Birra? Manha? Pode ser adolescência da primeira infância (ou terrible two)


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli
Psicóloga de crianças e adolescentes

P. Meu filho tem 2 anos e meio. E está impossível. Me testa em tudo, dá chilique no restaurante, está mais teimoso que nunca. Minhas amigas dizem que ele está passando pela adolescência da primeira infância. Isso existe? Como uma mãe pode lidar com esta fase?  Essa fase passa? Quando??? Me ajude!!! Adriana, São Paulo, SP

R. Para falar sobre este assunto, convidamos a psicóloga de crianças e adolescentes Maria Carolina Signorelli, especialista em psicoterapia psicodinâmica pelo Instituto Sedes Sapientiae – SP. Veja o que ela diz:

“Querida Adriana, aos 2 anos, a criança deixa de ser “bebê” e ingressa  em um outro universo, o da infância propriamente dita. A partir desta idade, adquire maior autonomia para se locomover, tornando-se capaz de escalar, subir e descer escadas etc. Desenvolve significativamente a fala e passa a se comunicar por meio da linguagem verbal, usando palavras com significado e intenção. Apesar de sua personalidade ainda estar em formação, ela começa a se descobrir como indivíduo, com identidade única. Passa a manifestar seu desejo independência, quer comer sozinha e escolher a roupa que vai vestir… Quer impor suas vontades para se autoafirmar, como acontece com um adolescente. Por isso, o termo “adolescência da primeira infância”  (que alguns chamam de terrible two), vem sendo usado para nomear este período, que tem o seu auge aos 3 anos e pode se estender até por volta dos 4 anos.

Crianças de 2 anos ainda são muito impulsivas, pois não dispõem de recursos emocionais suficientes para controlarem o próprio corpo.  Assim, é comum entrarem num verdadeiro “jogo de forças” com o adulto, através dos famosos “chiliques”.  Tendem a ser egocêntricas e pouco tolerantes à frustração. Mas vale lembrar que o desejo de uma criança é ambivalente: ao mesmo tempo em que quer mandar, ela precisa que o adulto dê a referência do que ela pode ou não fazer. Ela não deve ser atendida em todas as suas vontades. Precisa de limites para se sentir protegida.

Pelo visto, seu filho é bastante enérgico e não se contenta com um simples não.

Minha sugestão é a seguinte: Respire fundo, tenha paciência e tome as rédeas da situação. Assuma o controle. Afinal, você é a adulta desta relação! Na idade dele, você já precisa ir ajudando-o a construir os parâmetros do que é socialmente aceito ou não. Seu papel do adulto é fundamental na fase do terrible two. Quis escolher a própria roupa? Ok, pode, desde que ela seja adequada para a ocasião e a estação! Jogou comida no chão? Não, não pode! É importante, por exemplo, que ele compreenda a maneira como as pessoas se comportam em um restaurante.  Não se intimide frente à birra. Ele irá te testar, mesmo! Repreenda os comportamentos inadequados e explique, de uma maneira carinhosa e acessível para a idade dele, que no restaurante, as pessoas sentam para comer e conversar. Mas não vale dar o iPhone para ele ficar quieto! Inclua-o no contexto, dando não só o seu exemplo, como também o espaço para que ele participe daquele momento. Faça isso de uma maneira lúdica. Vejo muitos pais intimidados diante das crises de birra dos filhos na primeira infância. Resgate sua autoridade.  Lembre-se que educar é um investimento trabalhoso e de longo prazo!

Se quiser entrar em contato com a dra. Maria Carolina, mande um e-mail para: carol.signorelli@uol.com.br

 

 

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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