Como não pirar na hora de retomar a rotina


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

Diante da exigência de ajustar com urgência um funcionamento super eficaz, muitas mães acabam se esquecendo de dar o tempo necessário para que a nova rotina se acomode (foto: 123TRF)

Em janeiro, eu e meu marido nos organizamos para tirar férias mais longas e viajamos 20 dias com as crianças. Já fazia tempo que não passávamos tantos dias grudados – dormindo, acordando e fazendo todas as refeições juntos. É incrível como essa pausa é capaz de aproximar pais e filhos! Eu sei que as férias escolares podem ser cansativas para os pais, especialmente quando as crianças são pequenas. Mas a convivência próxima elas são uma oportunidade e tanto para sensibilizarmos o nosso olhar e compreendermos melhor o momento dos nossos filhos. Confesso que uma das coisas que mais adoro nas férias é não precisar ficar escrava do relógio. Isso sem falar na delícia que é poder desbravar lugares novos, curtir bons momentos e dar risada em família. Até os imprevistos, quando levados na esportiva, se transformam numa boa história para contar, recheando a coleção de aventuras da família, não é mesmo?

Como tudo na vida, as férias não duram para sempre. Eu tenho uma grande amiga que costuma dizer o seguinte: “Quando a gente volta pra casa, a carruagem vira abóbora”. E quando chega a hora de retomar a rotina, quem nunca se sentiu um pouco, ou melhor, muito desorientada? A realidade volta a se impor, nos apresentando uma série de desafios e necessidades. Com a volta às aulas, então, a lista de afazeres e preocupações parece interminável!

Retomar a escola significa ter que se adaptar a um ano de novos desafios que, para algumas crianças, pode incluir mudança de período ou até mesmo mudança de escola. Diante da exigência de ajustar com urgência um funcionamento super eficaz, muitas mães acabam se esquecendo de dar o tempo necessário para que a nova rotina se acomode. Ah, o tempo! Cada vez mais raro e menos tolerado! Eu vejo muitas mães sucumbirem à própria ansiedade, tomando decisões precipitadas, às vezes até radicais, porque o filho, por exemplo, não fez novos amigos logo na primeira semana de aula da escola nova. Se você está vivendo uma situação parecida, não se desespere! Eu sei que é difícil, mas a gente precisa primeiro lidar com a nossa ansiedade, para poder estar inteira na relação com nossos filhos e, a partir daí ser capaz de pensar melhor e cuidar da ansiedade deles.

Esse desejo de ser a super mãe, que é super atenta, super sensível às necessidades dos filhos e super eficiente para tomar decisões, acaba deixando as mães escravizadas em um modelo idealizado, impossível de ser alcançado. E se as mães não tomarem cuidado, acabam reagindo de forma defensiva diante das inseguranças que sentem, pois precisam provar pra todo mundo (na verdade, pra elas mesmas), que estão absolutamente corretas. Quem nunca percebeu uma competição velada nos grupos de whatsapp das mães da escola?

Nós não podemos nos esquecer que as escolhas que fazemos, por mais cuidadosas que sejam, serão sempre uma aposta, que não vem com garantia ou atestado de sucesso. Então, é melhor a gente se permitir ir dançando conforme a música, ir deixando o barco correr e ir ajustando as velas conforme o vento. Caso contrário, pode se frustrar demais, sofrer demais, e ficar com a sensação de não ter feito o suficiente. É sempre bom lembrar que a gente não controla tudo e que infância é sinônimo de experimentação. Se seu filho não gostou logo de cara da aula de futebol que tanto pediu para fazer, permita que ele vá a segunda, terceira vez e até uma quarta vez. Você não precisa ir oferecendo outra possibilidade logo de cara. Às vezes, é questão de tempo para superar uma insegurança natural. Só o tempo irá dizer se ele experimentou o suficiente e realmente não gostou. E, se isto acontecer, aí sim será o caso de repensar a escolha.

O bom senso sempre será seu melhor guia! Mas, às vezes, ele fica ofuscado pela correria e pelo acúmulo de preocupações que enfrentamos diariamente. Por isso, procure dar leveza à sua vida. Arranje espaço para respirar e se reconectar com seu ponto de equilíbrio. Ele te ajudará a discriminar os problemas que são urgentes, os problemas que são importantes, mas podem esperar, e os problemas que nem deveriam estar roubando a sua energia, pois só existem na sua cabeça!

Desejo um ano produtivo e sereno para todas!

Um beijo e até a próxima!

 

Carol Signorelli

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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