Licença-maternidade: como se preparar emocionalmente para voltar ao trabalho


Luciana Romano e Raquel Benazzi
por: Luciana Romano e Raquel Benazzi

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Pode ser difícil no começo, mas a separação é necessária para você retomar outros papéis (Foto: CrayonStock)

Chegou a hora de voltar ao trabalho e você está de coração partido só de pensar em se separar do seu bebê? Calma! O fim da licença-maternidade, de fato, pode ser bastante penoso para boa parte das mães. Estarei causando algum mal ao meu filho? Será que vão cuidar bem dele? Ele vai deixar de gostar de mim? A fase é marcada por angústias, preocupações e também fantasias! Por isso, a mãe pode achar que está abandonando o filho, já que não estará mais presente o tempo inteiro, e ficar cheia de culpa. Mas saiba que essa separação também é saudável para vocês, como vamos contar a seguir.

Do ponto de vista psicológico, é esperado que o bebê se sinta inseguro longe dos pais – e essa ansiedade provocada pela separação faz parte do crescimento e ajuda na estruturação do ego. Mas nas pequenas situações do dia a dia, à medida que o mundinho dele se expande, seu filho vai percebendo que você aparece e reaparece novamente. E ainda que esse momento seja difícil para você também, como escutamos com frequência, ele é essencial para que a mãe retome outros papéis sociais, como o de esposa e profissional.

Para essa volta ser mais tranquila, porém, a palavra-chave é planejamento. É importante saber que essa separação aconteça em doses homeopáticas, digamos assim. Comece, pelo menos, um mês antes do fim da licença. Você pode sair por uma hora (que tal ir à manicure?), depois aumentar mais um pouco e, até chegar o momento de voltar ao trabalho, sempre prestando atenção às reações do bebê. Reforçamos que a adaptação não é só do bebê, mas sua também, já que um período de mudanças internas e externas vem por aí!

Nesse processo, informe-se sobre os detalhes relacionados ao trabalho, como o tempo para ir e voltar, a flexibilidade nos horários, os benefícios oferecidos às mães (creche, etc.), entre outras dúvidas. E, claro, os pais devem definir quem vai cuidar da criança na ausência deles: berçário, babá, familiares? Seja qual for a sua escolha, sentir segurança na pessoa que tomará conta do seu filho, pois ela ficará responsável não apenas pelos cuidados básicos, como será coadjuvante na educação dele. Aproveite esse período da licença-maternidade para supervisionar tais cuidados, o que lhe deixará mais segura quando não estiver por perto.

Quando finalmente chegar o grande dia, você pode se sentir estranha e distante no trabalho, já que seu pensamento estará em casa. Ligue para falar com ele ao longo do dia, ouvir a voz da mãe também vai fazer bem ao seu bebê nesse começo. Não deixe de compartilhar suas emoções, seja com amigas ou colegas, pois dessa forma conseguimos olhar a situação por outros pontos de vista e encontramos novas formas de ação, isso sem falar que dá um alívio!

Seu filho chorou muito nos primeiros dias? É normal. Com o tempo, vai passar. Vale reforçar que a rotina do bebê deve ser a mais parecida possível com a que vivia com a mãe, obviamente. E, se achar necessário, deixe uma roupa para que ele sinta seu cheiro. A partir de agora, suas tarefas vão aumentar e o tempo, diminuir. Tome cuidado, apenas, para não querer ser perfeita e dar conta de tudo sozinha! Você será mãe 24 horas por dia, 7 dias por semana, não importa a distância e a idade do seu filho. A volta ao trabalho é apenas mais uma etapa (difícil) desse processo, que vai ajudar no seu crescimento, acredite.

  • Luciana Romano e Raquel Benazzi

    Psicólogas com formação em Psicologia Clínica e Hospitalar, são idealizadoras e sócias do Núcleo Corujas, espaço especializado em Gestantes e Mães

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