Por que estamos tão ansiosas?


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

Ataques de ansiedade podem indicar algo mais sério: não existe em buscar ajuda de um especialista (Foto: Freeimages)

Um estudo da Universidade de Cambridge (publicado em 2016) mostrou resultados preocupantes: os transtornos de ansiedade são duas vezes mais comuns nas mulheres do que nos homens. E mais: este número elevado de mulheres ansiosas independe de classe social ou etnia. Mas afinal, por que estamos tão ansiosas? Como saber se a ansiedade que sentimos faz parte das preocupações do dia-a-dia ou está passando dos limites?

Quase todos os dias, dentro e fora do consultório, me deparo com mulheres se queixando de irritabilidade, falta de paciência, insônia. A grande maioria de nós sente-se sobrecarregada com os excessos da vida cotidiana. Intermináveis tarefas nos trazem um sentimento de preocupação constante, além de nos custar um estado de alerta permanente. Não é nada fácil, você sabe, enfrentar diariamente o eterno dilema de como conciliar carreira e maternidade. Mesmo que você não esteja passando por nenhuma situação delicada, questões “menores”, como o gerenciamento da casa e da rotina com as crianças, acabam pesando no fim do dia. Isso sem falar da violência nos centros urbanos, uma preocupação sem fim. Tudo isto cansa, esgota e pode fazer com que, vez ou outra, o equilíbrio seja perdido. Por conta disso, talvez você se identifique com algumas (ou todas!) as alternativas abaixo:

– Perde a paciência com os filhos e elevar o tom de voz de vez em quando;

– Não tem disposição para ler o livro preferido das crianças com frequência;

– Perde o sono na véspera daquela reunião importante de trabalho;

– Rói as unhas e sente aquele “friozinho na barriga” durante o campeonato de futebol do seu filho;

– Treme as pernas e sua em excesso quando leva seu filho para tomar vacina, já sabendo do escândalo que ele costuma fazer nesta situação.

Mas, calma, porque tudo isso é normal! Uma dica essencial para enfrentar uma rotina puxada é arranjar tempo para você. É a velha história: “quem não tem tempo para cuidar da saúde vai ter que arrumar tempo para cuidar da doença”. Reserve espaço também para fazer o que lhe dá prazer. Encontre o seu centro! Acupuntura e meditação, como você já deve ter ouvido falar, ajudam de verdade, uma vez que aliviam o estresse e acalmam a mente. Além disso, inclua atividades físicas na sua lista de afazeres, pelo menos até se transformarem num hábito. Se você não gosta de nenhuma, escolha a “menos pior”, porém mantenha a persistência. Está mais do que comprovado cientificamente: a liberação da endorfina que ocorre no organismo durante a prática da atividade física auxilia na melhora de sintomas de depressão e ansiedade. A psicoterapia e o apoio da família (que tal uma conversa franca com o parceiro sobre divisão de tarefas em casa?) certamente serão grandes aliados neste processo de reequilíbrio.

Mesmo assim, as coisas podem se agravar em alguns casos. Por isso, se você chora muitas vezes sem motivo, tem insônia frequente ou é acometida por sintomas físicos como náuseas, dores no estômago, taquicardia, entre outros, é bom ficar atenta. O excesso de ansiedade costuma se manifestar por meio de alguns indicadores, como:

– Medo paralisante, que te impede de ter uma vida rica e produtiva. Exemplos: medo de sair de casa, de dirigir, de frequentar lugares públicos;

– Ataques imprevisíveis e recorrentes de ansiedade, com início súbito, acompanhados de sintomas físicos, tais como: tremor, sudorese, palpitação, tontura, dor no peito;

– Insônia recorrente;

– Preocupação incapacitante, acompanhada de ansiedade antecipatória (medo de adoecer, medo de que algo grave possa lhe acontecer e, até mesmo, medo de morrer).

Se você se identificou com algum dos indicadores que mencionei acima, talvez seja hora de pedir socorro e recorrer à ajuda especializada. Veja bem, é preciso ter cuidado com o excesso de medicalização, de diagnósticos e da busca por soluções mágicas. Vale lembrar que somente um profissional qualificado é capaz de fazer o diagnóstico correto e prescrever o melhor tratamento. Em casos mais extremos, onde a ansiedade vem trazendo prejuízos significativos à rotina, o respaldo medicamentoso devidamente orientado pelo médico (geralmente um psiquiatra) também pode ser útil. Assim como a psicoterapia e o suporte da família, reforço mais uma vez.

Que a coragem e a serenidade sejam sempre nossas companheiras de jornada. Fique tranquila: quando “perdidas”, elas podem ser resgatadas!

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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