Meu filho bateu a cabeça. E agora?


Malu Echeverria
por: Malu Echeverria

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Bater a cabeça faz parte do pacote, não adianta proteger demais o seu filho! (Foto: 123RF)

A queixa é comum no pronto-socorro. Como nem sempre a gente consegue manter a calma na hora do acidente, a criança se assusta e chora mais ainda. O resultado, já sabe: família voando para o hospital. Mas mesmo que um galo na testa assuste, quase nunca é grave. Veja o que diz o pediatra Hamilton Robledo, da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo.

It Mãe: Por que as crianças batem tanto a cabeça?
Hamilton Robledo:
É comum, principalmente, quando começam a andar até os 2,3 anos de idade. Isso porque elas ainda não se equilibram bem, além de se distrair com frequência. Também têm dificuldade para calcular distância e tamanho: ao entrar embaixo da mesa batem e, ao sair, novamente! Sem falar que, mesmo que não saibam andar direito, correm.

It Mãe: Quais os tipos de quedas mais comuns na infância? Tem como evitá-las?
Hamilton Robledo:
A mais frequentes são da cadeira, do sofá, da escada, no banheiro e do próprio carrinho. Não dá para deixar a criança pequena sozinha, o adulto deve ficar sempre atento. É necessário, ainda, evitar brincadeiras em pisos escorregadios, como o da cozinha e o do banheiro. No carrinho ou no bebê-conforto, é preciso checar se o bebê está seguro (ou seja, preso com o cinto de segurança). E jamais colocar o bebê-conforto sobre mesas, cadeiras e sofás, pois a criança se mexe e pode cair. Por último, quem tem escadas em casa precisa colocar grades de proteção em cima e embaixo.

It Mãe: O que fazer na hora do acidente?
Hamilton Robledo:
Os pais podem colocar gelo no local em seguida ao trauma para impedir que ele fique volumoso. Mas nem sempre é necessário ir ao pronto-socorro imediatamente. O ideal é, a princípio, observar a criança antes. É muito importante avaliá-la do ponto de vista neurológico por dois ou três dias, buscando sintomas como sonolência excessiva, vômitos, torpor (criança só quer ficar deitada, não fica em pé, não pega brinquedos), marcha (checar se ela anda cambaleando, em vez de em linha reta), dor de cabeça (além do local da batida).

It Mãe:  Então se ficar um galo não precisa correr para o pronto-socorro?
Hamilton Robledo:
O traumatismo craniano popularmente conhecido por galo (por conta do nome científico, hematoma galeal) é causado pelo extravasamento de sangue entre o couro cabeludo e a calota craniana. Embora assuste muito os pais, o tamanho não quer dizer muita coisa.

It Mãe: O que vai determinar a gravidade da batida, então?
Hamilton Robledo: Como disse, depende do estado neurológico da criança. Quanto mais alterações apresentar, mais se torna necessário examiná-la e realizar exames, como uma tomografia computadorizada de crânio, por exemplo, para identificar hematomas. Os pais só precisam levar o filho ao hospital imediatamente, portanto, se ocorrer perda da consciência (tanto momentânea, quanto mais demorada), vômitos persistentes, sonolência excessiva (a criança não responde, abre o olho e não fala nada), desorientação (não consegue andar ou não consegue segurar nada), palidez e convulsão.

It Mãe: E não podemos deixar a criança dormir depois que ela bater a cabeça?
Hamilton Robledo: De fato, se ela dormir não vai dar para observar seu quadro neurológico. Mas se o acidente aconteceu próximo ao horário da soneca, por exemplo, os pais podem deixá-la descansar por uma hora. Devem ficar de olho na respiração e, após esse intervalo, têm de acordá-la e incentivá-la a brincar para verificar como ela reage.

  • Malu Echeverria

    Jornalista, mãe do Gael e redatora-chefe do It Mãe. Para ela, é essencial colocar a máscara de oxigênio primeiro na gente, depois na criança

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