Meu frio na barriga na hora de bancar uma (grande) mudança na rotina


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

Manter um filho em cada período escolar ou os dois no mesmo horário? Segui o precioso conselho de uma amiga de montar uma planilha para decidir, mas ainda assim não estava segura de que tudo ocorreria conforme o esperado (foto: 123TRF)

          No final do ano passado, minha filha concluiu o primeiro ciclo do ensino fundamental e, na escola onde estuda, teria que passar a estudar no período da manhã. Essa era uma mudança inevitável. Foi então que me vi diante do seguinte dilema: será melhor mudar também o caçula? Depois de conversar com algumas mães e seguir o precioso conselho de uma amiga super organizada, que me sugeriu fazer uma planilha, para que eu pudesse visualizar qual a melhor opção, tomei minha decisão. Resolvi manter cada um em um período. Aos olhos de muitos, minha decisão pareceu insensata. Então, para bancar minha escolha, precisei silenciar uma enxurrada de palpites externos para seguir firme em direção ao que eu pensava ser o melhor para todos os envolvidos. Eu estava bem amparada pela minha planilha de horários, idas, vindas, rodízios e ajudas.

Quando a gente toma decisões de forma objetiva, fica mais consciente e certa de que tudo correrá dentro do esperado, não é mesmo? Não, não é! A grande verdade é que eu estava com um enorme frio na barriga, morrendo de medo de meus argumentos concretos escorrerem por água abaixo, no momento em que a nova rotina se instalasse em nossas vidas. Ok, concordo que quando mantemos a vida organizada, tudo tende a funcionar melhor. Só que organização não garante previsibilidade. A gente se ilude um bocado ao alimentar a ideia utópica de que controla as situações. Toda mudança, esperada ou inesperada, coloca esta questão à prova! Por mais prevenidas e organizadas que sejamos, não podemos contornar todas as variáveis. A gente aprendeu a levantar a bandeira de que é capaz de dar conta de muitas coisas ao mesmo tempo, mas se esqueceu de aceitar que em inúmeras ocasiões, as coisas fogem, e muito, do nosso controle.

Mas como é que a gente faz para ter mais leveza e adquirir maior serenidade para lidar com as mudanças e situações inesperadas? Te convido, então, a refletir um pouco!

 

  • Entenda que suas decisões são sempre uma aposta

Mesmo quando as mudanças vem em função de uma decisão que você tomou, não se cobre acertar. Confie na sua capacidade de ter tomado a decisão que mais fazia sentido para você. Seja flexível e não se esqueça de que o que não funciona bem, pode sempre ser revisto e readaptado.

 

  • Busque a sua verdade

Troque experiências com suas amigas, mas tome cuidado para não ficar sugestionável demais. Preserve sua individualidade 

 

  • Se abra para os desafios da mudança

As situações novas, apesar de serem acompanhadas de certa insegurança, sempre nos fazem refletir e conhecer mais sobre nós mesmas.

  • No fim de cada dia, procure fazer o exercício de refletir sobre as coisas que deram certo e que não tinham sido planejadas

No fim de cada dia, procure fazer o exercício de refletir sobre as coisas que deram certo e que não tinham sido planejadas. Este exercício te ajudará a valorizar mais e enxergar com mais clareza sua capacidade de se enriquecer com as situações imprevistas.

  • Pegue leve com você

Faça pausas na sua rotina, aprenda a rir de si mesma! Tire uma folga, nem que seja de vez em quando, para apreciar com calma o biscoitinho que acompanha o café!

Eu, Fe e Gabi. A mudança e a nova rotina “cuidadosamente planilhada” me rendeu boas surpresas, como mais tempo exclusivo pra cada um (foto: arquivo pessoal)

E pra quem ficou curiosa, minha vida está funcionando bem com um filho em cada período. Nem tanto pelos motivos que eu imaginava, e mais pelas boas surpresas que a nova rotina “cuidadosamente planilhada” me proporciona diariamente. A loucura do vai-e-vem tem me presenteado com mais tempo exclusivo para cada um.

            A vida com filhos é uma oportunidade e tanto pra gente fazer um exercício diário de resiliência e adaptação à realidade. Sim, é difícil a gente “equilibrar os pratos”. Mudanças, mesmo sendo muito boas, podem trazer uma certa sensação de perda, uma saudade de algo que foi e não voltará a ser… Mas a gente segue adiante, na certeza de que nada é permanente em nossas vidas, exceto as mudanças!

Um beijo e até a próxima!

Carol

 

 

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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