Como evitar perrengues ao viajar com um bebê


Isabel Malzoni
por: Isabel Malzoni

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O cinto de segurança para bebês vai acoplado ao de um dos pais (foto: divulgação)

Quando Diego fez 7 meses, meu marido e eu compramos passagens para viajar dali quatro meses. A ideia era tirar umas férias em família, apresentar coisas novas para o pequeno e, finalmente, descansar um pouco – quem não fica exausto no primeiro ano com um bebê, não é? Pois bem, aguardamos ansiosamente o dia do embarque para os 10 dias em Portugal. O primeiro a nos alertar foi o pediatra do Diego, José Armando. Reproduzo as palavras dele literalmente: “viajar com bebê é uma aventura. O importante é os pais saberem levar com bom humor e jogo de cintura”. Subestimei. Embora tenha corrido tudo bem e a viagem tenha sido deliciosa, voltamos exaustos e surpresos com o quão cansados havíamos ficado. De fato, levar na esportiva é realmente o melhor conselho. Mas vou listar aqui outros que podem ajudar um pouco também.

No avião

A ideia de viajar de avião com um bebê me tirou um pouco o sono. Como ele iria reagir? E se ele ficasse muito incomodado e eu não conseguisse confortá-lo (e consequentemente ele incomodasse todo mundo)? Parece-me que há três coisas importantes que precisamos conseguir fazer com um bebê no avião: entreter, colocar para dormir e manter seguro.

Entreter é o menor dos desafios (não estou dizendo que é fácil, veja bem). “Leve brinquedos e vá apresentando um a um, dos que fazem menos sucesso aos favoritos. Depois parta para as novidades. E recomece”, ensinou-me o pediatra. Esgotadas as possibilidades e a paciência do bebê? Hora da soneca. Para crianças com até 11 quilos, as companhias aéreas costumam disponibilizar berços que ficam acoplados à parede do avião. Peça com antecedência. Mas tenha ciência de que, em caso de turbulência, o bebê tem que voltar para o colo.

Agora, quanto à segurança, pois é… Bebês até 2 anos não têm cadeira própria, devem ir no colo. Então, algumas companhias aéreas oferecem um cinto de segurança que prende a criança ao cinto do pai ou da mãe. O problema é que fica bem solto. Diego usou um colete que ficava preso ao meu cinto de segurança chamado Baby B’Air Flight Vest (vende pelo Amazon), mas ele não é referendado pelos órgãos oficiais de segurança. Só que na falta de boas opções, foi o que me deixou mais tranquila.

Passeios

Superada a viagem, surgem outros desafios. Por exemplo, como se locomover? Levei carrinho guarda-chuva e canguru achando que era excesso, mas não me arrependi! Porque não rola usar carrinho nos passeios na natureza, por causa da terra e da grama, e, por outro lado, se o bebê tem mais de 10 quilos como o meu, quem aguenta carregar o tempo todo? Carrinho, além de tudo, é ótima opção para o cochilo da tarde.  Mas não levei a cadeirinha para o carro e fiquei insegura toda vez que entrava com ele no carro. Então, se for alugar um automóvel, escolha uma companhia que também disponibilize o aluguel do acessório.

 Sono

Bebês dessa idade (a partir dos 9 meses, mais ou menos) estranham lugares. É bom levar objetos como a naninha e o protetor, para recriar o berço dele”, avisou ainda o pediatra. Por isso, ao fazer as malas, lá coloquei o bichinho que dorme com Diego. Mas confesso que desisti de levar o restante do trambolho do berço dele – eu tento viajar relativamente light, mesmo com filhos! Veja, meu filho é um bebê tranquilo, risonho, gosta de estar em nossa companhia. Em alguns finais de semana fora da cidade ele chegou até a dormir melhor do que no próprio berço. No entanto… Dessa vez, na pior noite, ele acordou de hora em hora. Na melhor, três vezes.

Alimentação

E olha que o sono nem era minha maior preocupação, e sim a alimentação. Sempre fui muito ligada na qualidade do que ele come, tudo balanceado, natural e variado. Mas o que fazer durante a viagem? Aconselharam-me relaxar e dar papinhas industrializadas e comida de restaurante. Claro que as papinhas prontas resolvem a vida das mães durante os passeios, só que no caso do meu filho temia que ele não as aceitasse por não estar acostumado. Então dei uma de mãe obcecada e fiz várias porções de comidinha caseira e as levei congeladas na mala. Pode rir, mas levar comida pronta suficiente para os primeiros dias foi ótimo! Ganhei um tempão sem ter que pensar no assunto, fui intercalando com comidinhas saudáveis de restaurante, quando achava, e pronto.

Ah, se tem outra dica boa no quesito “comida”, é essa: escolha restaurantes onde vocês possam passar desapercebidos. Nenhum prato delicioso vai ser bem aproveitado se garçons e demais presentes ficarem olhando feio para seu filho que resolveu fazer bagunça durante todo o jantar, certo?

 

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Procure restaurantes kids friendly, onde ninguém vai reclamar caso seu filho fique “à vontade” (foto: Isabel Malzoni)

Relaxe

De fato, a melhor recomendação é mesmo sorrir diante dos imprevistos. Mesmo se o bebê chorar, se fizer manha, se não quiser comer, se não rolar o programa de adulto que vocês queriam tanto… Porque, por outro lado, também vai ter a carinha de encantamento com as paisagens novas e a surpresa com bichos ou monumentos que ele vir pela primeira vez. E vai ter um pouco desse mundão sendo descortinado pelo seu filho. Enfim, tudo o que torna viajar bom demais, inclusive com bebês.

  • Isabel Malzoni

    É jornalista e sócia da Editora Caixote, que publica livros infantis interativos, como Pequenos Grandes Contos de Verdade, finalista do Prêmio Jabuti. Mãe de Diego, divide-se entre os cuidados com o bebê, descobertas culinárias e muitos, muitos textos Isabel Malzoni é

Data da postagem: 31 de dezembro de 2015

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