4 novidades no pré-natal que vão deixar as grávidas mais tranquilas


Malu Echeverria
por: Malu Echeverria

Exames recentes ajudam a descobrir o risco da pré-eclâmpsia, pressão alta na gravidez, antes mesmo de os sintomas surgirem (Foto: 123RF)

Está grávida ou pensando em ter (mais) um bebê? Então vai gostar de saber que, como em outras áreas da medicina, os avanços da obstetrícia garantem, cada vez mais, uma gestação livre de sobressaltos. Para contar algumas novidades importantes, conversamos com o ginecologista e obstetra Mário Burlacchini, especialista em medicina fetal, do Fleury Medicina e Saúde (SP). Uma coisa, entretanto, não muda: o contato olho no olho e a relação de confiança entre gestante e médico continuam fundamentais para a saúde física e emocional da mãe e, por consequência, do bebê. A seguir, confira quatro destaques do pré-natal que, ao facilitar o diagnóstico e prevenir diversas doenças, podem mudar o curso da sua gestação.  

Rastreamento integrado

Anote essa sigla: O.S.C.A.R. Em inglês, ela corresponde a “one stop clinic assessment for fetal anomalies”, ou seja, algo como “avaliação para anomalias fetais feita em uma única consulta”. A combinação de exames inclui a medida a translucência nucal (medição da nuca do bebê), do osso nasal e do ducto-venoso (vaso que leva o sangue da placenta ao coração do bebê) por meio do ultrassom, além de testes bioquímicos para avaliar certas substâncias presentes no sangue materno. Entre elas, estão o hormônio beta-HCB e a proteína PAPP-A, ambas associadas à gravidez. Se o resultado do exame, que deve ser realizado ainda no primeiro trimestre, mostrar alterações, isso significa que há mais chances do bebê apresentar algumas anomalias, como síndrome de Down e de Turner. “A síndrome de Down, por exemplo, já pode ser detectada em 80% dos casos no ultrassom. Com os demais exames, o índice sobe para 90%”, exemplifica o obstetra Burlacchini. Outro fator avaliado, nesse caso, é a idade materna, o que também pode impactar nos riscos. Embora a medida da prega nucal seja comum no país há anos, esse rastreamento integrado ainda não é praxe por aqui. Que tal conversar com seu médico sobre isso?

Pessário

Trata-se de um anel cônico de silicone, que mais parece um donut, bastante usado em casos de incontinência urinária há décadas. Mas nos últimos anos ganhou popularidade também na prevenção do parto prematuro, ainda que não existam muitos estudos a respeito. “No ultrassom morfológico do segundo trimestre, que é realizado entre a 20 e a24a semana, medimos o colo uterino. Se ele estiver ‘curto’, ou seja, com menos de 2, 5 cm, significa que a gestante tem mais risco de entrar em trabalho de parto antes da 34a semana”, explica Burlacchini. Nesse caso, a conduta mais comum é o uso do hormônio progesterona — e o pessário pode ser introduzido algumas semanas depois como tratamento complementar. “Alguns médicos, porém, prescrevem os dois tratamentos em conjunto logo de início”, completa. Ali, ele tem a função de fechar o colo do útero, ajudando na sustentação do bebê à medida que ele for crescendo. O procedimento soa semelhante à cerclagem, quando o médico “costura” o colo do útero. Mas embora seja utilizado com a mesma função (fechar o colo), o pessário é menos invasivo. Pois pode ser introduzido pela vagina, sem anestesia, no próprio consultório médico. Além disso, a cerclagem geralmente é recomendada para outro grupo de pacientes, como aquelas com incompetência istmo-cervical, por exemplo. O pessário pode ser retirado a partir da 37a semana, para que o parto ocorra normalmente. Um dos únicos poréns, segundo o especialista, é que o dispositivo tende a causar corrimento vaginal.

Sexagem fetal

Enquanto o ultrassom é capaz de descobrir o sexo do bebê, com pouca chance de erro, por volta da 16a semana, o teste da sexagem fetal pode defini-lo ainda no primeiro triste, a partir da 8a semana, com um simples exame de sangue. Por meio da amostra, observa-se a presença (ou não) de células com o cromossomo Y (que determinam o sexo masculino) no sangue materno. A taxa de acerto é alta: 99%! O exame já não é tão novo assim, mas como está se tornando mais comum, os preços também já estão mais acessíveis. Alguns convênios já o cobrem, aliás. Do ponto de vista da saúde da mãe, em alguns casos, a vantagem vai além de simplesmente começar o enxoval mais cedo (para quem prefere rosa e/ou azul). Algumas doenças congênitas, como a hiperplasia de suprarenal, podem interferir na genitália e na maturação esquelética do bebê. Antigamente, o problema só era descoberto após o surgimento de alguma alteração na genitália. Hoje, se já há casos na família, o médico pode investigar o problema e tratá-lo antes disso, ainda na gestação. Existem outros exames que analisam o DNA do bebê, descobrindo inclusive o sexo. Mas além de mais caros, eles são invasivos e, por isso, apresentam risco de abortamento. O que deve garantir com que o exame da sexagem fetal continue popular ainda por um bom tempo!

PIGF/sFIT

A pré-eclâmpsia, uma das doenças mais graves da gestação, se caracteriza pelo aumento da pressão arterial, inchaço excessivo e dor de cabeça. Como afeta a circulação sanguínea da mãe, o problema pode interferir também no transporte de nutrientes e oxigênio (que acontecem pelo sangue, via placenta e cordão umbilical) para o bebê. As causas da pré-eclâmpsia ainda são desconhecidas, mas a boa notícia é que, cada vez mais, evidências mostram que um pré-natal adequado pode prevenir e controlar a doença. Há alguns anos, por exemplo, chegou ao Brasil uma combinação de exames que analisa no sangue da gestante a concentração de duas moléculas importantes, o PIGF (fator de crescimento placentário) e a sFIT (tirosina quinase solúvel). O primeiro está associado ao funcionamento da placenta, como diz o nome, enquanto o segundo ao término da gravidez. Alterações nos níveis desses marcadores, portanto, sinalizam problemas. “É como se fossemos fazer um exame de colesterol, examinando a incidência do bom e do ruim”, compara o especialista. O resultado é, então, relacionado a outros fatores, como o Doppler das artérias uterinas (que avalia a vascularização da placenta) e histórico familiar, para calcular o risco da doença e, se for o caso, tomar as medidas necessárias.

 

  • Malu Echeverria

    Jornalista, mãe do Gael e redatora-chefe do It Mãe. Para ela, é essencial colocar a máscara de oxigênio primeiro na gente, depois na criança

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