Duas crianças, uma causa e 1 milhão de dólares


Joana Lee Ribeiro Mortari
por: Joana Lee Ribeiro Mortari
Diretora da Acorde Oficinas para Desenvolvimento Humano, co-criadora do Movimento por Uma Cultura de Doação no Brasil
As vendas do livro escrito pelo menino Dylan Siegel já arrecadaram 1 milhão de dólares para a cura de seu amigo Jonah (foto: reprodução: http://chocolatebarbook.com/) 
 
Dylan Siegel é um menino que, aos 6 anos, escreveu o livro Chocolate Bar para arrecadar dinheiro para a cura de seu melhor amigo Jonah, que sofre de uma doença rara.  Ele começou  a vender os exemplares em um evento na escola. Foram vendidas 200 cópias e mais 100 delas customizadas com uma barra de chocolate doada pela rede Whole Foods Market. Isso resultou em 5 mil dólares. Depois disso, Dylan e Jonah participaram de um evento na livraria Barnes and Nobles e acabaram na mídia. Resultado: o livro já foi vendido em mais de 60 países e o objetivo de Dylan de arrecadar 1 milhão de dólares atingido em 2 anos! A história completa está no site Chocolate Bar. Esse exemplo mostra que a matéria-prima da filantropia, a empatia, é natural nos pequenos… E ela precisa ser promovida, valorizada. 
 
É preciso que no Brasil se construa uma sociedade que valorize a doação e a participação cidadã, e isso nasce em casa.
Conversar com nossos filhos sobre doações tem um grande impacto na formação de um futuro doador*. Quando essas discussões acontecem, a chance de os filhos se tornarem doadores independe da renda da família ou de sexo, raça ou idade da criança. Ou seja, é igualmente eficaz para todas as crianças.
 
A palavra filantropia, em geral, está associada a adultos e pessoas ricas, mas não deveria. Em primeiro lugar porque pesquisas apontam que as classes C e D, no Brasil, doam mais do que as classes A e B, se considerarmos o valor doado em relação à renda familiar. Em segundo lugar porque o envolvimento de crianças na filantropia é benéfico para elas, para as famílias e à sociedade em geral e estudos mostram que quanto mais cedo estas conversas e experiências começam, mais a doação e a participação social se torna uma cultura para este pequeno indivíduo, e assim ele é moldado. 
 
Na Inglaterra, onde a Charities Aid Foundation (CAF) faz pesquisas sistêmicas sobre filantropia, a Growing Up Giving (2013) indica que 82% das crianças britânicas entendem o que é filantropia, 78% acham que as ONGs exercem um papel importante no país, 71% acham certo que as organizações apoiem pessoas de outros países e 71% doarão dinheiro para causas sociais no próximo ano.  
 
Mas porque isto é importante? E o que vale comparar o Brasil com os Estados Unidos e a Inglaterra? Se compararmos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) publicado pela Organização das Nações Unidas com o World Giving Index , publicado pela CAF, temos que o Brasil está em 75o em ambos, enquanto os Estados Unidos ocupa o 8o e o 5o lugar, respectivamente. Um país desenvolvido é composto por uma sociedade doadora, que se vê parte dos desafios sócio-ambientais e das respectivas soluções.  Esta é uma grande mudança de paradigma para nós, brasileiros. Mas ainda dá para mudar isso, começando pela educação dos nossos filhos. Quando a filantropia nasce em casa e é adubada na escola, as crianças são capazes de mudar o mundo. 
 

*Esta é uma das conclusões da Woman Give 2013, pesquisa promovida pela Lilly Family School of Philantropy, da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, em parceria com a United Nations Foundation.

 

  • Joana Lee Ribeiro Mortari

    Mãe de Nina e Bruna, diretora da Acorde Oficinas para Desenvolvimento Humano (www.acorde.org.br), co-criadora do Movimento por Uma Cultura de Doação no Brasil, articuladora do #diadedoar (www.diadedoar.org.br), conselheira do Fundo Bis (www.fundobis.org.br).

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