Com 95 anos de diferença de idade, menina e bisavô são melhores amigos


Malu Echeverria
por: Malu Echeverria

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Laurinha e o “biso” Paulo não se desgrudam o dia inteiro (Foto: Arquivo Pessoal)

No Carnaval do ano passado, a publicitária Marcella Silveira, 38, resolveu deixar a capital paulista e se mudar para a casa dos avós paternos no interior do estado, Mairinque. O motivo foi o agravamento do câncer da avó, que acabou falecendo em agosto. Sabia que a ajuda seria importante para os familiares naquele momento – mas não esperava que a filha Laura, 2 anos, ganharia um novo melhor amigo com a mudança para o interior. Quer dizer, não tão novo assim. Ela e o bisavô, o engenheiro aposentado Paulo Silveira, 97, já eram próximos, segundo Marcella, mas desde então ficaram mais grudados ainda. “Ela acorda e já vai procurá-lo na mesa do café. No restante do dia, brincam, cantam e provocam um ao outro também”, conta a mãe. Laurinha gosta de roubar o lugar do “biso” no sofá, de comer bolacha escondida no quarto dele (geralmente é entregue pelos farelos na boca), de ensiná-lo a brincar no iPad.

Sem a “obrigação” de educar, os avós podem quebrar as regras dos pais e, assim, representam um “sopro” de leveza para as crianças, de acordo com a psicóloga Rita Callegari, do Hospital São Camilo (SP). “Seja comer um doce antes do almoço ou pular o banho, quando é feito discreta e ocasionalmente, tem um gostinho de aventura”, diz. E os bisavós também, claro!

Para Marcella, essa troca é positiva para bisavô e bisneta. Enquanto o avô ameniza a dor da perda da esposa, a filha aprende a respeitar os mais velhos, que muitas vezes têm um tempo diferente do nosso. “E o mais importante, está descobrindo na prática que o amor de família ultrapassa gerações”, completa. Segundo a psicóloga Rita, a cumplicidade frequente entre avós e netos possivelmente seja resultado de suas vulnerabilidades em comum. “Idosos e crianças se identificam uns com os outros. Ambos derrubam coisas, tropeçam com facilidade, não ‘sabem’ fazer tudo certinho com os adultos”, acredita. Os pequenos porque ainda estão aprendendo, já os mais velhos por naturalmente perderem certas habilidades. Os benefícios dessa convivência já foram comprovados cientificamente por diversos estudos, aliás. Ao acompanhar 376 avós e 340 netos por quase vinte anos, cientistas da Boston College, nos EUA, aqueles que se sentiam emocionalmente próximos uns dos outros apresentaram menos sintomas de depressão.

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Os dois gostam de cuidar, mas também de provocar um ao outro com brincadeiras (Foto: Arquivo Pessoal)

Com o fim das férias se aproximando, Marcella imagina que a filha e o “biso” sentirão falta da companhia um do outro. Mas tem certeza que ainda irão aprontar muito juntos. Afinal, como ele costuma dizer, “com Laurinha por perto, todo dia tem uma novidade”.

  • Malu Echeverria

    Jornalista, mãe do Gael e redatora-chefe do It Mãe. Para ela, é essencial colocar a máscara de oxigênio primeiro na gente, depois na criança

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