Quando o bebê não quer saber de comer


Patrícia Junqueira
por: Patrícia Junqueira
Quando a recusa aos alimentos pastosos permanecer por mais de um mês,esse fato poderá ser classificado como um problema comportamental do bebê (foto: It Mãe)

 

Geralmente, o início da alimentação complementar do bebê costuma ser um período de expectativa e ansiedade para muitas mães. “Será que ele vai papar tudo? Será que vai gostar das frutinhas?”

Quando tudo caminha bem e o bebê demonstra interesse e aceita os alimentos, tudo é motivo de festa! Mas, infelizmente, alguns bebês podem rejeitar os primeiros alimentos. É claro que certas crianças podem demorar uma ou até duas semanas para começar a comer os primeiros alimentos até se adaptarem. Isso é natural. Pois comer é um aprendizado que demanda treino e tempo! E a partir de nove meses, a maioria dos bebês é capaz de se alimentar, beber num copo com alças usando as duas mãos e comer alimentos da família com algumas adaptações (cortadas em pedaços pequenos e ofertados por colher ou com alimentos que consiga pinçar ou pegar com os dedos).

Agora, quando a recusa aos alimentos pastosos permanecer por mais de um mês e o bebê continuar resistindo a boa parte das tentativas de alimentação por colher, aceitando apenas mamadeira ou mantendo o aleitamento materno, esse fato poderá ser indício de um problema comportamental do bebê.

O que tenho observado na prática clínica e em acordo com trabalhos publicados é que, geralmente, esses bebês costumam fazer parte de dois grupos:

Grupo 1. Bebês com desenvolvimento adequado que apresentam alguma desorganização oral e, por esse motivo, não realizam ritmicamente sucção/deglutição na colher com os novos alimentos.

Grupo 2. Bebês que têm um problema de alimentação de causa sensorial, muitas vezes como parte de um problema geral do processamento da informação sensorial.

Essa recusa ou pouco interesse dos bebês aos alimentos nessa fase pode levar a mãe e a família toda a um estresse enorme e há muita preocupação. Portanto, é muito importante você observar os sinais que o seu bebê demonstra no momento em que você o alimenta:

– Nausear e vomitar frequentemente durante ou após as refeições

– Recusar os alimentos apropriados a sua idade depois de serem apresentados sem distração por pelo menos um mês

– Rejeitar a transição de alimentos mais pastosos para grãos ou pedaços (acima de um ano)

– Recusar alimentos sólidos e não mastigar ( a partir de um ano)

– Demostrar desinteresse pelos alimentos ou manifestar dor ou incômodo ao ser alimentado

Nessas situações, evite estratégias que podem definitivamente prejudicar ainda mais o bebê, criando um verdadeiro martírio no momento da refeição. Sabe quais são? Distrair o bebê, tira-lo do cadeirão, “enganá-lo”, faze-lo rir para abrir a boca… Essas são estratégias comuns relatadas por famílias que me procuram com a queixa do bebê que não quer comer.

As causas de recusa alimentar aos primeiros alimentos ofertados são muitas – desde problemas gastro-intestinais até dificuldades motoras-orais e sensoriais. O fonoaudiólogo atua nos casos de hiper ou hipo sensibilidade oral, quando há dificuldade na movimentação dos lábio-língua e bochechas, ou na dificuldade para sugar a colher ou mastigar. Dificuldades sensoriais também são passíveis de tratamento pelo fono. Algumas crianças tem dificuldade na interpretação do estímulo sensorial da comida (cheiro, sabor, textura, etc).  Dependendo do diagnóstico, também pode ser necessária a consulta com um gastropediatra. Há situações em que é necessário o atendimento de mais de um profissional. 

Fuja das orientações equivocadas que dizem que “quando crescer vai passar “ ou até mesmo que orientam a deixar o bebê com fome para que possa aceitar os alimentos. Procure a orientação profissional adequada para compreender por que seu filho está recusando os alimentos e encontrar a  solução mais recomendada para o caso dele. 

 

  • Patrícia Junqueira

    Fonoaudióloga há 25 anos e Doutora em Distúrbios da Comunicação Humana pela Unifesp. Mãe do Felipe e do Tiago, ela idealizou e criou o Instituto de Desenvolvimento Infantil para atuar e divulgar seu olhar integrado para o desenvolvimento e necessidades fonoaudiológicas de bebês e crianças

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