A onda agora é… hand spinner


Maria Carolina Signorelli
por: Maria Carolina Signorelli

Vamos ser realistas: os hand spinners não são a primeira e certamente não serão a última paixão descartável à qual seus filhos irão se render (foto: It Mãe)

 

Quando a gente pensa que está dominando a tarefa de estabelecer limites aos nossos filhos, surge um novo “modismo” para nos desafiar!

De algumas semanas para cá, os hand spinners andam conquistando as mãozinhas ágeis da criançada! Eles podem ser encontrados nas mais diversas cores e materiais. Mas a grande sensação são os que possuem luzes de led! É, o apelo consumista é grande! E além de ter que lidar com esta questão, os pais tem levantado uma série de outras preocupações: Os hand spinners são apropriados para as crianças? Tiram a concentração, ou ajudam a ter foco? Será que vicia?

Acho importante ressaltar que, até o momento, não há nenhuma comprovação científica de que os hand spinners tenham algum efeito benéfico no tratamento dos transtornos de déficit de atenção, dos transtornos de ansiedade ou dos transtornos do espectro autista.

Mas antes de você perder o sono por causa deste brinquedinho que, ironicamente, vem conquistando espaço com a promessa de ser “anti-stress”, mantenha a calma!

Vamos ser realistas: os hand spinners não são a primeira e certamente não serão a última paixão descartável à qual seus filhos irão se render.

Refresque sua memória e se reconecte com sua infância. Você com certeza irá se lembrar de algumas “febres” às quais você se rendeu. Ioiô, bolinhas bate-bate, gelecas, molas, “5 marias”, brincadeira de elástico… Que graça a gente via em tantos “cacarecos”? Ah, tinha muita graça! Além de socializar com os amigos, a gente começava a se sentir um pouco dono de si. A gente começava a exercitar as primeiras possibilidades de escolha e a dar alguns passos rumo à construção de uma identidade própria. Quem nunca se sentiu importante ao apresentar uma novidade para os pais? Dava um certo orgulho chegar em casa contando sobre algo que “só a gente conhecia”! Também foi assim com os filmes que a gente gostava, com as músicas que a gente ouvia. Tá, eu confesso: Fui super fã do Menudo e nunca me esqueço que minha mãe, meio apavorada, “bancou” me levar ao show deles no Estádio do Morumbi lotado, debaixo do maior pé d’água, numa época em que a gente nem sonhava com a existência do celular. A fase Menudo passou, muita coisa mudou, mas recentemente, me rendi à febre Ed Sheeran e levei minha filha de 10 anos para curtir seu primeiro show… Aí, eu me peguei pensando: será que as coisas mudaram tanto assim?

A gente também se jogava com intensidade aos modismos. Com nossos filhos, não é muito diferente. Estando no lugar de pais, acho que o maior desafio é perceber o uso que as crianças estão fazendo dos apetrechos da moda. O hand spinner está roubando o tempo que seu filho precisa dedicar à lição de casa? Então é hora de interferir e estabelecer as regras de uso! Você está cedendo ao desejo do seu filho de ter 10 spinners, um de cada cor e modelo? Então é você que está precisando colocar limites ao uso do dinheiro. Que tal incentivá-lo a comprar com a própria mesada? Ou com o dinheiro que ganhou da fada do dente? Esta pode ser uma excelente oportunidade de ajudá-lo a pensar sobre como quer usar o “próprio” dinheiro. Todo mundo tem um hand spinner e seu filho não despertou o menor interesse em ter um? Ok, segure a sua ansiedade, talvez ele até já tenha visto o do amigo, mas não achou a menor graça! Sendo assim, você não precisa se antecipar e sair comprando um, sem ele ter manifestado a vontade dele. São muitos os momentos em que a gente tem que se desconectar do resto, olhar para o próprio filho e identificar os interesses genuínos dele. Muitas vezes, isto exige autoconhecimento e capacidade de diferenciar o que é expectativa nossa e o que é desejo do nosso filho.

Espero ter ajudado vocês a voltarem o foco de suas preocupações para as coisas com as quais a gente realmente precisa se preocupar. Criar filhos responsáveis, que dão valor ao dinheiro e que não se rendem a todo apelo consumista que nos atravessa diariamente é uma tarefa pra lá de difícil! Por fim, não posso deixar de destacar um paradoxo: Diante de tanta tecnologia, aplicativos e jogos super sofisticados, as crianças ainda acham graça em brinquedos tão simples! É, elas precisam de pouco, bem pouco para se sentirem felizes!

Um beijo e até a próxima!

Carol Signorelli

  • Maria Carolina Signorelli

    Psicóloga e mãe de Gabriela e Fernando. Ou vice-versa! Atende crianças e adolescentes no consultório e é expert em orientar os pais em seus dilemas

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