Lesão avermelhada na pele pode ser impetigo


Dra. Carla Bortoloto
por: Dra. Carla Bortoloto
Médica especializada em dermatologia clínica e cirúrgica

Um dos cuidados na hora de tratar o impetigo é orientar a criança a não coçar as lesões. As unhas devem ser cortadas bem curtas para que, caso ela coce, não se machuque, evitando uma nova infecção (foto: arquivo It Mãe)

Sei que na pele delicada das crianças, nenhuma alteração passa despercebida aos olhos da mãe. E nem deve! Entre as manifestações que podem chamar a sua atenção (e deixar você preocupada) está o impetigo, uma das dermatoses infantis mais comuns. Vou explicar que é isso e como tratar.

Popularmente conhecida como impinge, essa infecção bacteriana contagiosa acomete principalmente crianças de 2 a 5 anos de idade, mas adultos também podem desenvolvê-la.

Causada pelas bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, ela costuma atingir as camadas superficiais da pele, provocando feridas avermelhadas e cheias de líquido amarelado.

Seu contágio ocorre por meio do contato direto com as lesões de uma pessoa infectada ou com itens contaminados, como brinquedos e roupas. Além disso, a permanência em locais fechados e com grande fluxo de pessoas, como creches e escolas,  podem facilitar a transmissão da doença. Lesões na pele causadas por picadas de inseto ou outro tipo de ferimento, também podem servir como porta de entrada para bactérias e, consequentemente, para o impetigo.

A doença pode ficar incubada por um período de quatro a dez dias. Nesta fase, mesmo sem nenhum sintoma,  a criança pode transmitir o impetigo.  

Passada a fase de incubação, a doença pode se apresentar de três formas: no impetigo comum há o surgimento de pequenas lesões nas regiões do rosto, braços e pernas   semelhantes às picadas de pernilongo, que logo evoluem para lesões maiores e com pus. Quando estouram, formam uma crosta cor de mel. Com o passar do tempo, as casquinhas caem, sem deixar cicatriz na pele.

Mais comum em bebês e crianças em fase pré-escolar, o impetigo bolhoso apresenta, no início, lesões semelhantes às do impetigo comum, entretanto evolui rapidamente para bolhas maiores, cheias de líquido amarelado. Ao romper, dão lugar a lesões vermelho-vivo, úmidas e infladas, vindo a desaparecer depois, sem deixar marcas. Peito, braços, abdômen e nádegas são as áreas mais atingidas por esse tipo da doença, que pode vir acompanhada de febre e mal-estar. 

Já a ectima – forma mais severa do impetigo – acomete as camadas mais profundas da pele, com lesões que evoluem para úlceras cutâneas dolorosas e com pus. Elas surgem principalmente nas pernas e suas crostas grossas deixam cicatrizes após curadas. Além disso, a ectima é acompanhada por linfonodos (gânglios linfáticos) aumentados próximos às feridas.        

Como tratar?

          Para o tratamento do impetigo serão prescritos, pelo dermatologista, antibióticos de uso oral ou tópico, em forma de cremes ou pomadas, de acordo com o caso.

Alguns cuidados simples no dia a dia também ajudam.  Para começar, deve-se orientar a criança a não coçar as lesões e as unhas devem ser cortadas bem curtas para que, caso ela coce, não se machuque, evitando uma nova infecção.  

As lesões devem ser lavadas cuidadosamente com sabonete de pH neutro e, após enxaguadas e secas, cobertas com gaze. Lembre de usar luvas todo o tempo – da higienização das feridas à aplicação do antibiótico tópico – e de lavar bem as mãos depois.  Lençóis, toalhas e roupas da criança devem ser lavados diariamente e não compartilhados. De maneira geral, o impetigo apresenta alta taxa de cura. 

 

 

  • Dra. Carla Bortoloto

    Médica especializada em dermatologia clínica e cirúrgica, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica (SBDCC), ela acredita no papel fundamental das mães em passar aos filhos a importância dos cuidados com a pele, cabelo e unhas

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