Momento faxina: como desapegar sem sofrer!


Ingrid Lisboa
por: Ingrid Lisboa
Especialista em organização residencial e pessoal, consultora e palestrante
(foto: Free Images) Uma ideia para desapegar, é chamar aquela amiga super sincera e querida que pode dar uma forcinha para você avaliar o real valor de cada objeto (foto: Free Images)

 

Fotografias antigas, trabalhos escolares, equipamentos fora de uso, xícaras herdadas da avó, blusas, quadros, lembranças. Todos nós temos, em casa, alguma variação destes itens, que guardamos por anos a fio para… para quê mesmo? Por que mantemos em casa, gastando energia e espaço precioso nos armários, tantos itens em desuso?

Sempre faço essa pergunta em meus cursos de organização e invariavelmente a resposta é: porque são importantes. Concordo. Sem dúvida que são importantes, do contrário não estariam ali guardados. No entanto, ouso dizer que os mantemos por perto não apenas porque são importantes, mas também (ou principalmente) porque estamos sentimentalmente ligados a estes objetos. É claro que às vezes estamos apegados ao valor material que isso ou aquilo tinham quando compramos – e agora nem tem mais! – mas normalmente nosso apego é emocional.

E como é difícil se desfazer de algo quando nos apegamos, não? Tenho acompanhado, durante anos de trabalho em clientes, os mais variados tipos de apego. Já vi desde gente apegada ao vestido usado no casamento (super comum, aliás) até pessoas apegadas a anotações em papel cujo significado é indecifrável até para ela!

Se você está às voltas com armários e caixas cheios – ou nem tão cheios assim – de objetos e, por qualquer motivo, precisa ou quer o espaço livre, saiba que, com cuidado, tempo e uma boa dose de motivação, você pode desentulhar seus armários… e se libertar do apego. E, antes que alguém reclame, não estou defendendo aqui que você tire da sua vida tudo o que vem guardando, mas que invista seu tempo em conceber uma coleção especial e significativa de itens verdadeiramente importantes para você, seja ontem, hoje ou no futuro.

Sabe os dentinhos que nossos filhos entregaram para a Fada do Dente? Então… esses ficam!  E você pode comprar uma caixa bacana para que, lá na frente, possa entregar à criança não somente seus dentinhos, mas quem sabe as cartinhas que ela escrevia para o Papai Noel? Entendeu a pegada da minha proposta?

Pronta para começar a tomar o controle das suas lembranças? Então mãos à obra:

Passo no. 1 – Invista no máximo 1 hora em cada sessão de descarte

Não adianta reservar o sábado todo para mexer nestas memórias. Organizar o passado não é como organizar a geladeira. Na geladeira precisamos apenas checar itens vencidos ou alimentos que não vamos mais consumir, certo? Nos armários em que guardamos lembranças e memórias não há exatamente coisas vencidas, mas nosso passado em forma de fotos, objetos, roupas e anotações. Por isso tenha em mente que lidar com estes itens será como lidar com suas emoções passadas. E às vezes poderá doer em pouco… Sendo assim, reserve em sua agenda diversos períodos de 1 hora (contados no relógio). Não importa quanto demore para finalizar. Mais importante é você não se cansar excessivamente e conseguir manter o foco. Só não vale fazer uma hora esta semana e outra no mês que vem, ok?

Passo 2.  Olhar – avaliar – decidir – despedir-se

Quando estamos em momentos de descarte, o processo de tomada de decisão (do que vai e do que fica) funciona como um músculo: quanto mais usamos, mais ele funciona! Isso significa que no começo você vai relutar em dar um novo destino a diversos itens. No entanto, bastará começar o processo de olhar um item, avaliar a real necessidade dele na sua vida e dizer “Vai!” que você pegará no ritmo mais rapidamente. Tente fazer assim:

1)     Olhe. Abra o armário e retire um pequeno lote de objetos (algo como uma caixa ou duas prateleiras)

2)     Avalie. Olhe para o objeto e pense num ótimo motivo para ele permanecer com você. Para que o objeto fique, você deve TER um motivo, e não CRIAR um motivo. Ou seja, se você precisa criar um motivo para que algo fique na sua vida, deverá descartá-lo, ok?

3)     Decida. Está precisando criar um motivo para que o objeto fique na sua vida? Então chegou a hora de descartá-lo, dar um novo destino, um novo lar. Um exemplo básico: você herdou taças vintage e lindas da sua avó, mas nunca usa. Quando olha as taças, tem até dó de usá-las. Pergunto: qual bom motivo você tem para manter estas taças em casa se tem pena de usá-las? Por que eram de sua avó? Huumm… precisamos de mais para que as taças permaneçam. Sendo assim, que tal doar para aquela prima que a-d-o-r-a receber e certamente vai utilizar as taças?

4)     Despeçase. Olhe novamente o objeto e prepare-se para a despedida. Se for algo delicado, providencie a embalagem adequada para que chegue intacto ao novo destino. Se tiver de dar alguma orientação sobre o uso, escreva. Se apenas tiver de colocá-lo numa caixa, faça isso. Despeça-se. E siga para o próximo objeto.

Daqui em diante bastará ter disciplina para seguir com os períodos de 1h para dar continuidade ao processo de desentulhar seus armários e se desapegar do que não precisa mais. Se for preciso, peça ajuda de amigos, que enxergam os objetos sob uma ótica diferente e nos ajudam a pensar no porquê das coisas.

 

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  • Ingrid Lisboa

    Para a mãe do Emiliano e criadora da consultoria Home Organizer, o segredo de uma casa em ordem é descomplicar. Ela escreve no canal Tudo organizado

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