O Começo da Vida reflete sobre o impacto da primeira infância


Malu Echeverria
por: Malu Echeverria

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O Começo da Vida estreia em 5 de maio no Brasil (Foto: Divulgação)

Se mudarmos o começo da história, mudamos a história toda. Essa é a mensagem que permeia o documentário O Começo da Vida. Dirigido por Estela Renner, que tem no currículo Muito Além do Peso, Criança, A Alma do Negócio e Tarja Branca, o longa-metragem faz um convite à reflexão sobre a importância da chamada primeira infância (0 aos 6 anos) na formação de cada pessoa – e, por consequência, da sociedade. Para contar como isso acontece, Estela e sua equipe da Maria Farinha Filmes percorreram nove países nos quatro cantos do mundo, onde entrevistaram famílias de diferentes culturas e classes sociais, além de um renomado time de pesquisadores e especialistas em desenvolvimento infantil.

Eles nos contam, logo de cara, que de acordo com as últimas descobertas da neurociência, os bebês se desenvolvem a partir de uma combinação entre a genética e a interação com o ambiente. Ou seja, ao contrário do que se pensava até algumas décadas atrás, o recém-nascido não é uma tábula rasa e, sim, um ser programado para aprender – e adivinha quem são os principais professores? E talvez você vai ficar feliz de saber também que as coisas mais importantes que o seu filho precisa, hoje, para alcançar todo o seu potencial, lá na frente, são de graça: afeto, diálogo e brincar.

Temas como licença-maternidade, o papel do pai, direitos humanos, adoção, abandono e violência são pontuados no decorrer do longa, paralelamente a outros mais leves, da birra às disputas entre irmãos. Mas sem manuais ou julgamentos, apenas reforçando que há um sentimento que une pais do mundo inteiro – da modelo Gisele Bünchen à moradora do edifício ocupado no centro de São Paulo. Pois, como ressaltou Estela, todos podem ter boas intenções, mas o mundo precisa dar condições para que pais possam ser melhores pais. O que significa, principalmente, investir em políticas públicas. “Cuidar bem dos nossos bebês é o maior investimento que se pode fazer na humanidade”, conclui o vencedor do prêmio Nobel de Economia James Heckman no documentário, citando um estudo que sugere que a cada dólar investido em uma criança, sete dólares serão economizados no futuro.

Produzido pela Maria Farinha Filmes, e apresentado pelas ONGs Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, Bernard Van Leer Foundation, Instituto Alana e UNICEF, o documentário estreia nos cinemas do Brasil (e na plataforma VideoCamp) no dia 05 de maio e, em data ainda não confirmada, no Netflix e iTunes. Além disso, o que ficou de fora dos 80 minutos do longa-metragem (foram 400 horas de gravações, em três anos de produção, com custo total de US$ 1 milhão) será compilado em uma série de seis capítulos. A história que a vida do seu filho vai contar, tal qual a dessas crianças apresentadas no documentário, depende de uma série de fatores. E as mudanças que ocorrem ao longo do caminho, para o bem e para o mal, muitas vezes fogem do alcance dos pais. Precisa-se de uma aldeia inteira para educar uma criança, afinal. Mas, assim como O Começo da Vida, essa estreia é imperdível.

  • Malu Echeverria

    Jornalista, mãe do Gael e redatora-chefe do It Mãe. Para ela, é essencial colocar a máscara de oxigênio primeiro na gente, depois na criança

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