Marcos Mion: hashtag família em primeiro lugar


Patricia Gattone
por: Patricia Gattone

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Mion e a família em férias na Legoland, na Flórida (EUA) (Foto: Reprodução Instagram @marcosmion)

O apresentador Marcos Mion, 36, à frente do programa Legendários na TV Record, sempre mostrou seu lado irreverente e engraçado na telinha. Mas quando o assunto é família, Mion leva muito a sério cada detalhe, incluindo a importância de ser um pai participativo na vida dos filhos, como mostra nas fotos das redes sociais com a hashtag #FamilyFirst. “Mesmo trabalhando tanto quanto eu trabalho, tento participar de todas as coisas. Já teve situação em que eu peguei um voo internacional para assistir uma apresentação da minha filha. Depois de duas horas, eu estava no aeroporto de novo. Meus filhos não têm nada a ver com meu trabalho, eu tenho de estar lá como pai”, acredita.

Não poderia ser diferente: para ele, ter filhos é um sonho antigo. “No meu aniversário de 16 anos, ao assoprar as velas, pedi para ser pai antes dos 22”, recorda. “Até namorava mulheres mais velhas para ser pai logo. Mas não consegui, porque afugentava as meninas… Acho que também não deu certo porque eu tinha de conhecer a Suzana e foi perfeito!”, diz, referindo-se à esposa Suzana Gullo, 38, à qual ele vive se declarando nas redes sociais. O primeiro filho do casal, Romeo, de 10 anos, tem o transtorno do espectro autista (TEA), o que os levou a se preservar do público no início, a fim de compreender melhor a situação. Segundo o pai, eles precisavam disso para focar totalmente no desenvolvimento da criança, o “anjo azul”, como as famílias chamam os filhos autistas. Casados há onze anos, eles também são pais de Stefano, 6, e Donatella,7.

Atrasado para a entrevista, o apresentador pediu desculpas ajoelhado . Sem problemas, Mion, sabemos como pode ser complicada a agenda de pais e mães, especialmente em uma grande cidade como São Paulo. Mas ele garantiu que o bate-papo valeria a pena. Quer conferir?

It Mãe: Como você ficou sabendo que seria pai?
Marcos Mion: Antes de engravidar, a gente brincava que íamos ter um feijãozinho. Aí ela me deu uma caixinha, como se fosse de joia. E quando abri tinha um feijãozinho, comecei a chorar na hora. Foi um momento lindo.

It Mãe: Como você procura estar presente no dia a dia das crianças?
Marcos Mion: Eu sou o pai e o marido que sou hoje devido à criação que tive dos meus pais. Eu via minha mãe se desdobrar em ‘30’ pra cuidar do consultório e estar junto com os filhos. Então, eu procuro sempre participar de tudo. Lembro que teve uma época que eu dormia muito pouco por causa do trabalho, ia deitar às 4h da manhã. Mas às 7h já estava de pé porque tinha a natação dos meus filhos. Eu podia muito bem pedir para babá acompanhar as crianças, no entanto, levantava e ia eu mesmo. Caía na água dormindo e acordava. Mas nunca deixei de estar com eles.

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Mion e Suzana estão casados há onze anos (Foto: Reprodução Instagram @marcosmion)

It Mãe: Você fala muito de valores em seus posts, nas redes sociais. Como você tenta passar isso aos seus filhos?
Marcos Mion: Tive uma criação muito “feminina”. Lembro que quando virei adolescente e comecei a sair com as meninas, minha mãe sentou comigo e falou: “não fala que você ama, se você não amar”. Então, esse respeito pela mulher é algo que foi enraizado em mim. Acredito muito nisso de passar (valores) de geração para geração. Não quero nunca que meus filhos olhem pra trás e achem que foi “por falta de alguma coisa”.

It Mãe: Qual a diferença de ser pai de menina e menino?
Marcos Mion: Olha, no caso de ser pai de menina, há duas coisas: tive muita influência do meu sogro. Ele era sempre muito protetor e presente na vida da Suzana. E segundo lugar, acredito que seja um instinto. Quando a Donatella nasceu, virei uma “leoa” mesmo. Era a minha princesa, não teve jeito, foi um grude instantâneo. Ela mal falava e já me “ganhava” de um jeito inocente. Um dia eu estava no quarto e o Stefano veio me pedir para comer chocolate. Era no meio da tarde, então, respondi: “não, filho, come uma fruta, um lanche, chocolate, não”. Depois que ele saiu, ouvi a conversa dele com a irmã, que logo emendou: “mas Stefano, você fez tudo errado. Tem que falar assim, papaizinho do meu coração, te amo tanto, por favor, deixa eu comer chocolate.” A menina sabe lidar com o pai de uma forma única. A Donatella dá nó em todos os irmãos e inclusive em mim (risos). Mas no fundo, independentemente de ser menina ou menino, eu acho que todo pai tem o amor igual pelo filho, eu quero e gosto de acreditar nisso. Falo com muita humildade.

