5 dicas para ajudar crianças com autismo na hora das refeições


Patrícia Junqueira
por: Patrícia Junqueira

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Deixar a criança com TEA brincar com a refeição pode ajudar, sabia? (Foto: CrayonStock)

No mês em que comemoramos o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, decidi abordar um assunto que é bastante difícil para os pais dessas crianças: a alimentação. Embora muitos não saibam, crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ter dificuldades na hora de comer, o que impacta no momento da refeição de toda a família. Para começar, a socialização das refeições para elas é um enorme desafio. Outro ponto diz respeito a mudanças, tema complicado para as pessoas nessa condição – muitos querem as coisas ao seu redor, sempre da mesma maneira e em determinada ordem. Assim, os cheiros, sabores, temperaturas, sons e aparência das refeições, combinadas com a fala, a socialização e o ambiente em constante mutação, podem não só reduzir o prazer, mas ainda causar estresse ou desejo de fugir da situação.

Observamos também a neofobia (medo do novo), que é comum em crianças menores, como outra possível causa das restrições alimentares e peculiaridades das refeições dos autistas. Cada criança pode ter sua própria lógica, que os pais nem sempre conseguem compreender. Por isso, uma sutil mudança na comida, que outros talvez nem notassem, torna-se algo que incomoda a criança com TEA. Listo a seguir sugestões que podem ajudar as famílias de crianças com TEA a superar tais obstáculos e tornar o encontro à mesa mais harmonioso para todos.

1) Ofereça o mesmo alimento diversas vezes

Normalmente, um alimento novo tem de ser apresentado no mínimo dez vezes para que uma criança se familiarize com o mesmo. Já as crianças com TEA podem necessitar de mais exposições do que isso. Seja paciente! E, caso a comida seja rejeitada, tente novamente mais adiante.

2) Envolva a criança no preparo da refeição

Considere envolver a criança, de acordo com a idade, em atividades associadas à rotina das refeições. Essas experiências podem começar com interações como escolher fotos de comida em uma revista ou brincar com alimentos de plástico e/ou madeira. A criança pode também ajudar, claro, no preparo dos alimentos. Por exemplo, fazendo ou temperando a salada, decorando a pizza etc. Isso vai fazer com que se acostume ao cheiro, à textura (por meio do toque) e até mesmo ao gosto dos alimentos.

3) Permita que ela brinque com os alimentos

Incorpore os alimentos às brincadeiras da criança. Os alimentos podem ser, por exemplo, usados como carga para caminhões ou trens, assim como para ensinar cores, formas, tamanhos e até mesmo conceitos de matemática. Ao tornar a refeição um momento lúdico, a família também favorece a socialização da criança (mas isso varia, claro, conforme o grau do TEA).

 

4) Faça arte com a comida             

A comida é um excelente meio para projetos de arte. As crianças podem fazer pintura a dedo ou pintar com pincéis com alimentos úmidos, como iogurte ou pudim. Também dá para usar migalhas coloridas para fazer uma imagem em uma folha em branco ou livro de colorir. E que tal utilizar algumas frutas e legumes podem ser usados ​​como carimbo? O macarrão, um clássico dos trabalhos de arte infantis!, pode ser colado em papeis e cartolinas.

5) Redefina o verbo experimentar

Quando pedimos a alguém para “experimentar”, nós queremos dizer: “aqui tem um alimento, e eu espero que você goste”. Para a criança muito sensível ou neofóbica, ouvir isso pode ser assustador. Então, para favorecer o relacionamento das crianças com TEA com a comida, use os verbos brincar, cheirar, tocar, beijar, “ficar amigo” dos alimentos.

Cada criança é diferente e sua relação com os alimentos tem sua própria lógica. Nem mesmo os adultos gostam de tudo, não é verdade? Por isso, fazer com que se sintam mais à vontade na hora das refeições, de modo que possam comer o que mais gostam. Mas isso leva tempo e, se os pais contarem com suporte especializado, melhor ainda!

  • Patrícia Junqueira

    Fonoaudióloga há 25 anos e Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp. Mãe do Felipe e do Tiago, ela idealizou e criou o Instituto de Desenvolvimento Infantil para atuar e divulgar seu olhar integrado para o desenvolvimento e necessidades fonoaudiológicas de bebês e crianças

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