pouco tempo trás você seguiu a linha de responder o básico e de forma bem simples quando seu filho perguntava “Mamãe, como eu fui parar na sua barriga?”, agora é a hora de falar sobre o assunto. Então, se o seu filho perguntar, explique. É natural que ele tenha curiosidade. E se o seu filho não perguntar nada? “Quando ele estiver com 10, 11 anos é importante você começar a falar. Isso porque essa informação já está rolando nas rodas de amigos e chegando até seu filho, sua filha. Pode chegar também pela internet. E talvez o que vem por esses meios não vai ser do jeito que você gostaria. Então, é melhor que você se antecipe e passe primeiro a sua visão de relacionamento, amor, sexo, beijo, namoro, a primeira vez“, orienta Daniela. Como fazer essa conversa? Da forma mis natural possível. Não precisa marcar data, nem hora, nem local! Você pode aproveitar ganchos, como quando estiverem assistindo uma série ou lendo livro juntos, ouvindo um reportagem no rédio do carro.

 

Aprenda a ouvir e falar somente depois É comum muitos pais e mães reclamarem: “Ah, depois que ficou adolescente, ele não quer me contar nada…”. Ou: “Tudo o que eu falo para fazer, ela faz o contrário”. Sabe por que isso acontece? Uma das explicações é que os pais não souberam ouvir o filho na pré-adolescência. “Se essa fase representa uma ponte da infância para a adolescência, seria como se esses pais não tivessem atravessado a ponte com o filho, deixaram que ele fosse sozinho”, compara Daniela. Por que isso é tão comum? Porque a gente não sabe sabe muito ouvir. É importante falar, mas também é preciso começar a ouvir sem julgamento. Então, antes de engatar o modo sermão, vale considerar – e testar – as sugestões de Daniela: “Quando seu filho estiver se abrindo com você ou contando uma situação, ouça como amigo, deixe que ele conte tudo, sem dizer o que faria no lugar dele. Elabore. Acha que vale dar uma orientação? Faça num segundo momento. E não na hora em que ouviu. Senão vira sermão, entende? E se vira sermão, você perde a abertura, porque seu filho não vai mais te contar. A dica é respirar e buscar em outro contexto a deixa para tocar no assunto. Você pode usar um livro, um filme, como gancho para retomar o papo e dar seu recado. E assim seu filho vai continuar na adolescência te contando, te ouvindo. Se você escuta e depois orienta de uma forma mais tranquila, consegue atravessar a ponte junto”.

 

 

 

  • Daniela Folloni

    Jornalista, mãe de Isabela e Felipe, trabalhou nas revistas Vogue, Cosmopolitan e Claudia. Acredita que toda mãe merece sucesso, diversão, romance e oito horas de sono

Data da postagem: 25 de setembro de 2018

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