10 livros para crianças pequenas (e porque ler para elas desde cedo)


Débora Lublinski
por: Débora Lublinski

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Os pequenos podem (e devem) ir além dos livros-brinquedo, aqueles de pano, texturas e sons (Foto: Freeimages)

Assim como a mãe conversa com o bebê ainda dentro da barriga e, depois, canta para ninar o recém-nascido, ler para os filhos desde pequenininhos também é um ato de amor. É uma forma de aproximação e interação riquíssima, é criar momentos de intimidade e de afeto, de aprendizagem e de ampliação de mundo. “Ao ouvir algum texto lido, a criança tem ainda acesso à linguagem escrita, que é diferente da falada, mesmo antes de saber ler. Seu vocabulário cresce consideravelmente, bem como seu conhecimento linguístico”, explica Tânia de Campos Rezende, mestre em educação pela Universidade de São Paulo, psicóloga, orientadora do berçário e diretora da escola Jacarandá, em São Paulo. Os pais que gostam de ler vão transmitir esse valor aos filhos — e os valores aprendidos desde cedo tendem a ser os mais fortes e resistentes.

Quando começar?

Não há idade mínima. Os bebês são muito sensíveis à leitura desde uns seis meses. Eles prestam atenção na entonação, no ritmo e na melodia da fala do adulto. A partir dos nove meses, o interesse deles pelos livros é cada vez maior: participam ativamente da história, reconhecem o livro como objeto, gostam de manipulá-lo, discriminam figuras, balbuciam e repetem algumas palavras. Como tudo, o livro vira brinquedo na mão da criança. Os que oferecem texturas, relevos, abas, sons e formas diferentes são interessantes — eles dão a oportunidade de manuseio e de reconhecimento sensorial (É liso? Áspero? Macio?, por exemplo). Mas geralmente esses são livros quase sem nenhum texto ou com uma narrativa muito limitada, o que, apesar de não ser uma regra, é muito comum nos livros dos personagens de filmes e desenhos (Disney, Peppa Pig e afins). “Para ler mesmo, a partir de um ano já é importante escolher histórias inteligentes, com começo, meio e fim”, explica Tânia.  

Boas escolhas

Com tanta oferta nas livrarias, fica a dúvida: como encontrar a melhor história para o meu filho? Classificar a produção literária por faixa etária nem sempre é uma boa ideia. Um bom livro pode despertar a curiosidade de um bebê e trazer reflexões pertinentes àquele assunto ao adulto. As crianças vão “ler” a narrativa dentro de suas possibilidades. Ainda assim, alguns critérios norteiam essa seleção: a história deve ser curta, com texto bem escrito (correto é o mínimo!), gostoso de ler. “Para os bem pequenos, as histórias ritmadas, em que cenas e frases se repetem, são as melhores. Histórias que retratam situações do cotidiano também são apropriadas, mas é preciso ter uma questão colocada ali e um desfecho. Não pode ser somente uma sucessão de figuras”, fala Tânia. 

Alguns livros integram texto e imagem (são os chamados livros ilustrados, que devem ser lidos em conjunto). Outros têm só imagens, mas que também contam uma história. Há também textos clássicos, como os contos de fada, que podem ser ilustrados de formas completamente diferentes — algumas ilustrações reforçam o nosso imaginário, outras o contradizem, levantando novas questões aos pequenos. O importante é propiciar ao seu filho experiências variadas, trazendo temáticas e gêneros diversificados (de acordo com o universo dele, é claro) e ilustrações de diferentes técnicas, mas sempre com qualidade artística. Tudo isso tem sua importância para a criança ter interesse nesse tipo de objeto, gostar de livro e fazer suas primeiras leituras literárias, mesmo que “de ouvido”. Entre lançamentos e os que já viraram “clássicos”, aqui está uma seleção de dez livros para as crianças pequenas. Com temas do cotidiano dos pequenos, textos curtos e ritmados, ilustrações de diversas técnicas e outras surpresas, pais e filhos vão adorar

1) Ops, de Marilda Castanha (Editora Cosac-Naify)

Com uma única palavra, o Ops, o livro mostra um menino em diversas situações atrapalhadas. Ele derruba o sorvete no chão (ops), chuta uma bola que quebra o vidro (ops de novo!) e cai do balanço (oooooops!). As ilustrações contam uma história, que é reforçada, a cada página dupla, pela onomatopeia Ops, chamando a atenção das crianças e criando identificação. Pequeno e cartonado, o livro também é bacana para as crianças manusearem.

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(Foto: Reprodução)

2) Todo Mundo Boceja, de Anita Bijsterboch (editora Brinque-Book)

O gato, a cobra, o guaxinim, o coelho, o porco, o crocodilo estão bocejando. Será que eles estão cansados? E você? Com imagens simples e coloridas, a mãe vai nomeando os animais enquanto eles bocejam — alguns discretos, outros nem tanto. As páginas têm dobras divertidas.

