Gravidez e febre amarela: como proteger você e o bebê


Daniela Folloni
por: Daniela Folloni
Jornalista fundadora e diretora de conteúdo do Portal It Mãe

Algumas medidas de prevenção que a gestante deve tomar são evitar viajar para áreas endêmicas, usar repelentes e roupas que cubram as áreas expostas às picadas do mosquito e instalar telas de proteção nas janelas (foto: 123TRF)

 

As notícias recorrentes sobre a febre amarela têm deixado muitas mulheres grávidas ou que estão em processo para engravidar muito preocupadas. Isso porque é de conhecimento que a infeção pelo vírus e o desenvolvimento da doença colocam em risco tanto a saúde da mãe quanto a do bebê.

A febre amarela é uma doença viral aguda transmitida geralmente pela picada dos mosquitos Haemagogus ou Sabethes que picam macacos com a doença e, então, podem passá-la a seres humanos nas redondezas. O mosquito Aedes aegypti também pode transmitir a doença. “É uma doença com alta morbidade e mortalidade. Cerca de aproximadamente 20% das pessoas doentes apresentam sintomas severos como febre alta, sangramentos e cefaleia e em alguns casos pode levar até mesmo ao óbito”, alerta a ginecologista Fernanda Coimbra Miyasato, da clínica Fertilizavitta, em São Paulo. Aqui ela tira as maiores dúvidas de grávidas e mulheres em tratamento de fertilidade em relação à doença:

 

It Mãe: Grávida pode tomar vacina da febre amarela?

Fernanda Coimbra Miyasato: O American College of Obstetricians and Gynecolgists contra-indica a vacinação na gestação. Isso por causa do pouco conhecimento sobre os efeitos no feto em desenvolvimento. A vacina da febre amarela utiliza um vírus vivo atenuado e apresenta efeitos colaterais leves e transitórios em apenas cinco a 15 por cento dos vacinados, sendo os mais comuns náuseas, vômito, febre, dor no corpo e dor de cabeça. As gestantes, assim como os idosos, possuem um risco ligeiramente maior de apresentar efeitos colaterais graves da vacina. Por outro lado, um estudo com mais de 1 300 voluntárias que tomaram a vacina da febre amarela antes de saber que estavam grávidas não reportou nenhum caso de problema grave.

Como não se tem cem por cento de segurança, eu recomendo que as grávidas não se vacinem, a não ser que morem em áreas de risco. Nesse caso, devem usar a dose padrão e não a fracionada, já que todos os estudos realizados até o momento foram com a dose padrão. É muito importante que essa decisão seja tomada com critério e junto com o obstetra, levando-se em conta o local de moradia da gestante.

Existem também outras medidas de prevenção que a gestante deve tomar, como evitar viajar para áreas endêmicas, usar repelentes e roupas que cubram as áreas expostas às picadas do mosquito e instalar telas de proteção nas janelas para evitar o acesso dos mosquitos.

 

 

It Mãe: Quais riscos a gestante corre se pegar febre amarela? Existem riscos para o bebê?

Fernanda Coimbra Miyasato: A doença, quando ocorre na paciente grávida, pode provocar aborto, assim como um risco baixo de transmitir ao bebê pela via placentária. Já nos fetos em que foi detectada a transmissão da febre amarela durante a gestação, também não foi observada nenhuma alteração importante, que trouxesse uma piora na qualidade de vida da criança depois do nascimento.

 

It Mãe: Como deve ser o tratamento da febre amarela em gestantes?

Fernanda Coimbra Miyasato: Mesmo após a confirmação do diagnóstico, não há tratamento para a doença. Os medicamentos dados são para atenuar os sintomas, como manter a pressão arterial sob controle ou fazer a reposição com sangue ou soro.

Agora, se a mãe pegar a doença e estiver amamentando ela precisa parar de amamentar imediatamente. Durante fase de viremia, é contra-indicada a amamentação, o que acontece 48 horas antes dos sintomas até, mais ou menos, 5 dias depois dos sintomas, já que ela pode transmitir a doença pelo leite.

 

It Mãe: Quem está em um tratamento de fertilidade pode tomar a vacina da febre amarela?

Fernanda Coimbra Miyasato: As mulheres que desejam engravidar devem se vacinar e aguardar o período de 30 dias para tentar uma possível gravidez

  • Daniela Folloni

    Jornalista, mãe de Isabela e Felipe, trabalhou nas revistas Vogue, Cosmopolitan e Claudia. Acredita que toda mãe merece sucesso, diversão, romance e oito horas de sono

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