Criança não namora


Luciana Romano e Raquel Benazzi
por: Luciana Romano e Raquel Benazzi

Explique apenas pessoas mais velhas namoram e que tal criança é na verdade uma amiga de quem ele gosta muito de brincar e estar junto (Foto: 123RF)

 

A Campanha “Criança não namora! Nem de brincadeira” organizada pela Secretaria de Assistência Social do Amazonas caiu na internet e passou a ser muito discutida por pais e mães, recendo a hashtag #criancanaonamora nas redes sociais. Realmente, não é raro ouvirmos das crianças que estão de namorico com um coleguinha. Será que isso é perigoso ou normal no desenvolvimento infantil?

Para a criança, o toque e o beijo são demonstrações de afeto. O toque afetuoso é essencial ao desenvolvimento emocional e cognitivo da criança, já sendo considerado como necessidade básica ao recém nascido. A criança está acostumada no dia a dia a ser pega no colo, dar as mãos, ser beijada e é incentivada à reciprocidade desse carinho. Ela não tem um desenvolvimento cognitivo que compreenda esse fato da ordem do erótico e sexual, não há malícia nisso, tudo é sentimento de amor e amizade. Por isso, cabe a nós atentarmos para a palavra “erotização”, pois isso diz respeito ao mundo adulto.

É preciso respeitar o desenvolvimento cognitivo das crianças. Uma criança de 5 ou 6 anos não sabe o que é o namoro do ponto de vista do adulto. Portanto, é necessário sempre se aproximar do mundinho dessa criança e da forma como ela está vivenciando cada processo e situação. Isso para individualizar a questão e não correr no grande risco da generalização dos atos.

Pergunte, seja curiosa, não conclua que sabe sobre o mundo de seu filho sem antes conversar e ouvir. Deixe que seu filho ou sua filha mostre como está significando e vivenciando as relações. Se um filho pequeno diz ter uma namoradinha, os pais podem perguntar o que ele entende disso, falar sobre o que é namoro, tomando cuidado para não recriminar a criança ou criticá-la. É a oportunidade de explicar, por exemplo, que apenas pessoas mais velhas namoram e que tal criança é, na verdade, uma amiga de quem ele gosta muito de brincar e estar junto.

Devemos buscar sempre muito mais compreender a situação e não julgar, afinal as crianças entendem o mundo diferente de nós. E, não raro, acabam imitando papéis e reproduzindo aquilo que é ensinado e estimulado dentro de casa em pequenas brincadeiras familiares, como: “Olha a namoradinha do Fernandinho (filho), vai lá filho, dá um beijinho nela”. Essa interpretação é uma projeção do adultos. As crianças estão em desenvolvimento, aprendendo a criar relações e formar laços.

 

 

 

  • Luciana Romano e Raquel Benazzi

    Psicólogas com formação em Psicologia Clínica e Hospitalar, são idealizadoras e sócias do Núcleo Corujas, espaço especializado em Gestantes e Mães

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