Levar ou não levar as crianças ao supermercado: eis a questão


Ingrid Lisboa
por: Ingrid Lisboa
Especialista em organização residencial e pessoal, consultora e palestrante

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Estudos mostram que participar da escolha dos alimentos faz com que as crianças comam melhor (Foto: CrayonStock)

Minha resposta é sim! Levo meu menino de 8 anos ao supermercado sempre que não estou com pressa e que ele está animado a ir. Sei que pode parecer loucura para algumas mães, especialmente as que tem mais de um filho e/ou pouquíssimo tempo para fazer compras. Também tenho semanas mais difíceis que outras e, nessas, prefiro ir sozinha mesmo para otimizar o tempo e poupar energia. Afinal, sabemos que com eles as compras demoram mais, além de possivelmente termos de negociar a inclusão de docinhos e similares na lista. Ainda assim, tenho dois motivos para incentivar você a levar os pequenos ao supermercado – mesmo que seja um filho de cada vez!

1) Precisamos criar uma nova geração de meninos e meninas mais conectados com a casa, os afazeres domésticos e o trabalho todo de manutenção que um lar envolve. Acho realmente contemporâneo ver um menino de 10 ou 12 anos com uma lista de compras na mão, junto com pai ou mãe no supermercado. Fico imaginando esse menino no futuro, 15-20 anos adiante, na faculdade, morando sozinho a quilômetros da família. Imaginem que alívio para a mãe saber que o filho sabe se virar sozinho, tem interesse em pensar no que comerá durante a semana e sabe o produto que melhor lava roupas. Ainda que ele não faça efetivamente fazer o serviço doméstico ou a comida, precisa conhecer para delegar, se for o caso. E também para fazer, quando for preciso. E o mesmo vale para as meninas, claro.

2) Acredito verdadeiramente que a criança pode e deve participar do processo de seleção e preparação dos alimentos. Estudos mostram que crianças que escolhem e preparam os alimentos comem melhor – como costuma reforçar a nutricionista Mayra Abondanza, colunista do It Mãe. Meu menino, apesar de magro, a-do-ra comer. Além de ir conosco ao supermercado e o hortifruti frequentemente, ele também escolhe os alimentos e já conhece os benefícios dos orgânicos. Gosto de olhar com ele as embalagens para verificar as quantidades de açúcar, sal e gordura. Nesses momentos, aproveito para explicar que todos os alimentos são permitidos, mas alguns devem ser ingeridos com moderação.

Algumas dicas para facilitar o “passeio”: peça ajuda à criança desde antes de sair de casa, escrevendo ou desenhando os produtos a serem comprados. Lá em casa, meu filho não só participa da lista, como também da escolha do cardápio da semana. Os maiores podem ajudar a encontrar e a colocar as compras no carrinho também (o que faz com que fiquem entretidos!), riscando-as da lista em seguida. Dependendo da idade, você pode ensinar a criança a guardar os produtos em casa – mas como são tarefas demais para um dia só, ela pode fazer as compras uma vez e, na seguinte, organizá-las. Ou o filho que ficou em casa ajuda a guardar, em revezamento.

Enfim, no mundo moderno que vislumbro, as crianças saberão, sim, fazer compras no supermercado. E o fazem porque querem, não apenas porque precisam. Elas estarão envolvidas em todos os detalhes, da lista ao preparo dos alimentos. Pois num futuro próximo, espero, serão também mais autônomas.

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  • Ingrid Lisboa

    Para a mãe do Emiliano e criadora da consultoria Home Organizer, o segredo de uma casa em ordem é descomplicar. Ela escreve no canal Tudo organizado

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