Será que meu filho está crescendo bem?


Vanessa Radonsky
por: Vanessa Radonsky
Pediatra do Fleury Medicina e Saúde

Não existe uma altura ideal para cada idade e sim uma faixa de normalidade, que abrange várias estaturas (foto: 123TRF)

O crescimento infantil é um processo bastante dinâmico, que adquire intensidade durante alguns anos e se torna mais lento em outros.Antes de entrar na puberdade, elas desaceleram um pouco, o que é normal, e, na puberdade, a velocidade de crescimento pode chegar a 10 e 12 cm ao ano. Após essa fase, o ritmo de crescimento diminui lentamente, até terminar. 

Nas consultas pediátricas periódicas, a criança sempre deve ser pesada e medida e seus dados registrados. Para isso, os pediatras dispõem de tabelas e gráficos de peso, altura e velocidade de crescimento, com os valores normais para cada idade e sexo. Se a altura da criança estiver abaixo do mínimo considerado normal para o sexo e idade, esta deve ser investigada. Também deve ser avaliada a velocidade de crescimento muito abaixo do esperado para a idade, mesmo que a altura ainda esteja normal em relação ao gráfico, assim como também quando a altura da criança está dentro do normal, mas abaixo da esperada quando se considera a altura dos pais.

É importante lembrar que não existe uma altura ideal para cada idade e sim uma faixa de normalidade, que abrange várias estaturas, pois cada criança tem um potencial de crescimento individual, que deve ser reconhecido e respeitado.No primeiro ano de vida, as crianças crescem em média 25 cm; no segundo, 12 cm; no terceiro ano, entre 7 e 8 cm; e, a partir do quarto ano, entre 5 e 7 cm ao ano. Na puberdade, principalmente, a variação é bem grande entre indivíduos da mesma idade.

Entre os fatores que influenciam a estatura final, a genética é o principal deles, determinada especialmente pela altura dos pais. Pelo uso de uma fórmula específica, sabendo-se a altura do pai e da mãe e o sexo do paciente, pode-se fazer uma previsão de altura final (conhecida como estatura-alvo). O crescimento também é influenciado pela alimentação, atividade física, doenças, uso de medicamentos e fatores psicológicos.

Uma criança tem baixa estatura quando cresce abaixo da última linha do gráfico ou está desacelerando sem motivo, saindo da faixa esperada para sua família. Estas situações devem ser investigadas cuidadosamente pelo pediatra ou endocrinologista pediátrico.

Parte das crianças que apresentam baixa estatura são absolutamente normais: a baixa estatura ocorre por ela ter pais baixos ou um crescimento mais lento, mas com uma estatura final normal. Nessas situações, geralmente apenas se acompanha o crescimento.

Outra parte são crianças que apresentam alguma patologia que interfere no crescimento e deve ser tratada. A diminuição da velocidade do crescimento pode ser um dos primeiros sinais de diversas doenças. Por isso, a investigação da baixa estatura é de extrema importância!

Existem diversas causas para o surgimento dos distúrbios: fatores nutricionais; problemas crônicos (cardiopatia, nefropatia, diabetes mal controlado); doenças ósseas (acondroplasia, hipocondroplasia) e problemas hormonais (deficiência de hormônio de crescimento e de hormônio tireoidiano).

Algumas síndromes apresentam baixa estatura como característica, são as síndromes de Turner, Leri-Weil, Laron, Silver-Russell, Noonan, Mc Cune Albright, etc. Identificar crianças portadoras de alguma dessas anomalias é importante não só para determinar a causa da baixa estatura (e em algumas síndromes iniciar tratamento específico), como também por permitir que outros aspectos associados a cada síndrome (malformações, complicações renais, cardíacas, etc) sejam investigados e simultaneamente tratados.

O tratamento da baixa estatura, quando indicado, irá depender da causa da mesma: reposição de hormônio tireoidiano no hipotireoidismo, de hormônio de crescimento, correção de deficiências nutricionais (cálcio, proteínas, ferro, etc.), tratamento específico de doenças sistêmicas que comprometem o crescimento (cardíacas, pulmonares, gastrointestinais, etc.), suspensão de medicações que prejudiquem o crescimento (quando possível, e sempre com orientação e supervisão médica).

A reposição de hormônio de crescimento (GH) está indicada apenas em algumas situações específicas. Entre as indicações de hormônio do crescimento estão a deficiência de hormônio de crescimento, Síndrome de Turner, Síndrome de Prader Willi, baixa estatura nos nascidos pequeno para idade gestacional, entre outros.

Em pacientes com deficiência comprovada de hormônio de crescimento, a reposição deste leva a uma melhora significativa do crescimento e da altura final. Já em pacientes com baixa estatura, mas sem deficiência de GH, o benefício da reposição de GH é muito discutível, e a melhora da altura final esperada é bem mais discreta. Além disso, o tratamento com GH tem custo elevado e apresenta riscos de efeitos adversos e complicações, e isso deve ser levado em conta na hora de decidir sobre a indicação do tratamento.

 

  • Vanessa Radonsky

    Pediatra do Fleury Medicina e Saúde, tem especialização em Endocrinologia Pediátrica pelo Instituto da Criança – HCFMUSP e é pós-graduanda em Endocrinologia e Metabolismo Ósseo pela UNIFESP. É mãe da Letícia e da Beatriz.

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