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(Foto: Reprodução)

3) Eu Grande Você Pequenininho, de Lilli L’Arronge (editora Companhia das Letrinhas)

De uma poesia ímpar, a história conta a relação carinhosa de um pai e o seu filhinho: “Eu forte, você carregado. Eu cansado, você acordado.” As ilustrações explicitam o amor e o companheirismo dos dois e garantem o tom bem humorado da narrativa.

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(Foto: Reprodução)

4) Jacaré, não!, de Antonio Prata e ilustrações Talita Hoffmann (Editora Ubu)

Cenas da rotina da criança, como tomar banho e ir à escola, são “invadidas” por uma jacaré: “Todo dia bem cedinho Luiza acorda, tira o pijama e veste a roupa. Ela veste a calcinha, veste a meia, veste a camiseta, veste o casaco e veste o… jacaré! Jacaré? Não! Jacaré não é roupa, jacaré é bicho! Que maluco!”. A surpresa quebra situações bem conhecidas dos pequenos, o que causa estranhamento e riso. As ilustrações vibrantes também chamam a atenção.

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(Foto: Reprodução)

5) Bem Lá no Alto, de Susanne Straber (editora Companhia das Letrinhas)

Um urso avista um bolo: que delícia! Mas, puxa, ele está bem lá no alto. Enquanto a história se repete, vão chegando outros animais, que estão cada vez mais próximos do doce. Mas será que eles vão conseguir pegar o bolo? A história ritmada, com cenas e frases que vão se somando, atrai a atenção das crianças menores.

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(Foto: Reprodução)

 6) Bruxa, Bruxa Venha à Minha Festa, de Druce Arden e ilustração Pat Ludlow (editora Brinque-Book)

As ilustrações são de arrepiar! Mas não se assuste: as crianças adoram. Personagens conhecidos, como a bruxa, o lobo, o dragão, entre outros seres amedrontadores, vão sendo convidados para uma festa. “Obrigado, irei sim. Só se você convidar o…”. Quem será o próximo? Basta virar a página, tarefa que seu filho vai adorar fazer.

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(Foto: Reprodução)

7) Da Pequena Toupeira que Queria Saber Quem Tinha Feito Cocô na Cabeça Dela, de Werner Holzwarth e ilustração Wolf Erlbruch (editora Companhia das Letrinhas)

A toupeira sai de sua toca e — “onde é que nós estamos?” — alguém fez cocô na cabeça dela! Para descobrir o culpado, ela vai perguntando ao cavalo, ao porco, à vaca, à pomba, à cabra se foi algum deles que cometeu o ato. Mas, que nada: cada bicho mostra como é o seu cocô (e os pequenos adoram essa parte!), uns mais duros, outros mais moles, marrom, verde, mas nenhum parecido com o que está na cabeça da toupeira. Quem será que foi, então? Há uma versão pop-up do livro, com abas que permitem a interação da criança. Vale a pena!

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(Foto: Reprodução)

8) Tanto, Tanto, de Trish Cooke e ilustração Helen Oxenbury (editora Ática)

Toda a família quer beijar, agarrar, brincar com o bebê da casa — tanto, tanto! Chega a tia, o tio, a vovó, o primo. Mas está faltando alguém! Quem será que também deseja abraçar o bebê? A família e o amor são os temas dessa narrativa na qual as cenas (com ilustrações de uma família como a minha, como a sua) se repetem a cada parente que entra na história.

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(Foto: Reprodução)

9) Tico e os Lobos Maus, de Valeri Gorbachev (Editora Brinque-Book)

Lobo mau também está no topo do ranking das preferências dos pequenos! Nesta versão, os lobos aparecem no pesadelo do coelho Tico: “Cem lobos estavam me perseguindo!”, diz ele. Mas a mamãe coelha não se deixa impressionar: “Tem certeza?”. Até que o terrível bando se transforma em meia dúzia de lobos, que são facilmente afugentados. As crianças adoram gritar o pedido de SOCORRO dos coelhinhos.

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(Foto: Reprodução)

10) Ter um Patinho é Útil, de Isol (editora Cosac-Naify)

O projeto gráfico bem pensado apostou no formato sanfona — as páginas vão se desdobrando — para contar duas narrativas que se complementam. De um lado, o ponto de vista da criança, que enumera as vantagens de ter um patinho. Do outro lado, o olhar do próprio brinquedo, que apresenta a “utilidade” do menino. Os pequenos vão gostar do formato diferenciado do livro e das ilustrações simples.

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(Foto: Reprodução)

  • Débora Lublinski

    Jornalista e mãe da Marina, Débora Lublinski trabalhou por 15 anos em revista feminina cobrindo beleza, saúde e bem-estar. Mas não vive apenas de glamour e sabe bem o malabarismo que é se cuidar sem descuidar dos filhos, da casa, do casamento e da carreira

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