It Mãe: Como foi descobrir que o Romeo era autista?
Marcos Mion: Eu juro que não tive um segundo de medo porque fosse ele do jeito que fosse, era o filho que eu tanto quis na minha vida. Mesmo a parte difícil, que obviamente teve, para mim estava dentro do pacote de ser pai. A única coisa que eu tinha certeza era que ele precisava de mim e eu estaria do lado dele para o que fosse preciso. Sempre recebi isso como uma benção, um presente de Deus, juro. O amor fala mais forte.

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#FamilyFirst é uma das hashtags mais usadas pelo apresentador nas fotos com os filhos (Foto: Reprodução Instagram @marcosmion)

It Mãe: Houve momentos de reclusão da família?
Marcos Mion:
Isso, sim. Porque você não sabe como vai ser. Pode ser que não aconteça nada, como pode acontecer algo. Quando você está na fase da batalha, sente que ainda não é o momento de se expor. Deixamos de ir a muitos lugares, então. Eu e a Suzana fizemos a primeira viagem sozinhos há três anos, quando o Romeo já tinha 7 anos de idade. A gente realmente se dedicou de corpo e alma ao nosso anjo e presente de Deus. Como há muito julgamento dos outros, fomos nos fechando. Mas quando compartilhei publicamente essa questão era porque tínhamos decidido que era o momento, queríamos viver de verdade e com a verdade. Hoje em dia é mais tranquilo, o Romeo leva uma vida normal e quem olha de fora só acha que ele é tímido. Mas no começo não tinha muito controle. Tinha que pegar o Romeo no colo e ir embora com ele bravo. E as pessoas criticavam: nossa, que pai, deixa a criança nesse estado. Hoje, no entanto, a família toda sai junto, vai a babá, meus três filhos, a sogra, minha mãe, o primo. Em lugares onde as pessoas não sabem sobre o Romeo, como quando viajamos ao exterior, a gente faz algumas adaptações, como chegar num restaurante e avisar as mesas ao lado que pode haver um pouco de bagunça ali. Dizemos para ficarem à vontade, caso queiram mudar de lugar. E as pessoas não se assustam mais.

It Mãe: Os irmãos têm ciúmes do Romeo, já que ele demanda uma atenção especial?
Marcos Mion:
Há um estudo muito sério que diz que a grande maioria de irmãos de filhos especiais cresce sem acreditar em si mesmo, se sentindo abandonada, sem autoestima, porque os pais só dão atenção para o filho especial. Minha mãe é psicanalista e independentemente disso o Romeo sempre teve uma psicóloga, desde o começo, com quem a gente conversa muito. E eu procuro ler bastante sobre o assunto também. Toda vez que a gente ia pra fora eu tentava conversar e compreender o melhor jeito de lidar com isso, até que esse estudo chegou até nós. Hoje, dividimos o tempo entre eles, o que é fundamental. Até porque o Romeo fica muito comigo. Então, quando o Stefano vem mostrar alguma coisa, eu explico ao Romeo: filho, agora eu vou falar com o seu irmão, tá? Daqui a pouco o papai volta e fala com você de novo. Tem que ter essa divisão de tempo. E aí, com isso, eu dou 100% de atenção que o outro também precisa. Porque todo pai tem o instinto de ajudar quem está precisando mais, então, é importante ter essa consciência.

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Pai fisiculturista, brincou Mion nas redes sociais (Foto: Reprodução Instagram @marcosmion)

It Mãe: É possível ter vida a dois depois que se tem filhos?
Marcos Mion:
Olha, dizem que “o maior anticoncepcional é casar” (risos). Mas eu e a Suzana não somos diferentes de ninguém, a gente passou por todas as fases que um casal enfrenta. Sinceramente, uma coisa que eu sempre falo para ela é que, graças a Deus, a gente nunca desistiu. Porque a gente não saberia o que é chegar até aqui e ver o quanto tudo que a gente passou – dúvidas, brigas – ia valer a pena, e que no final das contas estava reservado um amor de verdade. Eu acho que o amor se torna verdadeiro no momento em que ele passa por todas as dificuldades. É fácil casar para separar, muito fácil. No entanto, acredito que a instituição do casamento se torna real no momento em que você sabe que não vai se separar e vai ter que enfrentar tudo junto. Já teve dias em que eu não queria dormir ao lado da Suzana e nem ela do meu lado, como qualquer casal. Tem hora que você fala “meu, não vai dar mais”. Depois passa uma semana e você está amando a pessoa mais do que quando vocês se conheceram. Optamos por ficar juntos, deixamos o amor vencer. E vale muito a pena, de verdade.

  • Patricia Gattone

    Jornalista e autora do blog Espaço de Mulher (www.espacodemulher.com), é casada e apaixonada por tudo que envolve o universo feminino.

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