Criança pode pintar e alisar o cabelo? A dermato responde!


Dra. Carla Bortoloto
por: Dra. Carla Bortoloto
Médica especializada em dermatologia clínica e cirúrgica

 
Colorações, alisamentos e outras transformações devem ser realizadas com o máximo de cautela, levando-se sempre em consideração a idade da criança (foto: 123TRF)
 
Não é de hoje que tenho observado que os cuidados com a beleza têm se tornado uma preocupação cada vez mais forte entre as crianças. Meninas e meninos – cada vez mais jovens – vêm frequentado os salões de beleza em busca do “visual perfeito”. Com as modificações capilares isso não é diferente.

Entretanto, colorações, alisamentos e outras transformações devem ser realizadas com o máximo de cautela, levando-se sempre em consideração a idade da criança, a textura de seu fio e, principalmente, se aquele produto (ou procedimento) é indicado para a sua faixa etária.

 

Afinal, criança pode tingir o cabelo?

Não é raro encontrarmos crianças com os cabelos coloridos, em tons como rosa, azul, roxo, verde… ou, simplesmente, descoloridos. Mas, atenção: colorir (ou descolorir) o cabelo de crianças com idade inferior a 12 anos é totalmente desaconselhado. Nesta idade, sistema imunológico e manto hidrolipídico (camada que protege a pele) ainda estão se formando, por isso o couro cabeludo é bem mais sensível. Assim, a coloração poderia irritar a região, desencadeando uma reação alérgica que a acompanharia por toda a vida. Além disso, os fios também são mais finos e frágeis, podendo se tornar ressecados e quebradiços com o uso da tintura.

A partir dos 12 anos, pode-se realizar intervenções mínimas desse tipo no cabelo das crianças, mas sempre com produtos próprios para a idade – sem a presença de amônia, chumbo ou água oxigenada – e realizada em salão de beleza, pelo cabeleireiro.

É importante destacar que quanto mais tarde a criança começar a aplicar qualquer tipo de química nos cabelos, mais tarde ela precisará de outros cuidados para recuperar os fios de danos. E que quanto mais constantes forem essas modificações capilares, maiores serão os prejuízos para os cabelos e couro cabeludo.

 

Cachos soltinhos ou liso total

Seja apenas para soltar os cachos ou para mudar totalmente o visual, tornado os cabelos lisíssimos, as escovas definitivas também estão cada vez mais presentes nos “cuidados com a beleza” das crianças.

Mas, assim como ocorre com as colorações, alisamentos não devem ser realizados em crianças com menos de 12 anos. Além de poder danificar os fios e desencadear alergias no couro cabeludo, esses produtos podem levar ao lacrimejamento dos olhos, conjuntivites, e até uma pneumonia química devido à sua aspiração.

Para fugir do formol (proibido pela Anvisa), muitas mães optam por produtos com ácido glioxílico em sua formulação. Entretanto, a substância também libera formol quando aquecida pelo secador e prancha.

Agora se, eventualmente, a criança quer exibir um visual diferente, a dica é se manter nas pranchas e escovas normais (livres de qualquer química). Lembrando que se repetidas constantemente, essas práticas também podem levar ao ressecamento dos cabelos. Para evitar danos, o ideal e realizar hidratações periódicas (mensais ou quinzenais, dependendo do estado dos fios), para repor seus nutrientes e manter as cutículas (sua parte externa) dos fios seladas.

 

 

  • Dra. Carla Bortoloto

    Médica especializada em dermatologia clínica e cirúrgica, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica (SBDCC), ela acredita no papel fundamental das mães em passar aos filhos a importância dos cuidados com a pele, cabelo e unhas

Data da postagem: 27 de fevereiro de 2019

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