Seu filho é ansioso demais?


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

Conforme as crianças vão crescendo, o mundo, os sentimentos e as relações se tornam mais complexas. As cobranças também aumentam. Junto com tudo isto, novas ansiedades podem surgir. (foto: 123TRF)

A ansiedade é um sentimento natural, faz parte da vida. Ela não existe só no mundo adulto – também faz parte da infância. Estudos mostram que distúrbios ligados a ansiedade acometem cerca de 10% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos e são frequentemente associados a algum grau de depressão. Sim, os números preocupam. E nós precisamos refletir sobre a forma como estamos lidando com a infância dos nossos filhos.

Mas o que é preciso saber sobre a ansiedade das crianças? Quando deve ser motivo de preocupação para os pais? Primeiro, vamos entender um pouco certas ansiedades que são normais e fazem parte do desenvolvimento emocional. A primeira ansiedade mais significativa é a ansiedade de separação, que geralmente acomete os bebês por volta dos 8 meses. Sabe quando os bebês demonstram insatisfação e choram quando os pais saem de perto dele? Esse é um comportamento típico, provocado pela ansiedade de separação. Ela não é patológica, mas sim uma conquista do amadurecimento. Nessa idade, o bebê já possui um aparato neurofisiológico capaz de perceber que os objetos e pessoas existem, mesmo quando não estão sob sua visão. Frente às situações de separação, ele precisa ir construindo a confiança de que as pessoas se ausentam, mas voltam. Esse é um processo que leva algum tempo. Então, você não precisa se afligir, mas sim, ir dizendo repetidas vezes, que vai trabalhar, mas você volta.

Conforme as crianças vão crescendo, o mundo, os sentimentos e as relações se tornam mais complexas. As cobranças também aumentam. Junto com tudo isto, novas ansiedades podem surgir. Há situações que podem despertar um aumento de ansiedade. Seguem alguns exemplos: o nascimento do irmãozinho, a perda de algum ente querido, a separação dos pais, mudanças de cidade ou de escola.

O final da primeira infância, por volta dos 6 ou 7 anos, que culmina com o período da alfabetização, também costuma produzir ansiedade nas crianças. É natural elas demonstrarem certa preocupação com o próprio rendimento pedagógico. Também é natural começarem a se preocupar com temas como a morte, a violência, pois estão amadurecendo e se dando conta da finitude da vida e dos perigos do mundo. Mas há um limite da normalidade no nível de ansiedade que acomete as crianças.

Alguns sinais de que a ansiedade está acima do normal:

– sintomas físicos recorrentes: dor de cabeça, enjoo e vômito, falta de ar ou palpitação, adoecimento frequente;

– dificuldade de concentração persistente;

– rompantes agressivos;

– medos recorrentes e excesso de preocupação.

 

Eu não me canso de insistir que você precisa olhar para o filho que você tem. Diminua suas expectativas e aprenda a lidar com sua própria ansiedade. Você não precisa ser especialista para perceber quando algo não vai bem. Se está preocupada e identificou sinais de ansiedade exacerbada no seu filho, busque ajuda!

Por fim, uma última dica: cuidado com os excessos de atividades extracurriculares. É preciso oferecer oportunidades, mas também é preciso ser sensível para não colocar o seu desejo acima do desejo do seu filho. Educar filhos felizes e “preparados para o mundo” depende mais do oferecimento de condições para que eles se desenvolvam dentro das potencialidades que possuem, do que da imposição daquilo que “devem” fazer e “precisam” ser.

Um beijo e até a próxima,

Carol Signorelli

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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