Como Débie enfrentou a UTI neo-natal


Daniela Folloni
por: Daniela Folloni
Jornalista fundadora e diretora de conteúdo do Portal It Mãe

Débie e Cecília aproveitando cada momento depois do susto no nascimento (foto: arquivo pessoal)

Olá, me chamo Débie tenho 32 anos e moro em Garibaldi na serra gaúcha…

 

Engravidei em janeiro de 2010… Gravidez mega tranquila… Tudo correndo maravilhosamente bem… Então com 35 semanas e 6 dias de gestação em uma ecografia de rotina perdemos o chão…

 

No meio do exame a médica disse que nossa filha Cecília tinha uma hérnia… Uma hérnia diafragmática… Sem entender muito bem o que era, saímos de lá desnorteados… Chegando em casa fui direto pesquisar na internet e aí percebi que a coisa era muito grave!

 

 

A hérnia diafragmática congênita é um furinho no diafragma… O diafragma é o músculo que divide os órgãos do tórax e do abdome e ajuda no movimento de respiração. Quando há esse furinho (HDC), os órgãos do abdome sobem para o tórax e isso  prejudica o desenvolvimento dos pulmões. Causa também o deslocamento do coração… Na net só encontrei casos de óbito… Perdi o chão! Queria morrer!!

 

 

Nosso obstetra disse que a melhor chande de salvar nossa filha era irmos a Porto Alegre distante 100 km de Garibaldi…

 

 

O tempo era curto. Era impossível não se apavorar. Não conhecíamos nada e praticamente ninguém em Porto Alegre, mas era a única chance…

Conseguimos o nome de um cirurgião que nos informaram ser o melhor cirurgião da região e dias depois com um carro da prefeitura aqui de Garibaldi fomos pra lá…

Ele foi bem direto, disse que era uma má formação muito grave e que podia ser complicado ou simples, dependeria de como ela nasceria… Nesse mesmo dia por indicação do cirurgião consultei o obstetra e a data do parto ficou para o dia 24 de setembro… Eu evitava ao máximo sair de casa, para evitar que o povo ficasse perguntado coisas que eu não saberia responder… Me isolei e orava dia e noite pedindo pela saúde da minha filha… Conversava muito com ela e dizia que ela passaria por momentos difíceis mas que estaria sempre com ela…

 

No dia 21 de setembro as 6:30 da manhã minha bolsa rompeu… Por sorte conseguimos uma ambulância da prefeitura que passou nos pegar as 7:30 e seguimos para Porto Alegre… Chegamos ao Hospital Moinhos de Vento e a tensão começou a tomar conta… Na hora do parto tive um bloqueio nervoso, a anestesia não pegou e tive que ser sedada… Não a vi nascer, não a escutei chorar…

Na recuperação, conhecemos a neonatologista que iria cuidar dela e as noticias não foram boas… Disse que a hérnia era muito maior do que imaginavam e que o estômago, as alças intestinais e também um pedaço do fígado haviam subido para o tórax…

 

Nesse momento achamos que a perderíamos… Meu marido e eu passamos as 4 horas na recuperação chorando e clamando a Deus pela vida dela… Desolados, estávamos vendo nosso mundinho cor de rosa ruir…

 

À 1 da manhã do dia 22 de setembro, me levaram até a UTI para conhecê-la… Ela estava entubada, com a respiração bem ofegante e muito pálida… Fiquei apavorada!!!! Pedi para me levarem embora… Achei que ela não resistiria, eu não queria ver ela morrendo na minha frente! Foi a primeira vez que perdi o controle sobre mim… Estava tremendo de medo! Choramos a noite toda nos questionando por que aquilo estava acontecendo com a gente…

 

De manhã cedinho, a pediatra passou no quarto e disse que queria a gente lá na UTI dando força pra Cecília, pois ela precisava de nós… Foi então que a coragem brotou! Disse ao meu marido que independentemente de ela morrer ou viver, era nossa filha e tínhamos que estar ao lado dela sempre! Fomos para a UTI e ela estava com a respiração mais controlada, estava mais rosada e eu pude então ver como ela era linda, como lutava pela vida e como eu me orgulhava dela…

 

A cirurgia para correção da HDC foi feita no dia 24 de setembro e foi um sucesso! Com 7 dias de vida pude ouvir pela primeira vez seu chorro e dar o primeiro colinho! Não cabia em mim de tanta felicidade. O sonho começava a se tornar real… Mas ela não ficou muito tempo sem o oxigênio e voltou para o tubo…

 

Com 46 dias, os drenos foram retirados e enfim podemos pegá-la no colo e fazer planos. Já que foi a primeira vez que ouvimos da pediatra que ela iria pra casa com a gente…

 

Com Cecília fora da UTI, depois de 46 dias, o casal começou a fazer planos (foto: arquivo pessoal)

 

Quando engravidei, jamais imaginei passar por coisas desse tipo… Nunca me vi numa situação dessas… Longe da família e dos amigos… A força com certeza veio de Deus… Por que a dor de ver um filho nessa situação é terrível…

Meu marido e eu vendemos nossa empresa e nos dedicamos 100% a nossa filha… Ficamos juntos o tempo todo! Foram 62 dias de UTI. Foram longos dias, vivíamos guerras diárias, chegávamos em casa destruídos… O emocional da gente simplesmente fica em frangalhos… Cecília passou por inúmeros altos e baixos, e contrariando os piores prognósticos ela venceu a HDC!

 

Recebemos alta no dia 7 de Dezembro de 2011 e o maior presente eu ganhei 2 dias antes quando ela foi liberada para mamar no peito. Durante todo o período da internação eu segui coletando leite para que ele não secasse e fui agraciada com a prazer de poder dar de mamar a ela… O sonho estava completo!

 

Cecília se mostrou uma guerreira e nos ensina lições preciosas todos os dias… Quando olho para trás, lembro, sim, do sofrimento que passamos, mas lembro da coragem e da força dela. E como poderíamos desistir a vendo lutar com tanta garra? Olho para trás e vejo como o Rafa e eu crescemos como seres humanos. Com certeza eu preferia mil vezes não ter passado por tudo isso, mas Deus nos deu o caminho a seguir e esse caminho nos tornou pessoas muito melhores, muito mais conscientes e confiantes. Deus não escolhe os capacitados, ele capacita os escolhidos!

 

Pensando em ajudar outros pais criei o blog ceciliabatatinha.blogspot.com.br onde conto em detalhes sobre o período que ficamos na UTI e o dia a dia da Cecília. Nele há também um espaço onde outras mães que enfrentaram a HDC contam suas histórias.

 

A linda Cecília comemorando seu primeiro aniversário (foto: arquivo pessoal)

  • Daniela Folloni

    Jornalista, mãe de Isabela e Felipe, trabalhou nas revistas Vogue, Cosmopolitan e Claudia. Acredita que toda mãe merece sucesso, diversão, romance e oito horas de sono

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