10 dicas para a sobreviver aos terrible twos


Aline Cestaroli
por: Aline Cestaroli
Psicóloga Infantil, Coach de Pais e Educadora Parental em Disciplina Positiva

 

Qualquer semelhança nessa foto com o que acontece na sua casa, não é mera coincidência! Até pouco tempo atrás, o bebê chorava e era a mãe quem nomeava “Ah, este choro é de fome”, “Este choro é sono…é cólica…etc”. Agora, nesta nova fase, pre-para: a criança já é capaz de andar, falar e mostrar que tem vontade própria (foto: 123TRF)

 

Os “terríveis dois anos” são realmente desafiadores e podem trazer muito estresse tanto para a criança quanto para os pais, mas a boa notícia é que é apenas uma fase (vai passar!!) e seguindo estas orientações é possível amenizar as crises que fazem parte do desenvolvimento de toda criança. Antes de tudo, é preciso entender o que acontece com a criança nesta fase, que vai de 1 ano e meio até os 3 anos (em média) – período em que ela deixa de ser aquele bebê totalmente dependente dos cuidados de alguém, para ser uma criança autônoma, com um potencial enorme a ser desenvolvido.

Até então o bebê chorava e era a mãe (ou quem desempenhava tal função) quem nomeava “Ah, este choro é de fome”, “Este choro é sono…é cólica…etc”. Só que agora, nesta nova fase, a criança já é capaz de andar, falar e mostrar que tem vontade própria.

O problema ocorre justamente porque a criança está em transição e ainda não adquiriu capacidades de se expressar, se comunicar com assertividade e com inteligência emocional para lidar com as situações adversas. Seu cérebro ainda é muito primitivo e ela não consegue transformar em palavras aquilo que está sentindo em seu físico. Seu comportamento inadequado, de birra, é muito mais uma reação ao que está passando em seu interior do que uma ação consciente para desafiar os pais.

Sabendo disso, nosso papel, enquanto adulto, é ajudar a criança a desenvolver as habilidades necessárias para compreender o que está sentindo, além de aprender habilidades sociais, seguindo regras e combinados. É por isso que bater, gritar ou punir a criança não resolve. Esta etapa do desenvolvimento infantil requer muita paciência e disciplina.

A palavra “disciplina” deriva de “discípulo” e significa educar ou guiar. O trabalho de disciplinar começa nessa fase chamada “adolescência da infância”. A criança precisa aprender a se comportar e os pais precisam aprender a educar.

Sendo assim, quando seu filho apresentar uma crise de birra, experimente seguir estas orientações:

  1. Respire fundo: Manter a calma é super importante, por isso não se esqueça de respirar fundo – literalmente – antes de tomar qualquer atitude.
  2. Avalie a situação antes de agir: Se abaixe para ficar no mesmo nível da criança e estabeleça um diálogo empático, ou seja, coloque-se no lugar do seu filho e busque entender o que ele está pensando ou sentindo. Certifique-se de não seja nenhuma necessidade fisiológica, tal como fome, sono, fralda suja ou cansaço.
  3. Encare aquele comportamento como sendo um pedido de ajuda: Como expliquei anteriormente, a criança ainda não tem habilidades para se expressar adequadamente. Se olhamos para a birra com as lentes “Esta criança está querendo me desafiar, está me testando” tendemos a querer mostrar que somos superiores a elas e entramos numa disputa de poder. Mas se olharmos com as lentes “Meu filho está com dificuldade para expressar o que está acontecendo”, nossa atitude será mais positiva e acolhedora.
  4. Valide o sentimento da criança: Após compreender o que motivou tal comportamento, diga para a criança que você entende que ela esteja chateada/frustrada/decepcionada/com raiva, mas o que ela deseja não pode ser realizado (descreva a situação) e lhe ofereça outra opção.
  5. Sem platéia não há show: Caso a criança esteja tão irritada que não seja possível estabelecer um diálogo, lhe dê um tempo, saia de perto (Antes se certifique de que ela não corre perigo) e diga que você a ama, mas que não consegue ajudar enquanto ela estiver se comportando assim. Ignorar o comportamento inadequado, dependendo da situação, pode ser a melhor opção.
  6. Tenha um segundo plano: Num momento de birra, também ajuda mudar o foco da criança, mostre-lhe algum objeto ou fale sobre outro assunto que lhe chame a atenção.
  7. Faça combinados: Antes de sair de casa com a criança, pode ajudar se você lhe contar para onde estão indo, o que irão fazer e dizer como espera que ela se comporte. Um erro muito comum que os pais cometem aqui é fazer barganhas do tipo “Se você se comportar, te dou um brinquedo”. Isso não é positivo por que a criança acaba associando o bom comportamento a uma premiação e isso não é legal.
  8. Ofereça possibilidade de escolha: Como nesta fase a criança está se percebendo enquanto indivíduo, grande parte de seus comportamentos são motivados pela necessidade de se impor e mostrar que tem vontade própria. Tal característica é saudável para seu desenvolvimento, mas gera muitos conflitos, já que se recusa a atender às solicitações dos pais. Para amenizar ajuda se você lhe der a possibilidade de escolha, mas dentro de um limite que você pré estabeleceu. “Você quer usar esta roupa ou aquela?”, “Você quer levar o patinho ou o carrinho para tomar banho com você?”.
  9. Escolha as suas batalhas: Testar as regras, desafiar os limites, se jogar no chão quando contrariada, bater em alguém ou em si mesma, não obedecer… são comportamentos que fazem parte da vida de toda criança. Nenhuma criança consegue se comportar bem sempre, por isso é importante saber em quais batalhas você quer lutar. Para isso é importante que você tenha clareza de quais valores quer transmitir ao seu filho, do que é importante para você ou o que pode ser relevado. Para sua sobrevivência e de toda a família, algumas birras devem ser ignoradas.
  10. Não se incomode com o que os outros vão pensar: É fácil julgar e apontar o dedo quando estamos de fora da situação. Sabendo que as birras fazem parte da vida de toda criança, não sinta-se culpada com a situação e não se preocupe com o que os outros vão pensar ou dizer. Siga com o seu plano e confie em você!

Vale a pena ressaltar que cada criança é única e que não existe uma fórmula mágica. Você conhece seu filho melhor do que ninguém. Use também sua percepção de mãe para escolher o que vai funcionar em cada situação.

 

Com carinho, Aline

 

 

  • Aline Cestaroli

    Psicóloga Infantil, Coach de Pais e Educadora Parental em Disciplina Positiva. Tem como missão ajudar os pais a desenvolverem suas habilidades parentais, para que possam semear nos filhos competências necessárias para a construção de uma vida feliz.

Data da postagem: 11 de fevereiro de 2019

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