Criança gulosa? Pode ser ansiedade


Camila e Gabriela Kirmayr
por: Camila e Gabriela Kirmayr
Gabi é nutricionista infantil e Cami é comunicóloga. Elas são sócias da consultoria de nutrição infantil Coisa de Nutri

A criança que come muito – e muito rápido – acaba ingerindo uma quantidade muito maior de alimentos do que realmente necessita e ganha peso. Às vezes, nem ganha peso, mas perde saúde (foto: 123TRF)

Temos atendido no consultório uma quantidade enorme de crianças cada vez mais gulosas, comendo muito rápido, em grandes quantidades e várias vezes ao dia. Parece que nunca ficam satisfeitas com nada. São o famoso saco sem fundo.

E quais as consequências desse comportamento? Na maioria das vezes, a criança acaba ingerindo uma quantidade muito maior de alimentos do que realmente necessita e ganha peso. Às vezes, nem ganha peso, mas perde saúde, pois ganha aumento do colesterol, triglicérides e outros probleminhas mais.

Quando a criança está com sobrepeso, as consequências do dia-a-dia também são chatinhas, pois ela poder ser prejudicada nos esportes, pode sofrer bullying, afetar o desempenho e rendimento escolar e por aí vai.

Na maioria dos casos, essa gula vem acompanhada de uma ansiedade comportamental. Claro que amar comer pode ser também uma simples característica da criança! Mas nos chama muito a atenção a ansiedade que acompanha. Podemos dizer que é uma fome emocional, uma busca por aconchego. Uma forma de descarregar algum sentimento, alguma pressão.

Além disso, um dos agravantes, são os alimentos altamente viciantes que são ofertados por aí. Batatas fritas, chocolates, salgadinhos, biscoitos… têm na receita os três ingredientes que chamamos de vilões: a gordura, o sal e o açúcar. Alimentos altamente viciantes, que despertam um prazer instantâneo e uma vontade alucinante de comer mais e mais, não é mesmo?

Mas vamos falar de possíveis soluções: ?

Na prática, a primeira coisa a ser feita, é tentar identificar o que leva a criança a esse comportamento ansioso. Em quais situações, em quais horários. Converse, acalme e acolha. Proibir demais ou liberar demais não funciona. Sabemos que criança precisa de limite para se sentir segura, mas precisa também de espaço para crescer e fazer suas escolhas, com o apoio da família.

Explique para ela os malefícios do excesso alimentar. De uma forma leve, mas que a criança entenda. (conheço umas meninas da Coisa de Nutri que fazem isso, são ótimas! rsrsrs)

Faça combinados que JUNTOS vocês vão cuidar dessa situação desfavorável e encoraje seu filho a mudar de comportamento com a sua ajuda.

Vamos às sugestões:

– Faça mais lanchinhos, com menos quantidade de alimento. Ou seja, aumente o número de vezes que seu filho será a exposto ao alimento. Assim a ansiedade pode ser controlada. Não ficará aquela sensação: “preciso comer tudo e rápido, pois depois disso só o jantar.”

– Ofereça alimentos que propiciem esse “comer com as mãos – um depois do outro” como pipoca preparada sem óleo, palitos de cenoura e pepino, tomatinho cereja. Enfim, alimentos mais magrinhos.

– Quando for oferecer uma “guloseima” tipo um pedaço de bolo ou um pão de mel, corte em pedacinhos pequenos. Para que “dure mais tempo”.

– Faça com seu filho o exercício dos 5 sentidos na hora da refeição. Como ele poderia comer aquela refeição com os 5 sentidos? Primeiro visualizar. Depois, sentir o cheiro. Pode sentir a textura com as mãos, escutar o croc-croc da mastigação, sentir o sabor e depois engolir. Dessa forma, ele comerá mais devagar, prestando mais atenção. Dando espaço para sentir a saciedade.

– Planejamento é fundamental. Tenha de forma fácil os alimentos saudáveis lavados, picadinhos e práticos. Procure não ter em casa os alimentos “vilões”.

Essas são algumas idéias, mas o importante é que tenha uma supervisão e um cuidado para que a coisa não desande. Mudança de hábito exige muita dedicação e paciência, mas quando tem um propósito, fica mais fácil. E nesse caso, o propósito é a saúde. Nosso principal bem. ?

Por fim, a quantidade de alimento que as crianças podem comer é relativa. Depende da idade, da prática de atividades físicas, da constituição, necessidades fisiológicas e da personalidade da própria criança. 

Mas fica por conta dos pais comprar alimentos variados e de qualidade, definir quantidade e a educar na hora de controlar possíveis impulsos desordenados pela comida. E se for preciso pedir ajuda para um profissional, peça! Afinal não somos de ferro.

Lembrando que o incentivo ao esporte, ao brincar, ao se mexer, é o mais antigo e melhor caminho para criança crescer saudável.

Estamos juntas!

Beijos Cami e Gabi

 

  • Camila e Gabriela Kirmayr

    Camila é publicitária, certificada em disciplina positiva e mãe do Frederico, de 3 anos. Gabriela é nutricionista infantil e mãe da Júlia, 12 anos, e da Lara 14. As duas são sócias da consultoria de nutrição infantil Coisa de Nutri

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